Luxo em liquidação: gigantes do setor na Europa atingem menores valuations na década

Ações de Hermès, LVMH e Kering são negociadas abaixo do normal após resultados decepcionarem o mercado enquanto enfrentam um ambiente de consumo mais fraco em mercados importantes, especialmente na China, onde clientes de alta renda reduziram os gastos

Ações de Hermès e LVMH perdem 40% no ano com fraqueza da demanda chinesa por luxo (Foto: Na Bian/Bloomberg)
Por Levin Stamm
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Bloomberg — As ações das maiores empresas de luxo da Europa estão sendo negociadas nos níveis mais baixos em mais de uma década, após os resultados da Hermès e da LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton frustrarem as esperanças de que a crise do setor termine em breve.

As ações da Hermès caíram 4,9% na quinta-feira (22), depois que a fabricante da bolsa Birkin divulgou vendas decepcionantes no terceiro trimestre, em grande parte devido à demanda fraca na China. Suas ações estão sendo negociadas a cerca de 27 vezes os lucros futuros, abaixo do pico pós-pandêmico de aproximadamente 70 vezes.

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A LVMH, que divulgou resultados medíocres na semana passada em meio a uma queda nas vendas na China, também viu sua valuation despencar nos últimos meses. Atualmente, suas ações estão sendo negociadas a cerca de 16 vezes os lucros futuros, o nível mais baixo em mais de uma década.

Gigantes europeus do setor de luxo são negociados preços mais baixos na década

Os preços das ações de ambas as empresas caíram cerca de 40% neste ano, à medida que a esperada recuperação do setor de luxo não se concretizou.

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Clientes chineses abastados reduziram seus gastos em meio a uma crise imobiliária, mercados financeiros em dificuldades e uma iniciativa das autoridades para tributar patrimônios no exterior.

A Kering aumentou as preocupações na noite de quinta-feira, afirmando que o consumo na China continua moderado, já que as vendas da Gucci ficaram abaixo das estimativas.

Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio causou pressão inflacionária e afetou centros comerciais como Dubai.

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“As avaliações refletem tanto os resultados abaixo do esperado quanto um cenário macroeconômico mais fraco”, afirmou a analista da Bernstein, Maria Meita.

Leia também: Nem a Birkin salva: Hermès vê crescimento perder força na Ásia em meio a crise do luxo

A LVMH continua sendo uma aposta macroeconômica e provavelmente precisará que a China retorne ao crescimento, disse Meita. Os investidores da Hermès, por sua vez, perderam a confiança em seu modelo de negócios resiliente, acrescentou ela.

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A Hermès tem sido tradicionalmente vista como uma aposta mais segura em tempos de volatilidade devido às longas listas de espera para seus produtos mais cobiçados.

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Apesar dos preços atraentes, os investidores ainda não parecem dispostos a aproveitar a queda nas ações de marcas de luxo, especialmente com o surgimento de outro risco decorrente da propagação da agitação social na França.

Para a Hermès, a desordem pública “acrescenta mais risco, uma vez que as marchas planejadas ameaçam o fluxo de clientes nas lojas e o turismo”, escreveu a analista da Bloomberg Intelligence, Deborah Aitken.

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