Papapá lança linha para crianças, entra no México e negocia com fundos para acelerar

Fundada por Leonardo Afonso e Paula Machado, marca conquista liderança do mercado de papinhas com apelo de ingredientes naturais e lançará biscoitos e sucos sem açúcar para o público infantil. Plano de médio prazo é chegar a R$ 1 bi em receitas

A marca, lançada em 2021, encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 180 milhões e quer chegar a R$ 1 bi em quatros anos
28 de Janeiro, 2026 | 09:40 AM

Bloomberg Línea — Criada no mercado de papinhas e alimentos para bebês com uso de ingredientes naturais, a Papapá avança em seu modelo de negócios para acompanhar a evolução do seu público.

A marca brasileira prepara para o segundo trimestre o lançamento de uma linha voltada para crianças acima de três anos, que inclui biscoitos recheados, sucos, achocolatados e salgadinhos.

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Os produtos representam uma evolução natural para a marca, que busca conquistar a confiança de mães na fase de introdução alimentar dos bebês.

“Seria um desperdício jogar essa relação fora e não dar continuidade”, disse o CEO, Leonardo Afonso, co-fundador da Papapá ao lado da esposa, Paula Machado.

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A marca, lançada em 2021, encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 180 milhões e projeta crescer 90% em 2026, com um portfólio que tem as papinhas como carro-chefe e ainda inclui sopinhas, lanches e biscoitos para bebês.

Além da aceitação dos produtos pelos pais, a marca acabou sendo beneficiada pela saída da Nestlé no mercado de papinhas em 2023, o que contribuiu para a abertura do mercado.

De acordo com dados de setembro passado da Scanntech, a marca curitibana detém 93% de participação no mercado de papinhas.

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A Papapá foi pensada para atender uma dificuldade do próprio casal ao retornar ao Brasil depois de anos morando na Austrália, onde Afonso atuava como executivo da Kraft Heinz. Eles não conseguiam encontrar produtos com ingredientes naturais para alimentar o filho Bernardo, hoje com 8 anos.

Assim como as linhas para bebês, o diferencial dos novos produtos está no desenvolvimento tecnológico e no uso de ingredientes naturais.

O biscoito recheado utiliza uma base de frutas, fibra cítrica e tâmara em vez de gordura hidrogenada e açúcar.

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A empresa também desenvolveu sabores de morango e frutas amarelas, além de uma versão de chocolate com açaí e cacau.

“Tem que ser tão bom quanto a ‘porcaria’, mas sem ser uma ‘porcaria’”, disse o cofundador em referência a alimentos processados.

Já a linha de sucos, que vai competir diretamente com produtos como o Kapo da Coca-Cola, combina água de coco com suco de frutas diluído.

A entrada nas novas categorias coloca a Papapá em mercados significativamente maiores.

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Apenas o segmento de biscoitos doces movimenta cerca de R$ 34 bilhões no Brasil, segundo dados da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados).

Na projeção de crescer em torno de 90% em 2026, cerca de 40% do resultado viria a partir de um novo público consumidor. E o restante, a partir da melhor execução comercial com clientes que já fazem parte da base.

Segundo o co-fundador, a Papapá ainda enfrenta desafios operacionais significativos e de ruptura no varejo. Uma conta feita dentro de casa estima que a empresa poderia dobrar de tamanho caso a execução nos pontos de venda fosse “perfeita”.

Para resolver essa questão, a companhia tem revisado a estratégia de distribuição e acertado parcerias com grandes distribuidores.

“No início, pelo fato de a Papapá não ser conhecida, não tínhamos acesso a distribuidoras. Agora mudou, acabamos de fechar com empresas que distribuem produtos da Unilever e da P&G, por exemplo”, disse Afonso. “Mais de 60% da venda [de grandes empresas] é atendida via distribuidores”.

A empresa também acaba de contratar Thiago Ferreira, executivo que estava na Lactalis e já liderou operações na Danone, para ampliar o relacionamento com o varejo farmacêutico, hoje o maior canal de vendas para os produtos da marca.

México: mercado externo inicial

Em outro movimento, a Papapá inicia um processo de internacionalização, a partir do México, a segunda maior economia da América Latina.

A entrada depende neste momento de aprovação regulatória para os produtos da empresa. Conversas são mantidas também com distribuidores no Peru, na República Dominicana, na Argentina e no Paraguai.

“No México ainda não surgiu o Papapá. Quem tem o mercado lá é a Nestlé e a Heinz”, afirmou o co-fundador.

A escolha do México não foi planejada inicialmente, mas surgiu por meio de conexões do argentino Nestor Sequeiros, conselheiro da Papapá e ex-presidente da Mead Johnson Nutrition na América Latina.

O processo será conduzido por uma distribuidora local, de propriedade de uma ex-funcionária de Sequeiros e que também foi presidente da Kraft Heinz no México antes de montar o próprio negócio.

Para manter o momento de expansão, a Papapá tem conversado com fundos de private equity interessados em aportar no negócio.

Atualmente, os investidores são Alphonse Voigt e Antonio Maganhotte Junior, sócios-fundadores da Ebanx, além de ex-diretores da Ambev, da Reckitt e do Burger King, que entraram em uma rodada de R$ 5 milhões ainda em 2021.

Os novos recursos poderiam acelerar os planos de crescimento e antecipar a meta de atingir R$ 1 bilhão em faturamento nos próximos três a quatro anos.

Com presença em todo o Brasil, a marca ainda vê potencial de aumentar a capilaridade em regiões como o interior de São Paulo, o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste.

“Nós não temos problema de fluxo de caixa, mas poderíamos acelerar esse plano de expansão”, disse Afonso, citando como exemplos a possibilidade de expandir a equipe de visitação médica e investir mais em marketing e em espaços premium no varejo.

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