Bloomberg Línea — O iFood Benefícios assinou acordo para comprar a Caju, startup de benefícios corporativos, despesas e gestão de pessoas, em uma operação que junta duas desafiantes do setor de vale-refeição e vale-alimentação em meio à reconfiguração das regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
A transação foi anunciada em comunicado nesta terça-feira (20), e as empresas não informaram o valor do negócio.
O acordo foi comunicado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ainda será enviado ao Banco Central para avaliação. Até a conclusão das aprovações, as duas empresas seguem operando de forma independente, sem impacto para clientes, colaboradores e parceiros, segundo o comunicado.
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Somadas, as companhias reúnem cerca de 3 milhões de usuários: 1,7 milhão no iFood Benefícios, que atende 65 mil empresas clientes, e 1,3 milhão na Caju, cuja base ultrapassa 70 mil empresas.
A escala ainda é modesta diante do universo do PAT, que alcança mais de 22 milhões de trabalhadores em cerca de 470 mil empresas e movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano.
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O mercado é liderado pela Alelo, com cerca de 30% do mercado. Com Pluxee, Ticket e VR, as quatro as líderes do setor detêm em torno de 80% de participação no setor, de acordo com dados reunidos pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
Um setor em reconfiguração
As mudanças provocadas pelo Decreto nº 12.712, publicado em novembro de 2025, geraram um nova corrida no setor, entre incumbentes e novas entrantes.
O regulamentação passou a limitar a taxa de desconto a 3,6%, fixou teto de 2% para a tarifa de intercâmbio, reduziu o prazo de repasse para até 15 dias e determinou a abertura dos arranjos de pagamento, em vigor desde 10 de maio. Em novembro, qualquer cartão do PAT deverá ser aceito em qualquer maquininha do país.
A aquisição da Caju pelo iFood entra neste contexto, quando entrantes como a Flash reforçam o caixa e os investimentos e bancos como o BTG Pactual e o C6 Bank entram na disputa pelo mercado.
Dois caminhos até o mesmo mercado
Fundada em 2020, a Caju nasceu com um cartão Visa de benefícios flexíveis e levantou R$ 45 milhões em Série A, em 2021, e US$ 25 milhões em Série B, em 2022, liderada pela K1 Investment Management.
De lá para cá, a startup ampliou o escopo para despesas corporativas e gestão de pessoas. Hoje tem mais de 700 colaboradores e cartão aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos.
O iFood Benefícios, por sua vez, traz uma rede de 11 milhões de estabelecimentos físicos e a conexão com o ecossistema da plataforma, com mais de 500 mil parceiros, 600 mil entregadores e 65 milhões de consumidores em mais de 2.000 cidades.
“Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio”, afirmou Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios, em comunicado.
A proposta é atender empresas e trabalhadores da gestão de RH ao pagamento do dia a dia em uma única oferta. Na prática, restaurantes e comércios passam a atender uma base maior de trabalhadores com cartões alinhados às novas regras do PAT, que reduzem a taxa de desconto cobrada do estabelecimento.
Os usuários mantêm vantagens como saldo que rende até 40% a mais em restaurantes do iFood e descontos pelo Clube iFood.
“Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, abrindo espaço para a inovação com mais investimento em experiência e produto”, disse Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju, também em nota.
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