IA vai liberar mais tempo para a criação, diz CEO de tech latina listada em NY

Martin Migoya, CEO da Globant, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea que humanos vão continuar a desempenhar um papel crucial mesmo com o advento da tecnologia

Martin Migoya, CEO da Globant: ‘Os humanos vão continuar a desempenhar um papel crucial na IA’
03 de Julho, 2023 | 02:06 PM

Bloomberg Línea — A empresa argentina de software Globant (GLOB) decidiu abraçar a inteligência artificial (IA) como um meio de diferenciação em relação aos concorrentes. O CEO, Martín Migoya, disse em entrevista à Bloomberg Línea que há um grande potencial de uso da IA como ferramenta para negócios, o que resulta em redução do tempo gasto com execução e, portanto, ganho de produtividade.

Listada na Bolsa de Nova York (NYSE) desde 2018, a Globant atende clientes de diversos setores, como serviços financeiros, varejo, saúde, mídia e entretenimento, tecnologia e telecomunicações. Seus clientes incluem empresas como Google, Disney, Electronic Arts, Santander e Coca-Cola.

Migoya disse acreditar que a IA tem o poder de aprimorar as capacidades humanas e aumentar a produtividade em relação à forma como o trabalho é produzido diariamente.

Segundo o executivo, a IA permitirá que os humanos gastem mais tempo com a criação de ideias do que com a execução, e isso vai resultar em uma mudança do modelo tradicional de 80% de execução e 20% de idealização para um modelo em que essas proporções estejam invertidas.

PUBLICIDADE
LEIA +
Startup de IA levanta US$ 1,3 bi em rodada com Bill Gates, Eric Schmidt e Nvidia

“Não acho que seja um modismo, acredito que é uma ferramenta muito útil. É uma ferramenta que nunca vimos antes em termos de como é performática na criação de negócios de texto, por exemplo”, disse Migoya. “Mas será que a máquina tem a mesma compreensão e competência real? Isso é outra discussão.”

O ano de 2023 tem sido marcado por um rali das ações de grandes empresas de tecnologia, principalmente, aquelas que têm potencial de se beneficiar do impulso nos negócios provocados pelo maior interesse do mercado na inteligência artificial.

Um exemplo é o da Nvidia (NVDA), cujas ações têm ganho de 192% no ano até esta segunda-feira (3), além de Meta Platforms (META), dona do Facebook, que sobe 79,9%. No total, o índice Nasdaq 100, com grande peso das empresas de tecnologia, acumula ganhos de 39%.

PUBLICIDADE

O movimento também beneficia em parte as ações da Globant, que acumulam alta de 7,75% no período.

“Durante os últimos 8 anos, temos investido em IA. Não é algo novo para nós. Utilizamos a IA para recrutar, conectar pessoas a projetos, compartilhar conhecimento, programar, desenvolver código e realizar testes”, afirma o CEO.

“Agora, as expectativas em relação ao desempenho do sistema mudaram drasticamente desde seis meses atrás. Isso está criando uma nova oportunidade para nós, uma nova onda de novos produtos chegando. E também muitos projetos antigos relacionados a dados e como aproveitar as informações criadas pelas empresas que antes estavam um pouco adormecidas. De repente, isso pode nos ajudar a acelerar a adoção da IA. Vejo isso como uma ótima oportunidade para a Globant.”

Migoya enfatizou que, em sua avaliação, os humanos continuarão a desempenhar um papel crucial ao fornecer contexto e orientar as máquinas de maneira adequada.

Ele descartou, portanto, a ideia de que a IA possa substituir o trabalho humano e afirmou que as pessoas vão continuar no controle por muitos anos. Migoya disse acreditar que a IA abrirá novas oportunidades.

No entanto ele destacou a importância de entendimento dos limites da IA e de sua competência.

“A IA generativa é muito importante, a grande mudança está em como realizar transações usando a IA generativa. Isso é algo totalmente novo e continuará evoluindo no futuro. Veremos mais empresas adotando mais conversas e menos aplicações transacionais com seus clientes, realizando as mesmas transações com conversas semelhantes às humanas. Essa é uma grande tendência à qual devemos prestar atenção”, diz.

PUBLICIDADE

Migoya foi co-fundador da Globant em 2003, uma startup especializada em transformação digital, inovação e desenvolvimento de software.

Diferentes usos na empresa

A Globant, uma empresa que tem investido em IA nos últimos oito anos, utiliza a tecnologia em diferentes aspectos de suas operações, desde recrutamento, alocação de projetos e compartilhamento de conhecimento até programação e testes, de acordo com o CEO.

Para Migoya, a Globant estava pronta para abraçar a nova onda de tecnologias de IA, o que levou a expectativas de desempenho mais altas e ao surgimento de novos produtos. Ele destacou a importância de usar a Inteligência Artificial generativa para interações com clientes.

O CEO previu que um número maior de corporações vai adotar aplicativos de conversação em vez de aplicativos transacionais e isso vai permitir conversas semelhantes às humanas entre clientes e empresas.

PUBLICIDADE

Migoya também contou que está atento a novas tecnologias como o metaverso e a realidade mista utilizada pelo Apple Vision Pro, o headset que é a próxima grande aposta da big tech.

“As coisas vêm em ondas e agora é a vez da IA. Foi a vez do metaverso no ano passado. A Web 3.0 é uma mudança filosófica sobre como fazer transações entre humanos sem que haja um intermediário. Essas são coisas extremamente importantes em termos de tecnologia.”

A Globant ganhou destaque ao adicionar o Bitcoin ao seu balanço nos últimos anos. Quando questionado se eles repetiriam essa alocação, Migoya expressou sua crença na tecnologia das criptomoedas e na tese de interações descentralizadas sem intermediários, nem mesmo bancos centrais.

Leia também

PUBLICIDADE

De bilionários a startups: corrida para superar EUA em IA vira obsessão na China

Empresas de IA podem ser a salvação para a crise dos escritórios nos EUA

Isabela  Fleischmann

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

Francisco  Aldaya

Periodista argentino con más de 10 años de experiencia. Francisco cubrió al sector financiero latinoamericano en S&P Global Market Intelligence, y trabajó en las secciones de economía y política del Buenos Aires Herald. También ha colaborado con el Buenos Aires Times.