Bloomberg — O governo português escolheu a Deutsche Lufthansa para adquirir uma participação minoritária na companhia aérea TAP, que enfrenta dificuldades, proporcionando ao governo uma saída para garantir a sobrevivência da companhia estatal e, ao mesmo tempo, abrindo novas rotas para o grupo alemão.
A decisão foi tomada em uma reunião do Conselho de Ministros na quarta-feira (14) e decorre de uma oferta financeira mais vantajosa da Lufthansa do que a da concorrente Air France-KLM.
A proposta da Lufthansa é 16% superior e avalia a TAP em 2,55 bilhões de euros, afirmou o primeiro-ministro Luís Montenegro, em Lisboa.
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A Lufthansa adquirirá inicialmente 44,9% da TAP, podendo sua participação subir para 49,9% caso os funcionários não exerçam o direito de comprar os 5% reservados a eles. Sua oferta geraria 1,201 bilhão de euros em receita caso os 49,9% fossem vendidos na íntegra, em comparação com 1,038 bilhão de euros na proposta da Air France-KLM, afirmou Montenegro.
“Estamos garantindo o crescimento da TAP — crescimento de sua frota, de passageiros, de destinos e de conexões, bem como investimento não apenas na TAP, mas em todo o setor de aviação de Portugal”, afirmou Montenegro.
Um representante da Lufthansa não estava disponível imediatamente para comentar. A Air France-KLM declarou estar decepcionada com a decisão, mas valorizou o “diálogo construtivo” durante o processo.
A companhia aérea portuguesa é um alvo atraente devido à sua extensa rede que liga a Europa à América Latina e à África. Autoridades argumentaram que a companhia, que recebeu bilhões de euros em auxílio estatal durante a pandemia, precisa se juntar a um grupo maior para ganhar escala e garantir seu futuro a longo prazo.
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A empresa registrou um prejuízo de 99 milhões de euros no primeiro semestre, uma vez que os custos mais elevados com combustível pesaram sobre os resultados.
A Lufthansa, que assumirá a gestão executiva e operacional da TAP, afirmou que a companhia aérea portuguesa se encaixaria em seu modelo de múltiplas companhias aéreas e múltiplos hubs e fortaleceria a posição do grupo nas rotas que ligam a Europa ao Brasil, à América Latina e à África.
A companhia aérea alemã comprometeu-se a manter Lisboa como hub.
A Lufthansa também afirmou estar aberta a adquirir, no futuro, a participação remanescente de 50,1% do Estado na TAP.
Essa proposta incluiria 863 milhões de euros em dinheiro adicional e uma troca de ações no valor de cerca de 488 milhões de euros, conferindo a Portugal aproximadamente 5% do grupo combinado Lufthansa-TAP e tornando-o o segundo maior acionista.
O acordo incorpora a TAP a um portfólio que inclui a Lufthansa, a Swiss, a Austrian Airlines, a Brussels Airlines e a ITA Airways. O grupo destacou sua experiência na gestão de companhias aéreas de rede em toda a Europa como um motivo pelo qual poderia ajudar a TAP a se expandir e melhorar sua competitividade.
A Lufthansa e a TAP já são membros da Star Alliance e mantêm uma relação comercial. A companhia aérea alemã afirmou que a TAP complementaria sua rede, particularmente no Atlântico Sul, onde a companhia aérea portuguesa detém uma posição sólida.
A Bloomberg News havia noticiado anteriormente que a Lufthansa havia sido escolhida para adquirir a participação.
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