De FAANG a MANGOS: Wall Street cria novo grupo de ações com boom de IA

A euforia em torno da inteligência artificial e a abertura de capital da SpaceX impulsionaram um novo grupo de empresas que já atrai produtos de investimento criados para aproveitar o crescimento do setor

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Bloomberg Línea — Wall Street pode estar lançando uma nova sigla para identificar as empresas que concentram as maiores expectativas de crescimento relacionadas à inteligência artificial (IA).

O conceito começou a ganhar visibilidade em meio à euforia pós-abertura de capital da SpaceX (SPCX) na semana passada e que se estendeu ao setor de fundos negociados em bolsa (ETFs).

Após anos de domínio das FAANG — sigla usada para agrupar a Meta (META), a Amazon (AMZN), a Apple (AAPL), Netflix (NFLX) e Alphabet (GOOGL), e, mais recentemente, das chamadas “Sete Magníficas” — nome com o qual o mercado identifica a Apple, a Microsoft (MSFT), Nvidia (NVDA), Amazon, Alphabet, Meta e Tesla (TSLA), duas gestoras apresentaram à Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos (SEC) propostas para lançar fundos negociados em bolsa vinculados a um grupo batizado de MANGOS.

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O termo abrange a Meta, a Anthropic, a Nvidia, o Google, a OpenAI e a SpaceX. A denominação surgiu nos mercados paralelamente ao crescente interesse pela inteligência artificial (IA) e deu mais um passo adiante depois que a Corgi Strategies e a Yorkville America registraram produtos de investimento baseados nesse conceito.

A principal novidade em relação às referências anteriores é que o grupo reúne empresas de tecnologia de capital aberto e empresas privadas que estão entre as principais no desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

Enquanto a Meta, a Nvidia e a Alphabet já fazem parte do mercado de ações dos Estados Unidos há anos, a SpaceX abriu o capital na semana passada, e a OpenAI e a Anthropic continuam sendo empresas privadas, embora estejam a caminho de abrir o capital ainda este ano.

Eric Balchunas, analista da Bloomberg Intelligence, destacou que há um “novo alerta de acrônimo em Wall Street” e ressaltou a apresentação da Corgi e da Yorkville. “Antes de rir, o ETF ‘Magnificent 7’ da Roundhill (que, literalmente, detém apenas essas sete ações) tem US$ 3.600 milhões”, destacou o analista.

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‘MANGOS’ em Wall Street

A documentação apresentada à SEC mostra diferenças entre as duas propostas. Embora os três fundos tenham como base o mesmo fenômeno de mercado, suas estratégias não são idênticas. O ETF Corgi MANGOS busca concentrar a exposição nas seis empresas que dão nome à sigla (Meta, Anthropic, Nvidia, Google, OpenAI e SpaceX).

Por sua vez, a Yorkville registrou dois ETFs baseados na estratégia MANGO Plus. O primeiro busca exposição a um grupo de empresas ligadas à inteligência artificial e a uma cesta adicional de empresas de semicondutores e infraestrutura tecnológica, entre elas a AMD (AMD), a Broadcom (AVGO), Intel (INTC), Marvell (MRVL), Micron (MU), SanDisk (SNDK) e Dell Technologies (DELL).

O segundo segue essa mesma filosofia de investimento, mas com uma estratégia concebida para gerar receitas adicionais para os investidores. Em ambos os casos, a proposta da Yorkville não inclui a SpaceX no grupo principal de empresas que dão origem à sigla MANGO, uma das principais diferenças em relação ao ETF registrado pela Corgi.

Um dos aspectos mais chamativos é que os fundos preveem mecanismos para obter exposição econômica a empresas que ainda não abriram o capital.

O prospecto da Corgi indica que ela poderá utilizar veículos de propósito específico (SPV), investimentos privados e derivativos para investir em empresas como a OpenAI ou a Anthropic, enquanto a Yorkville também prevê o uso de instrumentos derivativos para construir parte da carteira.

O surgimento desses produtos reflete como a inteligência artificial está mudando a forma como os investidores classificam as oportunidades de crescimento.

Se as FAANG representavam a expansão da internet, das redes sociais e do consumo digital, o MANGOS busca identificar as empresas que ocupam posições estratégicas na cadeia de valor da IA, desde os chips e a capacidade de computação até os modelos fundamentais e as plataformas de distribuição.

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Veículo de investimento?

O mercado ainda debate se a sigla representa uma categoria de investimento consolidada ou uma narrativa impulsionada pelo entusiasmo em torno do setor.

Emanoelle Santos, analista de mercados da XTB, destacou que “o MANGOS reúne empresas que ocupam posições centrais na cadeia de valor da inteligência artificial, desde chips e capacidade de computação até modelos fundamentais, distribuição, plataformas digitais e infraestrutura espacial”.

A analista destaca que o conceito combina empresas de capital aberto e lucrativas, como Meta, Nvidia e Alphabet, com empresas privadas ou que entraram recentemente no mercado, as quais apresentam perfis muito distintos em termos de liquidez, governança, geração de caixa e avaliação.

Essa diferença é especialmente relevante porque a OpenAI, a Anthropic e a SpaceX concentram parte das maiores expectativas de crescimento associadas à inteligência artificial, mas, para Santos, ainda é cedo para colocá-las no mesmo nível das grandes empresas de tecnologia já consolidadas

“A SpaceX, a OpenAI e a Anthropic podem se tornar novos líderes no mercado de ações se transformarem sua vantagem tecnológica em receitas recorrentes, margens sustentáveis e retornos atraentes sobre o capital investido”, afirmou a analista.

Por enquanto, MANGOS continua sendo um conceito emergente. A evolução dos registros junto à SEC, o eventual lançamento dos ETFs e o desempenho de empresas como OpenAI, Anthropic e SpaceX serão algumas das variáveis que determinarão se o mercado adotará essa nova sigla com a mesma força com que, em seu tempo, abraçou as FAANG e, mais tarde, as Sete Magníficas.

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