Bloomberg Línea — Setembro foi um mês difícil para o mercado de títulos, com o Federal Reserve dos Estados Unidos (Fed) elevando sua taxa de política monetária e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano ultrapassando 5,2% e atingindo níveis que não eram observados desde 2007.
Nesse contexto, a grande maioria dos títulos latino-americanos teve um mês negativo e o risco-país dos países com maiores rendimentos subiu significativamente, com exceção da Venezuela.
Como ficou o risco-país em cada país da América Latina?
Eis como se apresentava o risco-país na América Latina no final de setembro:
| País | Risco-país | Variação |
|---|---|---|
| Venezuela | 4,534 | -1,855 |
| Argentina | 606 | +92 |
| Equador | 488 | +78 |
| Bolívia | 483 | +87 |
| El Salvador | 273 | +2 |
| Colômbia | 226 | +37 |
| México | 213 | +17 |
| República Dominicana | 176 | +18 |
| Brasil | 171 | -3 |
| Honduras | 166 | +17 |
| Costa Rica | 137 | +10 |
| Panamá | 134 | +15 |
| Guatemala | 124 | +14 |
| Paraguai | 115 | +8 |
| Peru | 113 | +7 |
| Chile | 96 | +9 |
| Uruguai | 78 | +13 |
Argentina
Um caso emblemático foi o da Argentina, onde o Índice de Títulos de Mercados Emergentes (EMBI, mais conhecido como risco-país) subiu de 514 pontos no final de agosto para 606 em 30 de setembro. O indicador havia atingido uma mínima de 405 pontos em meados de julho e, em seguida, começou a subir.
Os analistas financeiros concordam que esse salto de mais de 200 pontos em menos de dois meses foi influenciado por um contexto internacional adverso, mas também pelo próprio risco argentino:
“A dívida soberana argentina apresentou fraqueza desde agosto, inicialmente devido a fatores específicos associados ao risco eleitoral e, posteriormente, à onda de vendas de títulos soberanos de mercados emergentes ocorrida em setembro”, detalha um relatório da consultoria Delphos Investment.
Bolívia e Equador
A Bolívia e o Equador, os dois países com os maiores rendimentos da região depois da Venezuela e da Argentina, também sofreram com os ventos contrários no cenário internacional.
No caso da Bolívia, o risco-país subiu de 396 pontos (em 31 de agosto) para 483 unidades. Já no Equador, o aumento foi de 410 para 488.
Todas essas oscilações ocorreram em meio a uma queda de 3,7% do ETF que acompanha títulos de alto rendimento de mercados emergentes (o EMHY).
Venezuela e Brasil
A Venezuela foi o único país de alto rendimento cujo EMBI sofreu uma queda acentuada em setembro, passando de 6.389 para 4.534. No entanto, trata-se de um caso diferente: com títulos em default desde 2017, desde a queda de Nicolás Maduro no início de 2026, os fatores que influenciam a Venezuela estão muito mais ligados a notícias positivas relacionadas a acordos petrolíferos.
Fora da Venezuela, houve apenas um país em que o EMBI não cresceu em setembro: o Brasil, onde se observou uma queda marginal de 3 pontos-base.
O Brasil também vem ganhando uma dinâmica própria nos últimos dias, já que o que mais importa agora é o resultado das eleições de 4 de outubro de 2026.
O que o EMBI mede?
O Índice de Títulos de Mercados Emergentes, elaborado pelo JPMorgan, mede o diferencial de rendimento que os títulos soberanos dos mercados emergentes pagam em relação aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Esse diferencial é expresso em pontos-base e costuma ser utilizado como referência para o risco que o mercado atribui à dívida de um país.
Quanto maior for o EMBI, maior será o rendimento que os investidores exigem para manter títulos desse país em vez da dívida dos Estados Unidos, considerada de menor risco de crédito. Por isso, no mercado, ele é comumente conhecido como “risco-país”: um aumento do indicador implica um aumento do prêmio que os investidores exigem para financiar o Estado.