Chefe da COP30 pede que CEOs ignorem Trump e participem do evento no Brasil

André Corrêa do Lago, que lidera a cúpula climática realizada em Belém, convocou o setor privado a mostrar que os compromissos climáticos devem ser cumpridos

André Corrêa do Lago destacou que os ataques às energias renováveis revelam que os interesses das empresas de combustíveis fósseis estão ameaçados pela economia verde.
Por John Ainger
29 de Agosto, 2025 | 03:21 PM

Bloomberg — O chefe da COP30, a cúpula do clima das Nações Unidas, que este ano ocorre no Brasil, pediu aos CEOs que ignorem a retaliação liderada por Donald Trump e compareçam a Belém para intensificar a luta contra o aquecimento global.

Em uma entrevista à Bloomberg News, André Corrêa do Lago, que supervisionará as negociações climáticas da COP30 em novembro, procurou dissipar as preocupações de que as tarifas e a hostilidade do presidente dos EUA relação às fontes de energia sustentável poderiam prejudicar a transição para a energia limpa.

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Corrêa do Lago disse que os recentes ataques às fontes de energia limpa, como a eólica e a solar, mostram que os interesses dos produtores de combustíveis fósseis estão cada vez mais ameaçados pela transição para uma economia mais verde.

“O sucesso dessa agenda é um desafio para algumas empresas e alguns interesses”, afirmou o diplomata, ao convocar o setor privado a participar em massa da cúpula da COP30 para implementar os compromissos assumidos pelos países.

“Essa é a demonstração máxima de que essas políticas funcionaram ou estão funcionando e que, de alguma forma, ameaçam algum interesse significativo.”

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Leia mais: Lula apostou na COP30 em Belém como vitrine global. Mas caos logístico ameaça o plano

A aversão de Trump a políticas progressistas em relação ao clima repercutiu em toda a comunidade empresarial, pois ele interrompeu projetos eólicos, impôs tarifas a países do mundo todo e fez com que os bancos repensassem seus próprios compromissos climáticos por medo de enfrentar uma retaliação.

Diante desse cenário, não está claro quantos executivos viajarão para a conferência climática no Brasil.

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O dilema enfrentado pelas empresas foi exemplificado recentemente quando a maior aliança climática do mundo para bancos suspendeu suas atividades e propôs uma votação sobre o desmantelamento de sua estrutura atual diante de um êxodo de Wall Street que se espalhou globalmente.

Em uma carta publicada na sexta-feira (29), Corrêa do Lago conclamou o setor privado a dar um “passo à frente, e não para trás”, a fim de tornar a transição uma “realidade exponencial”.

Até agora, a preparação para a COP30 tem sido ofuscada por problemas logísticos na cidade amazônica de Belém, já que muitos dos 50.000 participantes esperados enfrentam a falta de acomodações disponíveis e preços extremamente altos.

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Essa é uma questão que os executivos também terão de enfrentar, e muitos podem optar por focar em eventos paralelos que ocorrerão em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Corrêa do Lago disse que os representantes do setor privado enfrentariam menos problemas em Belém, pois provavelmente participariam da cúpula por períodos mais curtos do que os negociadores.

“O elemento que, infelizmente, todo mundo está falando sobre Belém é a dificuldade de acomodação”, disse ele. “Mas queremos apenas dizer claramente que precisamos do setor privado.”

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