Bloomberg Línea — O Grupo Panvel (PNVL3) espera que as canetas emagrecedoras sigam como motor de vendas em 2027, com alta de 20% a 30% no faturamento da categoria e margem maior, à medida que novas versões da semaglutida cheguem às farmácias. A projeção sustenta o plano de ampliar a rentabilidade num varejo farmacêutico que a rede gaúcha vê como exceção em meio ao consumo pressionado.
A quinta maior rede de farmácias do Brasil em faturamento, segundo a própria empresa, elevou a receita bruta em 15,3% entre julho e setembro, para R$ 1,70 bilhão.
Os medicamentos GLP-1 (classe usada no tratamento de obesidade e diabetes) cresceram 68,8% e chegaram a 11,8% das vendas do varejo, ante 8,1% um ano antes, informou a empresa.
A margem bruta do varejo recuou 0,2 ponto percentual, para 29,7%, mas a diluição das despesas com vendas elevou o Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em 21,2%, a R$ 96,8 milhões, com margem de 5,7%. O lucro líquido ajustado subiu 35,4%, para R$ 46,4 milhões.
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Em entrevista à Bloomberg Línea, o diretor financeiro e de relações com investidores, Antônio Carlos Tocchetto Napp, disse que a queda de preço das canetas tem sido compensada pelo volume. Segundo ele, o efeito transborda para outras categorias da loja.
“Essa quantidade maior de clientes não compra apenas GLP-1, compra outros produtos”, afirmou Napp.
O executivo contou que de seis a sete categorias ganham impulso com o tratamento, como vitaminas, suplementos, remédios contra náusea, alguns alimentos e dermocosméticos. Hoje, a margem bruta das canetas fica em torno de 20%, abaixo da média da rede, e por isso pesa sobre o indicador.
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A expectativa para 2027 é que a margem da categoria fique entre 20% e 25%. Napp atribui a melhora à maior oferta de produtos, que dará às farmácias poder para escolher fornecedores e negociar melhores condições.
“A geladeira da farmácia não é elástica. Não tem espaço para colocar 15, 20 canetas diferentes”, disse o CFO.
Custo de loja estável sustenta margem
Para o conjunto da rede, Napp espera que a margem bruta fique estável ou suba levemente em 2027. Dois fatores ajudam: o avanço dos genéricos, área em que a Panvel ainda vende menos que as concorrentes, e higiene e beleza, que responde por cerca de 35% das vendas da rede.
“O povo brasileiro é um povo de renda média, renda média baixa. Porém, ele consome saúde e beleza como se fosse alta renda”, afirmou.
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Do lado das despesas, a varejista mantém o número de funcionários por loja e reajusta aluguéis pela inflação, enquanto a venda média cresce 11% a 12%.
Pessoal e aluguel somam pouco menos de 70% dos custos de uma unidade. A logística deve ficar mais barata em 2027, e o próximo centro de distribuição só entra em operação em 2028.
O plano de expansão segue mantido, com 45 aberturas em 2026, das quais 26 feitas até setembro. Para Napp, os juros atuais não freiam o ritmo, porque o retorno das lojas supera o custo de capital. A alavancagem caiu para 0,8 vez o Ebitda, e a empresa recompra ações.
Analistas questionam meta de 2030
O Bradesco BBI vê com ceticismo, em relatório recente, a meta de margem Ebitda ajustada entre 6,7% e 7% em 2030, diante do risco de as canetas corroerem a rentabilidade do setor. Napp respondeu com a combinação de margem maior nas canetas, diluição de custos e um quadro administrativo estável.
O executivo reconheceu que essa conta ainda não inclui a adaptação à escala 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de folga). Ele estima impacto pequeno em 2027, com a jornada de 42 horas, e maior a partir de 2028. Também teme que a reforma tributária, se começar em janeiro, pressione preços, porque fornecedores despreparados tendem a se proteger elevando valores.
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