Farm Rio mira crescer na América Latina, diz CEO, enquanto Azzas negocia venda da marca

Marca carioca de moda feminina faz sociedade com distribuidora Kronotime e abre primeira loja na Colômbia. Plano é expandir para outros países da região em 2027, mas futuro da grife depende da disposição da Azzas 2154 de concretizar venda, disse o CEO Fábio Barreto à Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — A Farm Rio busca crescer na América Latina com franquias e sócios locais e abrir lojas em mais países da região em 2027, mas o plano de internacionalização fica exposto a uma eventual mudança na estrutura da empresa, já que o Grupo Azzas 2154 (AZZA3), ainda controlador, realiza negociações para a venda da marca carioca de moda feminina

A marca abriu na Argentina em julho de 2025. Foi a primeira loja da América do Sul, no Shopping Paseo Alcorta. Além de Brasil e Argentina, a Farm Rio já está no Panamá e agora Colômbia.

No último dia 17, a Farm abriu sua primeira loja na Colômbia como uma franquia da Kronotime, distribuidora colombiana de relógios, joias e acessórios, que trabalha com marcas como Carolina Herrera, Coach, Tous, Swarovski, Fossil, Hugo Boss, Tommy Hilfiger e Casio. A Kronotime informa operar em mais de 300 pontos de venda em mais de 10 países, entre eles Colômbia, EUA, Peru, Panamá, Brasil e Chile.

“Seguimos em busca de abrir em mais países da América Latina em 2027”, disse Fábio Barreto, CEO da Farm Rio Internacional, em resposta por escrito a perguntas enviadas pela Bloomberg Línea.

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Com um site nativo, a primeira loja física no país fica no Mallplaza Buena Vista, em Barranquilla, em um espaço de 100 m² e marca mais um capítulo da expansão internacional da marca carioca pela América Latina.

O executivo afirmou que a Colômbia é um mercado muito promissor e que a empresa já procura pontos em Bogotá, Medellín e Cartagena. Barreto está no Grupo Soma, hoje parte do Azzas, desde 2013.

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Ele explicou que a escolha de Barranquilla, e não de Bogotá ou Medellín, nasceu de uma oportunidade de negócio. À medida que a companhia conheceu a cidade, disse, percebeu uma afinidade natural com o universo da marca. Ele descreveu Barranquilla como um lugar conectado ao mar, à vida ao ar livre e a uma forma espontânea de ocupar as ruas e celebrar.

“Encontramos ali uma energia que, de alguma maneira, conversa muito com o Rio e com a forma como a nossa marca nasceu e se expressa”, afirma.

Grupo Azzas 2154

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O executivo disse que a empresa não pode abrir o valor investido na operação nem a meta de faturamento dos primeiros 12 meses.

O modelo de franquia, segundo o CEO, faz parte da estratégia de expansão na região. “Queremos crescer com parceiros locais que tenham conhecimento profundo de seus mercados, do consumidor e da operação”, afirmou.

O parceiro é só uma das camadas da estratégia. O executivo disse que arquitetura e linguagem da marca seguem um padrão global, sem que cada país receba a cópia da loja anterior. “Não queremos simplesmente replicar a mesma experiência em todos os mercados”, afirmou.

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Na Colômbia, a adaptação aparece no projeto da Cajoo Arquitetura e na fachada, feita com o estúdio Liana, em que o tucano e as folhagens de bananeira, ícones da marca, são revestidos por fibras de fique trançadas por artesãos locais.

A Artesanías del Atlántico, que reúne mais de 250 ateliês, e os estúdios Fango e Alta Estudio também assinam peças. O CEO diz que essa curadoria foi pensada só para a Colômbia e não seguirá para outras operações nem para o Brasil.

Marca à venda

A abertura na Colômbia reforça a frente internacional de uma marca fundada em 1997 por Kátia Barros e Marcello Bastos. Kátia, diretora criativa, disse, em nota, que a Farm Rio quis levar seu olhar à Colômbia, mas também aprender e criar a partir da riqueza cultural do país.

A Farm Rio iniciou a expansão global em 2019, tem mais de 130 lojas no Brasil e 18 pelo mundo, e faturou R$ 3,4 bilhões em 2025, o equivalente a 23% da receita bruta da Azzas.

O Brasil responde por cerca de 60% das vendas da marca, segundo relatório do J.P. Morgan.

Ao mesmo tempo, a dona da marca avalia o futuro do ativo. A Farm Rio, que reúne operação nacional e internacional sob o mesmo nome, segue por ora dentro da Azzas.

Em comunicado ao mercado em 19 de junho, a Azzas informou ter contratado o Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas para a Farm Rio, com o objetivo de destravar valor da marca. A empresa fala em alternativas e diz que não há decisão tomada, mas afirmou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que mantém contatos com potenciais interessados nos ativos ligados à marca.

Em comunicado de 2 de setembro, ao anunciar a divisão do grupo entre os sócios Alexandre Birman e Roberto Jatahy, a Azzas disse que a Farm Rio terá empresa própria, com gestão e governança independentes, e que a avaliação de alternativas continua.

O Morgan Stanley deu até o fim de setembro para que os interessados entreguem propostas não vinculantes, que não obrigam a fechar negócio, segundo o site Pipeline Valor. A Farm Rio não quis comentar esse assunto.

Entre os investidores que analisam a operação estariam os fundos de private equity Advent, GIC, CVC Capital Partners e L Catterton, segundo o site.

Procuradas pela Bloomberg Línea, Advent e CVC Capital Partners informaram, por meio de sua assessoria, que não tinham o que se manifestar. A GIC e L Catterton não responderam de imediato ao pedido de comentário.

O preço seria o ponto mais sensível. Estimativas de bancos citadas pelo jornal colocam a marca entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões. Os acionistas pedem cerca de 15 vezes o Ebitda (geração de caixa), múltiplo que os fundos veem como alto diante das 13,7 vezes do grupo dono da Zara, do grupo espanhol Inditex. A ambição seria um negócio de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,1 bilhões, segundo o Pipeline.

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