Tractian capta US$ 130 milhões e se torna o mais novo unicórnio de IA brasileiro

Rodada da Série D é liderada pela Sapphire, que já havia puxado a Série C; valuation da startup de sensores industriais sobe de US$ 800 milhões para US$ 1,4 bilhão

A plataforma atende mais de 2.000 instalações críticas no mundo, com clientes como Eli Lilly, McKesson, Whirlpool, Coca-Cola, Cummins e Embraer, além de operadores de data centers e de infraestrutura governamental
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Bloomberg Línea — A Tractian, startup brasileira de sensores e inteligência artificial para máquinas industriais, captou US$ 130 milhões em uma rodada Série D que a avalia em US$ 1,4 bilhão e a leva ao grupo dos unicórnios.

O valuation é 75% maior que o de US$ 800 milhões registrado na Série C, de US$ 120 milhões, anunciada em novembro de 2024.

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O aporte foi liderado pela Sapphire Ventures, com a M&G Catalyst como colíder. Participaram ainda N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator.


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Com o aporte, a Tractian se torna o segundo unicórnio de inteligência artificial da região. O primeiro foi a legaltech Enter, avaliada em US$ 1,2 bilhão no começo deste ano. A Tractian, porém, supera a antecessora em valuation, ao alcançar US$ 1,4 bilhão.

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Segundo a empresa, a receita anualizada ultrapassou os US$ 100 milhões em setembro deste ano, ante US$ 40 milhões em 2024.

Para JP Voltani, CTO da Tractian, o fato de a Sapphire repetir a liderança pesa na leitura da rodada. A gestora já estava no capital da empresa. “É um double down deles, no aspecto de que já tinham apostado em nós, viram outra oportunidade e quiseram liderar também essa nova rodada”, disse Voltani em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia também: Enter, startup brasileira de IA jurídica, atinge valuation de US$ 1,2 bi em novo aporte

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A startup foi criada por Igor Marinelli, Gabriel Lameirinhas e Leonardo Vieira. CEO da Tractian, Marinelli cresceu vendo o pai, um ex-profissional de manutenção da International Paper, passar anos tendo que acordar de sobressalto para lidar com problemas que apareciam sem sobreavisos em equipamentos.

GPUs e treinamento de modelos

A maior parte do dinheiro vai para a camada de tecnologia. O executivo afirma que os recursos financiarão novos sensores, o desenvolvimento do produto e o treinamento de modelos de IA, frente em que a empresa mantém um parque de GPUs da Nvidia. “Hoje nós investimos muito nisso com as nossas GPUs da NVIDIA”, afirmou.

A Tractian, segundo ele, tem um ativo difícil de replicar: a base de dados acumulada. “Todo esse conhecimento acumulado ao longo do tempo, esses dados de sensores, essas diferentes falhas, isso se torna um dado extremamente precioso para treinar esses modelos”, disse.

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O CTO vê a onda de IA como vento a favor em duas frentes: a empresa treina os próprios modelos e atende justamente quem ergue a infraestrutura que essa onda demanda.

“Todo esse boom de AI que nós estamos ouvindo por todos os lados agrega na Tractian de duas formas. Nós também estamos desenvolvendo AI, treinamos nossos apps e modelos”, afirmou.

A construção de data centers, segundo ele, amplia o mercado da empresa, e o produto ajuda a indústria “a produzir com maior confiabilidade, uma produção mais contínua, otimizada também”.

Migração para monitoramento multimodal

A empresa nasceu em 2019 focada em ativos rotativos, com um único tipo de sensor, de vibração. Hoje combina sensores de vibração, ultrassom e outras modalidades para monitorar a máquina por ângulos mecânicos, elétricos e operacionais, o que a startup chama de estratégia multimodal.

A tese é que falhas raramente respeitam as fronteiras entre disciplinas. “Você pode ter problemas que às vezes são elétricos, mas estão causando alguma coisa na mecânica”, disse JP.

A plataforma atende mais de 2.000 instalações críticas no mundo, com clientes como Eli Lilly, McKesson, Whirlpool, Coca-Cola, Cummins e Embraer, além de operadores de data centers e de infraestrutura governamental não identificados.

Expansão nos EUA e na Europa

Metade da receita da Tractian já vem de fora do Brasil, principalmente dos EUA e México. A Europa, onde a empresa abriu neste ano um escritório na Polônia, já contribui, embora em proporção menor por ser uma operação mais recente.

O foco do investimento, diz o executivo, é continuar crescendo nos Estados Unidos e acelerar a presença europeia. A sede fica em Atlanta, e a empresa tem escritórios em Monterrey (Califórnia), São Paulo e Polônia, com mais de 700 funcionários, ante cerca de 400 em abril de 2025.

A abertura de novos escritórios depende, em parte, do modelo comercial. “É muito comum os nossos vendedores visitarem o cliente, irem à fábrica, entenderem o problema”, afirmou JP, para quem a presença local em regiões industriais é estratégica.

No Brasil, o polo de pesquisa e desenvolvimento fica na zona sul de São Paulo, no hub de inovação que a empresa construiu para abrigar testes e a fabricação dos sensores, com investimento de R$ 55 milhões anunciado em 2025. “Todo o nosso P&D, toda a parte de desenvolvimento fica lá”, disse JP, que descreveu a estrutura como a maior da empresa no país.

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