CSN Mineração corta produção de minério de ferro com disparada do frete

Empresa vai reduzir a produção na planta de processamento a seco do Complexo Pires e citou o ‘cenário mercadológico mais apertado’

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Bloomberg — A CSN Mineração (CMIN3) decidiu reduzir a produção de minério de ferro de menor teor diante da disparada dos custos de transporte marítimo, que pressiona as margens das produtoras brasileiras.

A empresa vai reduzir a produção na planta de processamento a seco do Complexo Pires e citou o “cenário mercadológico mais apertado” e “pressionado pela alta do custo de frete” ao revisar para baixo a projeção de produção para o ano, divulgada nesta terça-feira (29).

“Essa medida pode ser revertida a qualquer momento, sem maiores consequências, mas desde que as condições de mercado garantam margens melhores para esse tipo de minério”, afirmou em comunicado a subsidiária da CSN, conhecida como CMIN.

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A decisão inclui a CSN em uma lista crescente de mineradoras brasileiras que reduzem a produção da matéria-prima usada na fabricação de aço, diante da disparada dos custos de transporte para a China, maior importadora mundial, que prejudica a viabilidade econômica do minério de menor valor.

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A Usiminas (USIM5) suspendeu temporariamente as operações na planta de Samambaia no início deste mês, enquanto a Itaminas Comércio de Minérios SA anunciou um plano para paralisar, em outubro, uma planta de processamento a úmido com capacidade de 200 mil toneladas por mês. A CMIN é a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, atrás da Vale.

Ações da CSN Mineração (CMIN3)

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Os fretes marítimos dispararam desde que a guerra no Irã afetou os fluxos comerciais, elevando os custos de combustível e reduzindo a disponibilidade de navios. A demanda mais forte por transporte de minério de ferro também tem pressionado os fretes.

O custo da rota C3 de navios Capesize do Baltic Exchange, entre Brasil e China, mais que dobrou em relação ao ano anterior, enquanto os preços de referência do minério de ferro permaneceram abaixo de US$ 100 por tonelada durante boa parte do período, exercendo pressão especialmente sobre o minério de menor teor.

Com os custos de frete elevados e os descontos por qualidade ainda amplos, parte do portfólio da CMIN deixou de ser fazer sentido econômico, o que evidencia a sensibilidade da empresa aos custos de transporte marítimo e aos preços de referência do minério de ferro, afirmou o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, em nota a clientes. A geração de caixa também sofre pressão dos gastos com o projeto de expansão P15 e da amortização de pagamentos antecipados, acrescentou.

As ações da CSN (CSNA3) caíram 9,85% na terça-feira, depois de recuarem até 12% no início da sessão, a maior queda intradiária desde 12 de março. A CSN Mineração recuou 5,74%.

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