Bloomberg Línea — O Grupo Fleury (FLRY3) comprou o Unilab, rede de laboratórios de análises clínicas com atuação em oito cidades do interior paulista e uma no sul de Minas Gerais, por R$ 55 milhões, segundo fato relevante desta quinta-feira (1º).
No mesmo dia, a ação chegou a R$ 23,93 durante o pregão, a máxima em 52 semanas, e fechou a R$ 23,75. O papel acumula alta de 60,15% no ano e de 52% desde o fim de junho, no maior nível em pelo menos cinco anos.
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O Unilab, que também opera a marca Quantum Diagnóstico, faturou R$ 65 milhões nos 12 meses encerrados em maio.
A rede atende as cidades paulistas de Atibaia, Bragança Paulista, Itatiba, Jarinu, Bom Jesus dos Perdões, Piracaia, Aparecida e Pindamonhangaba, além de Extrema (MG).
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O comprador não é estranho à rede. O site do Unilab cita o Instituto Fleury como laboratório parceiro.
Novo trecho do mapa
As cidades do Unilab ficam fora da área da a+ Medicina Diagnóstica, marca do grupo Fleury que opera em Jundiaí (SP), na capital e na Grande São Paulo.
No interior, o avanço mais recente havia sido em Campinas (SP). Até comprar a Confiance, rede de 25 unidades em sete cidades da região, por R$ 130 milhões, o Fleury tinha apenas duas unidades em Campinas e Jundiaí.
Em Minas, o grupo entrou em 2022 com o Méthodos, que tinha 26 unidades no sul do estado.
O comunicado não informa o número de unidades do Unilab nem a função das duas sociedades incluídas no negócio, que levam os nomes de Marcio Gustavo Lacerda Batista e Cintia Mara Ribeiro Nascimento Batista.
Múltiplo menor
O Fleury pagou 4,3 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses do Unilab, múltiplo que cai para 3,5 vezes com as sinergias projetadas. De acordo com os números do comunicado, o Ebitda da rede fica perto de R$ 12,8 milhões.
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O preço fica abaixo das duas compras anteriores. Na Confiance, o múltiplo foi de 6,3 vezes o Ebitda de 12 meses. No Femme, rede de saúde da mulher concluída em maio por R$ 207,5 milhões, foi de 5,5 vezes, acima do patamar em que a própria companhia é avaliada na Bolsa, segundo o BofA.
O porte também é menor. A receita anual do Unilab equivale a cerca de 2,6% da receita bruta de R$ 2,51 bilhões que o Fleury registrou apenas no segundo trimestre.
Efeito no tíquete
O perfil da rede pesa no preço médio do exame. No segundo trimestre, o valor médio cobrado caiu 2,3% no atendimento ao cliente final e 7,4% no serviço a laboratórios e hospitais, porque as redes compradas nos meses anteriores fazem apenas análises clínicas.
“Um hemograma custa pouco e uma ressonância magnética tem tíquete maior. Exames de análises clínicas puxam o tíquete para baixo”, disse a CEO Jeane Tsutsui à Bloomberg Línea em agosto.
Na ocasião, ela afirmou que a equipe de fusões e aquisições seguia ativa. Com dívida líquida de 1,1 vez o Ebitda, o grupo opera abaixo do limite de 3,0 vezes acertado com credores.
Bancos divididos
A alta da ação veio mais do que o investidor aceita pagar pelo lucro do que de revisões nas projeções, segundo o BTG Pactual. O múltiplo preço/lucro projetado subiu de 10,5 vezes no início do ano para mais de 14 vezes.
O BTG e o UBS BB têm recomendação neutra. O Itaú BBA recomenda compra, com preço-alvo de R$ 25, porque o grupo ganha participação em diagnóstico premium e intermediário.
Em agosto, por sua vez, o JPMorgan avaliou que a opcionalidade de aquisições do Fleury havia se esgotado e manteve recomendação underweight (exposição abaixo da média do setor).
O conselho de administração do Fleury aprovou a compra por unanimidade. Segundo a ata, o valor da operação dispensa assembleia de acionistas.
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