China alerta sobre risco de contágio financeiro com alta de juros e tensão geopolítica

Em encontro da Apec realizado em Hong Kong, o ministro das Finanças chinês defendeu o fortalecimento da cooperação macroeconômica diante da escalada dos custos de financiamento, das preocupações com o endividamento e dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo

Em discurso a autoridades financeiras de economias que representam mais de 60% do PIB mundial, Lan Fo’an destacou a necessidade de preservar a estabilidade regional (Foto: Andy Hung/Bloomberg)
Por Bloomberg News
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Bloomberg — O ministro das Finanças da China abriu uma importante reunião de autoridades da Apec em Hong Kong com uma advertência sobre a incerteza e a turbulência econômica global, apelando a um esforço conjunto para evitar repercussões decorrentes de mudanças nas políticas.

“O cenário internacional está cada vez mais turbulento e complexo, com conflitos geopolíticos se espalhando além das fronteiras e apresentando múltiplos desafios ao crescimento econômico global”, afirmou Lan Fo’an na reunião dos ministros das Finanças da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada na terça-feira (20).

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Embora com poucos detalhes, as breves declarações de Lan transmitiram um tom de cautela em um momento em que a economia mundial está se tornando mais protecionista e sofrendo pressão crescente devido às repercussões da guerra no Oriente Médio. Como pano de fundo, há os rendimentos elevados dos títulos, que estão aumentando os custos de financiamento, enquanto os preços do petróleo agravam as preocupações com a inflação.

“É essencial fortalecer o diálogo sobre políticas macroeconômicas e salvaguardar a estabilidade econômica e financeira regional”, afirmou Lan.


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“As economias de países-membros devem fortalecer a estabilidade e a solidez de suas políticas macroeconômicas. Ao mesmo tempo, devemos fortalecer a comunicação sobre as políticas, a fim de evitar, de forma coordenada, o impacto negativo em cadeia dos ajustes nas políticas.”

Previsão de crescimento do FMI para as economias globais em 2027

As taxas de rendimento dos títulos públicos nos EUA, na Europa e no Japão atingiram recentemente níveis máximos em várias décadas, à medida que a guerra no Irã e o aumento dos preços do petróleo criam riscos para a inflação e a política fiscal.

Questões sobre dívidas excessivas e custos crescentes de financiamento dominaram as discussões nas reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, realizadas na semana passada em Bangcoc, com o FMI alertando que os bancos centrais talvez precisem manter as taxas de juros mais altas por mais tempo para conter a inflação, mesmo que isso agrave a dinâmica da dívida.

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O Banco Popular da China já havia se manifestado abertamente sobre o efeito de contágio da crise dos títulos nas economias avançadas.

Pan Gongsheng, presidente do banco central chinês, afirmou em comunicado na semana passada que o sistema financeiro está se tornando “mais frágil” devido a fatores que incluem “oscilações bruscas” dos títulos públicos em “alguns países”.

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Seu vice, Xuan Changneng, também se pronunciou, argumentando que o recente aumento do que chamou de taxas “livres de risco” nos mercados globais elevou o custo dos empréstimos para os países em desenvolvimento e aumentou seus encargos com o serviço da dívida.

A reunião da Apec reuniu autoridades financeiras de 21 economias, representando mais de 60% do PIB global. Trata-se da primeira vez que Hong Kong sedia o evento e da reunião de maior destaque de formuladores de políticas dos principais mercados dos últimos anos.

Durante seu discurso, Lan também afirmou que os rápidos avanços na inteligência artificial e em outras tecnologias colocam novos motores de crescimento “mais ao nosso alcance”, ao mesmo tempo em que instou as economias-membros a promoverem a cooperação em IA, indústrias de baixo carbono e outros setores. A região deve manter um ambiente econômico aberto e garantir cadeias de abastecimento estáveis e que funcionem sem contratempos, acrescentou ele.

Lan afirmou que o desenvolvimento da China “está intimamente ligado” ao da região da Apec e elogiou amplamente o desempenho econômico de seu país.

Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira mostraram que o crescimento econômico da China no terceiro trimestre superou as expectativas e colocou a economia no caminho certo para atingir a meta anual de Pequim.

“Diante de um ambiente doméstico e internacional complexo e desafiador, a economia chinesa demonstrou notável resiliência e vitalidade”, afirmou Lan.

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