Eleições no Brasil em 2026: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem nas áreas de economia, segurança e energia

Cerca de 158 milhões de brasileiros estão habilitados a votar nas eleições de 4 de outubro

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Bloomberg Línea — As pesquisas eleitorais mais recentes mostram uma disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro para as eleições deste domingo, 4 de outubro, nas quais mais de 158 milhões de brasileiros estão habilitados a votar.

As pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram diferenças que, em vários casos, estão dentro das margens de erro.

A eleição não definirá apenas quem ocupará a Presidência nos próximos quatro anos. Ela também colocará frente a frente duas propostas diferentes sobre o papel do Estado, a segurança, a política fiscal e o desenvolvimento energético do país.

O Brasil chega a essas eleições após uma série de eleições na América Latina nas quais candidatos e partidos de direita ou de centro-direita obtiveram vitórias.

Este ano, Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, em 21 de junho, enquanto Keiko Fujimori foi eleita presidente do Peru no segundo turno, em 7 de junho. Na Costa Rica, Laura Fernández venceu as eleições presidenciais no primeiro turno, em 1º de fevereiro.

Em 2025, José Antonio Kast venceu o segundo turno das eleições presidenciais no Chile, Daniel Noboa foi reeleito no Equador, Rodrigo Paz venceu o segundo turno na Bolívia e Nasry Asfura foi declarado presidente eleito de Honduras.

Flávio Bolsonaro é o herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Ele buscará fazer com que o Brasil volte a se inclinar para a direita com promessas que deram resultados aos líderes dessa corrente na região.

Flávio, de 45 anos, promete reduzir o governo por meio de cortes no número de ministérios, da mesma forma que fizeram o argentino Javier Milei, o equatoriano Daniel Noboa e o colombiano De la Espriella.

Ele também defende uma política de “mão pesada” contra o crime organizado, com a construção de megaprisões no estilo do salvadorenho Nayib Bukele e a classificação de organizações de narcotraficantes como terroristas, seguindo os passos do norte-americano Trump.

E, no setor energético, prevê ampliar a exploração de recursos como petróleo e gás, assim como Lula.

Lula, de 80 anos, reconhece a necessidade de agir contra o crime organizado, mas com base na inteligência e na prevenção, e não em uma abordagem punitiva.

No aspecto econômico, propõe uma maior progressividade tributária para impulsionar o desenvolvimento. E, no que diz respeito à energia, seu objetivo é promover uma transição para energias limpas, sem descartar a exploração de combustíveis fósseis.

A seguir, as propostas de Lula e Bolsonaro nas áreas de segurança, economia, mineração e meio ambiente:

Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para segurança

Lula da Silva

Propõe fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) para integrar e coordenar as ações de segurança entre os diferentes níveis de governo. Além disso, prevê R$ 10 bilhões (US$ 1,9 bilhão) em financiamento reembolsável do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para que os estados invistam em infraestrutura e equipamentos de segurança.

Flávio Bolsonaro

Ele promete declarar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), as milícias e outras facções como organizações narcoterroristas, bem como congelar seus ativos para atacar suas fontes de financiamento. E pretende construir cinco novas prisões federais de segurança máxima, inspiradas no modelo de El Salvador, e criar 500 mil novas vagas no sistema penitenciário em quatro anos.

Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro na área econômica

Lula da Silva

Propõe financiar o desenvolvimento econômico por meio de uma maior progressividade tributária, de modo que aqueles com rendas mais elevadas paguem proporcionalmente mais, e combater as distorções do sistema tributário. Além disso, defende a manutenção do arcabouç fiscal (2017) para controlar o crescimento dos gastos sem prejudicar as políticas sociais e preservar espaço para o investimento público.

Flávio Bolsonaro

No que parece ser uma adaptação da “motosserra” de Milei ou do “facão” de Noboa, Bolsonaro promete um “tesouraço” para reduzir pelo menos uma dezena de ministérios e, de modo geral, o tamanho do governo central. Ao contrário de Lula, ele quer reduzir os impostos — embora não fique claro se isso beneficiaria os mais ricos — e substituir o atual arcabouço fiscal.

Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro energia

Lula da Silva

Lula propõe desenvolver cadeias produtivas ligadas à economia verde e avançar rumo a uma “transição para uma economia de baixo carbono”, ao mesmo tempo em que defende alcançar o “desmatamento zero” na Amazônia. Ele também defende a exploração do pré-sal como parte de uma estratégia de “soberania energética”, apesar do avanço da transição para fontes de energia mais limpas.

Flavio Bolsonaro

Ele promete ampliar a exploração de hidrocarbonetos e processar os minerais essenciais em território nacional, sem descurar as energias limpas. Além disso, propõe agilizar o licenciamento ambiental e oferecer maior segurança jurídica aos investidores, bem como modernizar a legislação para favorecer a construção de centros de dados no país.