Bloomberg — A família Batista está reformulando sua holding J&F para incorporar seus negócios de celulose, mineração e bens de consumo, em uma tentativa de melhorar o acesso aos mercados de dívida e gerenciar suas prioridades com mais agilidade.
A J&F Investimentos retirou o “Investimentos” do nome e vai incorporar a produtora de celulose Eldorado Brasil Celulose, a mineradora LHG Mining e a empresa de cosméticos e higiene pessoal Flora, disse o CEO, Aguinaldo Gomes Ramos Filho, em entrevista à Bloomberg News.
A gestão operacional de cada empresa segue sendo tocada individualmente, mas elas terão a gestão unificada das finanças.
“A J&F é um grupo familiar, brasileiro, de atuação global em negócios relevantes e estratégicos, com moedas fortes e visão de longo prazo”, disse Ramos Filho na entrevista.
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“Nossa ideia é fortalecer o conglomerado e centralizar a gestão financeira dentro do grupo.”
A unidade de energia Ambar Energia foi incorporada no ano passado.
A JBS (JBS), que passou a ser listada na Bolsa de Nova York (NYSE) em junho de 2025, continuará como um negócio separado, em que a J&F ainda detém cerca de 50% das ações.
A J&F terá um conselho de administração com sete membros, incluindo o fundador da JBS, José Batista Sobrinho, e seus filhos Wesley e Joesley Batista, com este último atuando como presidente do colegiado.
As quatro cadeiras restantes serão ocupadas por conselheiros independentes, que vão incluir o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
A empresa também criará um conselho fiscal e um comitê de auditoria independente.
Ramos Filho permanecerá como CEO, enquanto Fernando Storchi, atual presidente da Eldorado, assumirá como diretor financeiro (CFO).
O conglomerado registrou receita de R$ 490 bilhões nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025, segundo divulgado.
O movimento contrasta com a estratégia de outras holdings brasileiras, como a Cosan (CSAN3), de Rubens Ometto, e a Simpar (SIMH3), de Fernando Simoões, que possuem subsidiárias listadas em bolsa.
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Ramos Filho afirmou que a J&F pretende manter o controle de seus negócios e acrescentou que qualquer oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) futura envolveria a holding, e não as unidades individuais.
Na quinta-feira (29) passada, o banco digital do grupo voltado para o cliente de varejo, o PicPay, realizou seu IPO na Nasdaq. O evento contou com Joesley e Wesley Batista e familiares na cerimônia de estreia na Times Square, em Nova York, com a empresa sendo avaliada em US$ 2,5 bilhões na largada.
Mercados de dívida
A nova estrutura da J&F já foi apresentada às agências de classificação de risco.
A S&P Global Ratings e a Fitch Ratings atribuíram à J&F um rating BB+ com perspectiva estável, enquanto a Moody’s Ratings deu à empresa nota Ba1, também com perspectiva estável. As três classificações estão um nível abaixo do grau de investimento alcançado pela JBS.
A J&F também quer melhorar seu perfil de crédito ao apresentar seus resultados em um formato mais padronizado, com divulgações aprimoradas.
A companhia também se prepara para uma eventual janela de emissão, disse Storchi.
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“A empresa também quer alongar os vencimentos da dívida e vai avaliar as melhores opções de emissão”, disse Ramos Filho, que acrescentou que a J&F planeja acessar tanto os mercados de dívida locais quanto internacionais.
Embora a JBS permaneça separada da holding, o status de grau de investimento da maior empresa de processamento de carnes do mundo — juntamente com sua escala, geração de caixa e longa relação com o mercado — também servirá como um ponto de referência para investidores e agências de classificação de risco na avaliação do perfil de crédito da J&F.
O CEO da holding afirmou que a empresa não está em busca de aquisições específicas no momento, mas que “a ideia é estar pronta para qualquer grande oportunidade que possa surgir”.
Em outubro passado, a Ambar concordou em adquirir uma fatia da Eletronuclear que pertencia à Axia Energia (ex-Eletrobrás) por R$ 535 milhões.
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