Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) registrou seu oitavo recorde do ano nesta quarta-feira (28), ainda impulsionado pelo fluxo massivo de capital estrangeiro, com os papéis com maior volume de negociação na liderança dos ganhos do dia.
Foi também o sexto recorde de fechamento nos últimos sete pregões.
Investidores repercutiram ainda expectativas e decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil, em dia conhecido no mercado como Super Quarta, além de declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sobre o dólar.
O principal índice da B3 subiu 1,52%, aos 184.691 pontos. No acumulado de 2026, os ganhos chegam a 14,63%.

O principal impulso positivo veio das ações da Vale (VALE3), que subiram 2,44%, depois que a empresa divulgou na noite da véspera (28) que registrou a maior produção de minério de ferro desde 2019.
A Vale entregou 336,1 milhões de toneladas métricas de minério de ferro em 2025 e superou as projeções de produção estabelecidos no início do ano passado para ferro, cobre e níquel.
Em nota, o Citi afirmou que os resultados “representam um fim de ano forte para a Vale, com a produção anual acima em todas as frentes”.
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“Com base nesses números, esperamos revisões positivas de cerca de 2% no Ebitda consensual do 4T25”, escreveram os analistas.
Outras blue chips também tiveram altas expressivas que ajudaram a dar impulso ao Ibovespa, como Petrobras (PETR4), com ganho de 3,35%; Itaú Unibanco (ITU4), com 2,25%; e Bradesco (BBDC4), com 1,35%.
Em variação, a maior alta foi a ação da Raízen (RAIZ4), que disparou exatos 20% com a notícia de um possível aumento de capital entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo.
Super Quarta
No cenário macroeconômico, investidores reagiram à divulgação da manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos, em linha com o esperado.
O presidente do Fed, Jerome Powell, se absteve de sinalizar qualquer retomada do ciclo de cortes no curto prazo, indicando que a economia permanece sólida.
Pouco após o fechamento do mercado, o Comitê de Política do Banco Central (Copom) também divulgou sua decisão para a Selic. A taxa básica de juros foi mantida em 15% ao ano, mas o BC sinalizou o início do aguardado ciclo de corte de juros para a próxima reunião, nos dias 17 e 18 de março.
O dólar, por sua vez, ficou estável após forte queda da véspera, diante da alta da moeda no exterior, em reação a novas declarações do governo Trump.
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Desta vez, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos “absolutamente não” irão intervir no iene - nos últimos dias, uma ala crescente de investidores passou a temer que o governo americano esteja trabalhando para desvalorizar o dólar frente a importantes parceiros comerciais.
“Os EUA sempre têm uma política de dólar forte”, disse Bessent em uma entrevista à CNBC.
“Mas uma política de dólar forte significa estabelecer os fundamentos corretos”, disse ele. “Se tivermos políticas sólidas, o dinheiro fluirá para cá.”
Na véspera, Trump havia declarado que não se importava com a queda do dólar, o que ajudou a exacerbar o movimento de desvalorização da moeda.
“Todo mundo ficou vendido [em dólar] nos últimos dois ou três dias. Os comentários de Bessent de que o Tesouro dos EUA não iriam intervir no iene viraram o jogo, e agora, com um Fed estável, vimos um pouco mais de short squeeze”, disse Chris Turner, estrategista de câmbio do ING Financial Markets, à Bloomberg News sobre a dinâmica do dólar global que afetou emergentes.
-- Com informações da Bloomberg News.
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