Trump afirma que eleição no Brasil pareceu ‘fraudada’, mas que se dá ‘muito bem’ com Lula

Questionado por jornalistas, presidente americano afirmou que achou a aparência da eleição ‘muito ruim’, na forma como foi apurada; ele não respondeu se tomaria alguma medida

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Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o segundo turno da eleição no Brasil pareceu “fraudado”, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu uma impressionante vitória de virada sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL).

“Pareceu mais uma eleição fraudada”, disse Trump a repórteres na segunda-feira (26) quando questionado sobre o resultado. Ele citou uma decisão judicial brasileira de estender o horário de votação na eleição.

“Eu só acho que teve uma aparência muito ruim, a eleição, a forma como foi apurada”, acrescentou Trump. “A prorrogação concedida foi muito estranha.”

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Trump desviou de uma pergunta sobre se tomaria alguma medida em resposta, dizendo que se dá “muito bem” com Lula.

Ainda assim, suas declarações inseriram o presidente americano em uma das eleições mais disputadas da história brasileira, entre dois adversários ideológicos que travaram uma campanha acirrada que ressaltou a profunda polarização política do país.

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Flávio Bolsonaro chegou a pedir a anulação do segundo turno, alegando que o Supremo Tribunal Federal do Brasil mudou as regras da disputa no meio do caminho ao estender o horário de votação no domingo.

Esse apelo ecoou a própria resposta de seu pai a uma derrota eleitoral quatro anos atrás. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram prédios do governo numa tentativa de reverter sua derrota de 2022. Ele foi posteriormente condenado por tramar um golpe.

Flávio Bolsonaro disse num vídeo em rede social na segunda-feira que foi notificado pela Polícia Federal com uma ordem para entregar seus passaportes e que está proibido de deixar o país. Ele atribuiu isso a uma ordem do Supremo Tribunal Federal baseada numa declaração de seu irmão Eduardo de que ele deveria deixar o país caso perdesse a eleição.

A improvável vitória eleitoral de Lula desferiu um golpe em Trump no cenário internacional a apenas uma semana de seu próprio Partido Republicano enfrentar desafiadoras eleições legislativas nos Estados Unidos.

Se tivesse sido bem-sucedido, Flávio Bolsonaro, um conservador com uma marca de populismo com tons trumpistas, estava a postos para levar a maior economia da América Latina à direita e se tornar um poderoso aliado de Washington no momento em que os Estados Unidos buscam reafirmar sua primazia na região.

As relações de Trump com o Brasil e com Lula foram tensas durante o segundo mandato do presidente americano — com os Bolsonaro frequentemente no centro dessas tensões. Trump impôs tarifas ao país numa tentativa malsucedida de ajudar Jair Bolsonaro a escapar de sua condenação.

Lula havia conseguido melhorar os laços com Trump após as tarifas mais altas, um esforço impulsionado por uma reunião improvisada entre os dois à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2025. Ainda assim, o líder brasileiro era o rosto da oposição de esquerda na região à agenda global de Trump. O Brasil está entre os últimos a resistir à chamada Doutrina Donroe de Trump para o Hemisfério Ocidental.

-- Com a colaboração de Skylar Woodhouse e John Harney.

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