Kinea amplia fatia na Petz às vésperas de conclusão de fusão com Cobasi

Kinea e Tefra Participações, controladores da Cobasi, elevam participação conjunta da rede de pet shops para 16,33%, em sinal de confiança na criação do maior grupo do setor. Na outra ponta, Sergio Zimerman reduziu sua fatia para 38,55%

Petz e Cobasi acertam acordo para fusão em negócio que cria o maior player do setor no país (Foto: Montagem Bloomberg Línea/Reprodução)
30 de Dezembro, 2025 | 12:39 PM
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Bloomberg Línea — O braço de private equity da Kinea elevou sua participação na Petz (PETZ3) às vésperas da conclusão da fusão com a Cobasi, que formalizará a criação do maior grupo do setor de produtos para animais no Brasil.

A gestora controlada pelo Itaú Unibanco (ITUB4) passou a deter 16,33% do capital da rede de pet shop, ao lado da Tefra Participações, segundo comunicado da Petz divulgado na manhã desta terça-feira (30).

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A Kinea e a Tefra são acionistas controladores da Cobasi e juntas detinham 10,62% do capital da Petz até 23 de dezembro — a Kinea com 5,49%, e a Tefra, com 5,13%, segundo dados da B3.

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A operação divulgada hoje não altera a engenharia da fusão, definida desde agosto de 2024. A Petz se tornará subsidiária da Cobasi, e cada ação será convertida em uma proporção que dará aos acionistas da Petz 52,6% da empresa combinada, e aos da Cobasi, 47,4%.

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Como já controlam a Cobasi, ao aumentar a posição na Petz agora, ambas elevam sua fatia final na empresa combinada, sinalizando uma aposta no sucesso da operação.

A combinação de negócios acontece em um mercado que registrou crescimento expressivo desde a pandemia, impulsionado pelo aumento no número de lares com animais de estimação e nos gastos com cuidados.

Do outro lado está Sergio Zimerman, fundador e principal acionista da Petz, cuja participação caiu de 41% para 38,55% após alugar 11 milhões de ações da companhia em operação comunicada ao mercado no fim do dia.

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Apesar da redução, ele continua como maior acionista individual, mas agora divide mais espaço com os investidores da Cobasi às vésperas da conclusão da fusão entre as duas redes, prevista para janeiro de 2026.

Venda de lojas

Petz e Cobasi anunciaram a fusão em agosto de 2024. O processo havia começado em abril do mesmo ano, com a assinatura de um memorando de entendimento. A aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) veio em 10 de dezembro de 2025, mais de um ano depois.

O aval do autarquia federal impôs uma condição: as redes precisam vender 26 lojas no estado de São Paulo.

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Essas unidades representam 3,3% do faturamento da companhia combinada. A exigência busca evitar concentração excessiva em determinadas regiões.

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A empresa resultante da fusão terá 483 lojas (249 Petz + 234 Cobasi) espalhadas pelo país e será negociada na B3 sob o ticker AUAU3 a partir do dia 2 de janeiro.

Paulo Nassar, atual presidente da Cobasi, assumirá o comando executivo da nova companhia combinada. Sergio Zimerman ocupará a presidência do conselho de administração.

Os acionistas da Petz receberão também uma ação preferencial resgatável. O valor estimado é de R$ 0,71 cada. Esse resgate envolve um pagamento de R$ 270 milhões, com correção pela taxa básica de juros. Em novembro, os investidores já haviam recebido R$ 130 milhões em dividendos.

Análise do sell side

Analistas do sell side do BTG Pactual (BPAC11), que disseram reconhecer a lógica estratégica da fusão, mantêm recomendação neutra para as ações.

Segundo relatório divulgado após a aprovação pelo Cade, a combinação dos negócios pode gerar sinergias de custos e fortalecer a presença omnichannel.

Com receita estimada de R$ 7,2 bilhões, a empresa combinada se tornará um dos maiores grupos de varejo especializado do país.

Os analistas de equity research do banco destacaram, porém, que o ambiente macro continua desafiador.

Com a Petz negociada a 22 vezes o lucro estimado para 2026, os analistas disseram preferir aguardar evidências mais claras de execução e captura de sinergias antes de revisar a recomendação.

A fusão deve gerar sinergias operacionais estimadas entre R$ 220 milhões e R$ 330 milhões anuais, segundo fato relevante divulgado pela Petz e Cobasi m agosto de 2024.

Para a equipe do BTG Pactual, o preço-alvo de 12 meses está em R$ 5 por ação, cerca de 15% acima da cotação de fechamento do último pregão do ano (R$ 4,34)

Em 2025, o desempenho das ações da Petz na bolsa ficou aquém do mercado como um todo. No acumulado do ano, os papéis subiram 8,50%. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 34% no mesmo período.

A diferença de performance reflete, segundo analistas, as incertezas que cercaram a operação durante meses. Até a aprovação do Cade, muitos investidores permaneceram cautelosos. Agora, com o sinal verde do órgão regulador e os principais investidores posicionados, a fusão entra em sua fase final.

--Texto atualizado às 19h40 com comunicado da Petz sobre aluguel de ações e cotações de fechamento.

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