Por que Mario Mesquita, do Itaú, vê aumento no PIB potencial do Brasil

Ritmo maior de expansão com inflação moderada aponta que capacidade de crescer do país tem melhorado, segundo o economista-chefe do Itaú

Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco
Por Josue Leonel
15 de Setembro, 2023 | 11:47 AM

Bloomberg — O Brasil está conseguindo mostrar ao mesmo tempo maior crescimento da economia e inflação mais branda, o que sugere uma elevação do PIB potencial do país, disse Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco.

O alívio recente da inflação de serviços, a categoria de preços que mais preocupa o Banco Central, é um sinal de que a “velocidade de cruzeiro” da economia brasileira aumentou, afirma Mesquita, que foi diretor do Banco Central entre 2006 e 2010.

“Não é que a economia vai ficar super dinâmica, pois o país ainda tem desafios a superar, mas parece ser um movimento em uma direção mais benigna.”

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Mesquita apontou a melhora de expectativas observada desde o final do ano passado, quando o mercado mostrava incerteza sobre o rumo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A expectativa no final do ano passado era de um crescimento menor que 1%, mas devemos ter perto de 3%.”

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A discussão sobre o aumento do PIB potencial do país foi reforçada pelo crescimento acima do esperado no segundo trimestre. O dado levou a uma onda de aumento das estimativas do mercado para o desempenho no ano, ao mesmo tempo em que a inflação recentemente passou a ter alívio também nos preços de serviços - os mais sensíveis à política monetária.

O economista estimou o PIB potencial brasileiro ainda entre 1% e 2%, mas agora com maior chance de atingir o limite superior desse intervalo, ao contrário do que ocorria até alguns anos atrás. “Tivemos um período longo de crescimento baixo com inflação que não era tão baixa assim”, afirmaou Mesquita.

Crescimento ainda insuficiente

Mesmo que se confirme o PIB maior neste ano, ainda será pouco, diante da necessária convergência da renda per capita brasileira com o padrão dos países desenvolvidos, avaliou.

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“Ainda precisamos de mais boa notícia, do ponto de vista da velocidade de cruzeiro da economia, para comemorar de verdade.”

Entre os fatores que explicam a visão mais positiva, Mesquita citou a reforma trabalhista aprovada em 2017, que estaria ajudando a reduzir o custo do emprego. Esse seria o motivo de a queda do desemprego não estar pressionando a inflação.

“A gente vê uma economia que está com mercado de trabalho apertado, mas isso não gera pressão inflacionária mais intensa.”

No atual governo, a reforma tributária, que aguarda votação no Congresso, a manutenção da meta de inflação em 3% e o arcabouço fiscal ajudam a reduzir o risco do país, segundo o economista.

O Itaú elevou nesta semana a projeção para o PIB de 2,5% para 2,9% neste ano e de 1,5% para 1,8% em 2024. A projeção maior em 2023 já embute um cenário de desaceleração da atividade no segundo semestre, o que, juntamente com a inflação de serviços menor, pode permitir cortes maiores da Selic no final do ano.

Mesquita prevê manutenção do ritmo de corte da Selic em 0,50 ponto percentual no Copom da próxima semana e em novembro. A dose de queda seria elevada para 0,75 ponto em dezembro — ele prevê a Selic terminal a 9% no próximo ano, dos atuais 13,25% ao ano.

Apesar da melhora de cenário, o economista do Itaú ainda citou o risco fiscal entre os desafios que o país precisa enfrentar. Enquanto o governo tem uma meta de déficit zero para 2024, ele projeta um déficit primário de 0,8% do PIB.

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“No Brasil, como em todo lugar, a classe política não gosta de fazer ajuste fiscal. E, se os mercados estão tranquilos, a classe política vai dando um jeito de postergar o ajuste.”

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