Da inflação nos EUA a indicadores fracos da China: os eventos que movem os mercados

O desempenho do PCE será acompanhado pelos operadores e pode agitar as apostas sobre o rumo dos juros nos EUA, enquanto a atividade na China continua fragilizada

Estes são os eventos que orientam os investidores e movem os mercados hoje
Por Bianca Ribeiro e Michelly Teixeira
30 de Novembro, 2023 | 06:35 AM

Barcelona, Espanha — A atenção dos mercados estará no índice deflator (PCE) de outubro, que retrata o consumo pessoal doméstico dos Estados Unidos e é monitorado com especial atenção pelo Federal Reserve (Fed). De todo modo, o pregão derradeiro de novembro sustenta a confiança entre os investidores de que a era dos juros altos está a caminho de ser revertida tanto nos Estados Unidos quanto em outras economias avançadas.

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🧧 Sem pulso. O otimismo não se aplica, no entanto, ao mercado da China, onde a preocupação com os indicadores fracos e a crise imobiliária continuam. A atividade dos setores industrial e de serviços do país diminuiu em novembro, levando o PMI de manufatura ao segundo mês de contração, situado em 49,4, e o de serviços e construção a um declínio inesperado para 50,2, na linha divisória entre retração e expansão.

💪🏻 Lucro forte. As ações da Salesforce se destacavam positivamente nas negociações prévias à abertura das bolsas nos EUA (+8%) após a gigante de software fazer uma previsão de lucro para o trimestre corrente de US$ 2,26 por ação, acima da média projetada pelo mercado (US$ 2,17). A empresa mostra resultados após uma campanha de demissões que eliminou 11% da força de trabalho até outubro.

🤖 Com Microsoft. Além de se reintegrar oficialmente como CEO da OpenAI duas semanas após uma inesperada demissão, Sam Altman avisou nesta quarta-feira (29) que o conselho de administração provisório, composto por Bret Taylor, Larry Summers e Adam D’Angelo, inclui agora a Microsoft, maior investidora da empresa. Altman disse que um novo conselho permanente será selecionado pelos atuais integrantes “rapidamente” e será “significativamente ampliado” em relação ao número atual.

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👷 Campanha sindical. Depois de conseguir aumento salarial de 25% para os trabalhadores da GM, Ford, Stellantis no mês passado, o sindicato norte-americano United Auto Workers (UAW) trabalha para duplicar o número de trabalhadores no sindicato. Campanhas simultâneas pretendem organizar cerca de 150 mil trabalhadores em 13 montadoras, incluindo Toyota, Volkswagen e Tesla.

💡 Sem acordo. A Origin Energy rejeitou uma oferta revisada da canadense Brookfield Asset Management e da norte-americana EIG Global Energy Partners para adquirir seu principal negócio de energia pelo equivalente a US$ 12,6 bilhões. A empresa australiana considerou a proposta “incompleta, complexa e altamente condicional”, devendo ser rejeitada pelos acionistas em votação na próxima segunda-feira.

📺 Passo atrás. O CEO da Walt Disney Bob Iger desistiu de vender seus tradicionais canais de TV ABC e FX, revertendo sinais nesse sentido feitos em julho. A chefe de TV Dana Walden disse que redes como a ABC e o serviço de streaming Hulu podem trabalhar juntas para criar um público mais amplo.

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📈 O vaivém dos ativos. Os contratos futuros de índices dos EUA operavam com valorização, assim como as bolsas europeias. Na Ásia, o fechamento foi majoritariamente positivo. Em outros mercados, o prêmio de risco do título de 10 anos dos EUA, em baixa, era de 4,275%. No mercado cambial, o euro, a libra e o iene se depreciavam frente ao dólar. O ouro operava em baixa, enquanto os contratos de petróleo bruto WTI subiam, cotados ao redor de US$78 por barril.

(Com informações de Bloomberg News)

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Os mercados esta manhãdfd

🟢 As bolsas ontem (29/11): Dow Jones Industrials (+0,04%), S&P 500 (-0,09%), Nasdaq Composite (-0,16%), Stoxx 600 (+0,45%), Ibovespa (-0,29%)

Os mercados acionários dos EUA tiveram uma sessão volátil, em que os investidores avaliaram as condições para um provável fim do ciclo de aumento de juros pelo Fed. Enquanto o Livro Bege trouxe sinais de desaceleração nas últimas semanas, o crescimento do PIB dos EUA mostrou no terceiro trimestre o maior ritmo em quase dois anos.

Na Agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Índice de Preços-PCE/Out, Renda e Gastos Pessoais/Out, Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego, PMI de Chicago/Nov, Vendas Pendentes de Moradias/Out

Europa: Zona do Euro (IPC/Nov, Taxa de Desemprego/Out); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis-Nationwide); Alemanha (Taxa de Desemprego/Nov, Preços de Bens Importados/Out, Vendas no Varejo/Out); França (PIB/3T23, IPC/Nov, IPP/Out, Gasto dos Consumidores/Out); Itália (IPC/Nov, Taxa de Desemprego/Out); Espanha (Transações Correntes/Set); Portugal (PIB/3T23, IPC/Nov)

Ásia: Japão (Índice da Confiança Entre as Famílias/Nov, Construção de Novas Casas/Out, Taxa de Desemprego/Out, PMI Industrial/Nov); China (PMI Industrial-Caixin/Nov)

América Latina: Brasil (Reunião do CMN, Taxa de Desemprego); México (Taxa de Desemprego/Out, Balanço Fiscal/Out)

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Bancos centrais: Discurso de John Williams (Fed) e Joachim Nagel (Bundesbank)

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Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Jornalista especializada em economia e finanças, com passagem por redações e veículos focados em economia, como Valor Econômico, Agência Estado e Folha de S.Paulo.

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 13 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e fez um mestrado em Digital Business na ESADE.