Bilionário do setor de armas investe US$ 434 mi na indústria espacial de olho em defesa

Michal Strnad, magnata tcheco do setor de armas, deu um passo importante na indústria espacial ao adquirir uma participação de 9,5% na MDA Space, reforçando a estratégia da CSG, empresa de defesa de Strnad, de expandir suas operações em áreas de tecnologia e defesa espacial

MDA Space
Por Michal Kubala - Andrea Dudik
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Bloomberg — O magnata tcheco do setor de armas, Michal Strnad, deu seu maior passo até o momento na indústria espacial.

A empresa de defesa que ele controla, a CSG, adquiriu uma participação de 9,5% na MDA Space, acelerando sua entrada em um setor que, segundo o bilionário, é “uma das áreas de defesa que mais crescem”.

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A participação, avaliada em US$ 434 milhões com base no preço de fechamento das ações da MDA Space na segunda-feira (12), torna a CSG a maior acionista da empresa canadense de robótica espacial e sistemas de satélites.


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“Se quisermos ser um grupo global de defesa e tecnologia, precisamos estar no espaço”, afirmou Strnad em mensagem enviada por e-mail à Bloomberg News. “Se fizermos isso da maneira certa, em poucos anos isso poderá se tornar uma parte importante das receitas da CSG.”

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(Fonte: CSG)

O comunicado que anunciou a aquisição não divulgou os termos do negócio. A MDA Space, que está listada nas bolsas de Toronto e Nova York, possui um valor de mercado de cerca de US$ 4,6 bilhões.

O investimento marca um avanço significativo da CSG em um setor no qual, até agora, a empresa havia apenas se aventurado com pequenas participações em empresas espaciais em estágio inicial por meio do Tech Horizons, um fundo do qual é cofundadora.

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A empresa também montou uma equipe dedicada ao setor, prevendo que a economia espacial global quase triplique, atingindo cerca de US$ 1,8 trilhão até 2035.

“Construir tudo do zero levaria muito tempo”, afirmou Strnad. “Até mesmo a SpaceX e a Rocket Lab precisaram de mais de uma década.”

A aquisição ocorreu no momento em que a CSG trabalha na expansão de suas operações na América do Norte, com o magnata de 34 anos observando que espera que seus negócios nos EUA “cresçam significativamente”.

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A empresa planeja aumentar a capacidade de produção de munição de grande calibre nos EUA, estabelecer e, posteriormente, expandir a produção local de sistemas de propulsão para drones e mísseis, além de buscar um papel mais significativo nos programas de modernização do Exército americano.

“Não queremos estar nos Estados Unidos apenas como fornecedores”, afirmou Strnad. “Queremos fabricar lá, empregar pessoas lá e nos tornar uma parte mais importante da base industrial de defesa dos EUA.”

A CSG também vê potencial para investir, em parceria com a MDA Space, em instalações de fabricação ou montagem na Europa, unindo forças em aquisições e apoiando a expansão internacional da empresa canadense.

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“Uma parceria para desenvolver uma maior presença internacional seria mutuamente benéfica”, afirmou Jefferies sobre o acordo, observando que “a MDA continua fortemente focada no mercado canadense”.

Para a CSG, as munições continuam sendo seu principal negócio por enquanto, e Strnad espera que a empresa dê um “grande passo à frente” em 2027 no sentido de controlar uma parcela maior dessa cadeia de suprimentos.

Os projetos incluem a produção de TNT na Grécia e a produção de nitrocelulose — um insumo essencial para munições — e nitroglicerina, ambas na Alemanha, afirmou ele.

As ações da CSG caíram 3,5% na terça-feira (13), apresentando desempenho inferior ao índice europeu de ações do setor aeroespacial e de defesa.

O investimento na MDA Space poderia ajudar a CSG a dissipar as preocupações de alguns investidores de que a empresa continua excessivamente focada em equipamentos militares tradicionais e carece de exposição a áreas como drones e tecnologias avançadas, segundo Pavel Ryska, analista de ações do J&T Banka, em Praga.

“À primeira vista, a entrada da CSG no setor espacial pode parecer surpreendente, considerando que o núcleo de seus negócios consiste em produtos para forças terrestres”, afirmou Ryska. “Ainda assim, a CSG não esconde sua ambição de se tornar uma fabricante global diversificada no setor de defesa. Buscar esse objetivo implica, inevitavelmente, a expansão para sistemas aéreos e, potencialmente, espaciais.”

O analista da Wood & Company, Atinc Ozkan, afirmou que, embora o investimento proporcione à CSG exposição a uma área cada vez mais importante da defesa, a falta de controle e as “sinergias incertas” com seus negócios existentes tornam o negócio mais difícil de justificar.

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“Teríamos preferido que a administração alocasse capital para aquisições ou expansão de capacidade dentro de suas áreas de especialização existentes”, disse Ozkan. “Observamos também que a CSG está cada vez mais aplicando capital em setores adjacentes de alta tecnologia — como a joint venture com a Aselsan em sistemas de defesa aérea e de combate a drones — por meio de participações minoritárias, em vez de aquisições diretas.”

A CSG, que vendeu ações em janeiro na maior oferta pública inicial (IPO) de uma empresa especializada exclusivamente em defesa, também está trabalhando em aquisições “menores” envolvendo componentes para munições de grande calibre, afirmou Strnad, sem dar mais detalhes.

A incursão em novos negócios ocorre também no momento em que a CSG amplia sua capacidade para atender à crescente demanda europeia por armas e munições, com Strnad afirmando que o aumento nos gastos militares se estenderá além do atual impulso de rearmamento.

“O que acho que às vezes é subestimado é a duração desse ciclo”, disse ele. “Os países europeus se comprometeram a aumentar os gastos com defesa por muitos anos, não apenas para um orçamento.”

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