Queda de braço entre bancos centrais e operadores e outros eventos que movem os mercados

Ante a resistência das autoridades monetárias em relaxar a luta contra a inflação, os investidores moderam o otimismo que, há alguns meses, impulsionou um rali nas bolsas

Estes são os eventos que orientam os investidores e movem os mercados hoje
17 de Janeiro, 2024 | 06:55 AM

Barcelona, Espanha — Enquanto autoridades de bancos centrais de primeira linha se opõem à tese de cortes agressivos dos juros, os operadores desmontam posições em bolsa para calibrar suas expectativas.

🗣️ Em uníssono. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou hoje que as apostas agressivas em reduções de juros não ajudam os formuladores de políticas na batalha para conter a inflação. À Bloomberg News, ela disse ser “provável” que o BCE reduza taxas no verão europeu, a depender dos dados macroeconômicos e da dissipação de “incertezas” que ainda rondam as economias. Ontem, Christopher Waller, membro do conselho do Federal Reserve (Fed), pediu cautela quanto ao ritmo dos cortes nas taxas.

🚶‍♂️Volta atrás. A precificação do mercado de swaps para um corte nas taxas do Fed em março caiu para cerca de 65%, contra 80% na sexta-feira. Ao mesmo tempo, no mercado se reduzem as apostas sobre o momento do primeiro corte de 0,25 ponto percentual pelo BCE: de abril, passou para junho.

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⏸️ Salvos pelo gongo. A China atingiu sua meta econômica para 2023 com o aumento da produção industrial e dos investimentos na reta final do ano. O mercado foca, agora, nas medidas que o governo adotará para apoiar o crescimento no futuro. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,2% no ano passado, em linha com os cálculos dos economistas entrevistados pela Bloomberg. A meta oficial de Pequim era de “cerca de 5%”

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📳 Caminho livre. A Itália autorizou a venda de €22 bilhões da rede de telefonia fixa da Telecom Italia, controladora da TIM Brasil, para a empresa de private equity KKR. As ações da operadora, considerada um ativo estratégico para o Estado, chegaram a subir 3% em Milão, dando à empresa um valor de mercado de €6,3 bilhões

🛢️ Petróleo volta a ceder. O fortalecimento do dólar americano e um cenário de risco mais abrangente contrabalançam as preocupações com a escalada das tensões no Oriente Médio, incluindo os contínuos ataques a navios no Mar Vermelho pelos rebeldes Houthi apoiados pelo Irã.

🔙 Visita indesejada. A inflação do Reino Unido aumentou inesperadamente pela primeira vez em 10 meses, levando os investidores a reduzir suas expectativas de cortes nas taxas do Banco da Inglaterra este ano. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 4% frente a dezembro, em comparação com uma alta mensal de 3,9% na última leitura, informou o Escritório de Estatísticas Nacionais na quarta-feira. Os economistas esperavam uma ligeira queda para 3,8%.

📈 O vaivém dos ativos. Queda generalizada nos mercados. Os contratos futuros de índices dos EUA operavam em queda. Na Europa, as bolsas se dirigiam pelo mesmo caminho. No encerramento do mercado acionário da Ásia, os índices terminaram todos em baixa.

Os contratos de ouro recuavam, assim como os do petróleo. Entre as divisas, o euro se depreciava frente ao dólar. O bitcoin se desvalorizava.

(Com informações de Bloomberg News)

🗓️ AGENDA: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Os mercados esta manhã
🔘 As bolsas ontem (16/01): Dow Jones Industrials (-0,62%), S&P 500 (-0,37%), Nasdaq Composite (-0,19%), Stoxx 600 (-0,24%), Ibovespa (-1,69%)
Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.