Bloomberg — O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, propôs elevar o imposto sobre propriedades na cidade pela primeira vez em mais de duas décadas e estuda utilizar recursos dos fundos de reserva municipais para cobrir um déficit orçamentário de cerca de US$ 5 bilhões.
“Ele colocou sobre a mesa uma opção bastante extrema, que combina aumento do imposto sobre imóveis com uso das reservas e ainda se apoia em projeções de receita bastante agressivas”, afirmou o controlador da cidade de Nova York, Mark Levine, que é responsável por supervisionar as finanças municipais.
A proposta de Mamdani, que será apresentada na tarde desta terça-feira (17) como parte de sua proposta preliminar de orçamento, surge um dia após a governadora Kathy Hochul anunciar que o estado de Nova York destinará US$ 1,5 bilhão adicionais à cidade no atual exercício fiscal e no próximo.
Ela também incluirá US$ 510 milhões para os anos seguintes — uma concessão destinada a ajudar a enfrentar os problemas fiscais da cidade.
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Mamdani declarou no mês passado que a cidade enfrentava um déficit extraordinário de US$ 12,6 bilhões em dois anos, atribuindo o rombo à subestimativa de despesas pela administração do ex-prefeito Eric Adams, incluindo assistência em dinheiro, auxílio-aluguel para moradores em situação de rua, educação especial e gastos com horas extras.
Mamdani argumentou que o estado deveria liberar bilhões adicionais em recursos e pressionou Hochul a aumentar impostos sobre empresas e residentes de alta renda, medida à qual ela resistiu.
Steve Fulop, presidente da Partnership for New York City, grupo empresarial de defesa de interesses corporativos, afirmou que a pressão por aumento de impostos prejudicará a competitividade da cidade, à medida que empresas buscam se transferir para regiões com menor carga tributária.
“Sei, de fato, que várias estão avaliando tanto a transferência de empregos quanto, evidentemente, a expansão em outras localidades”, disse.
Hochul afirmou que a decisão de elevar a alíquota do imposto sobre imóveis cabe a Mamdani e ao Conselho Municipal, embora tenha observado que a proposta do prefeito pode sofrer alterações durante as negociações orçamentárias.
“Não apoio um aumento do imposto sobre propriedades”, disse Hochul em um evento de imprensa sem relação com o tema, na terça-feira. “Não sei se isso é necessário, mas vamos entender o que de fato é preciso para que ele feche esse déficit.”
Rombo orçamentário
A própria retórica de Mamdani sobre a dimensão da situação fiscal da cidade mudou. No início deste mês, apenas duas semanas depois de descrever o déficit de US$ 12,6 bilhões como o maior desde a crise financeira de 2008, Mamdani revelou que o rombo havia encolhido em US$ 5 bilhões, graças ao aumento da arrecadação tributária, impulsionado pelo crescimento do imposto de renda da pessoa física e pelos bônus pagos em Wall Street.
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Até mesmo a ameaça de elevar o imposto sobre imóveis pode se tornar um foco de desgaste político para Mamdani, depois de ele ter feito campanha prometendo reformar o sistema, alvo de críticas por sobrecarregar moradores de baixa e média renda.
A última vez que a cidade aumentou as alíquotas do imposto sobre propriedades foi sob o ex-prefeito Michael Bloomberg, no início dos anos 2000. (Bloomberg é fundador e acionista majoritário da Bloomberg LP, controladora da Bloomberg News.)
A cidade arrecadou mais de US$ 33 bilhões com o imposto sobre imóveis no ano fiscal de 2025. Alterar o sistema para torná-lo mais equitativo, reduzindo a carga tributária de alguns proprietários, resultaria em menor receita total para o município, a menos que as alíquotas fossem elevadas para outros contribuintes.
Mamdani enfrenta limitações para aumentar receitas, mas tem competência para definir as alíquotas do imposto sobre propriedades como parte do processo orçamentário anual.
Proprietários de imóveis já devem registrar aumento no valor a pagar após o Departamento de Finanças da cidade informar, no mês passado, que o valor venal total dos imóveis — ou a parcela do valor de mercado sujeita à tributação — avançou 5,6%, para US$ 325,8 bilhões. A prefeitura calcula o imposto multiplicando a alíquota pelo valor venal do imóvel.
-- Com a colaboração de Danielle Muoio Dunn, Nacha Cattan, Michelle Kaske e Elizabeth Campbell.
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