JBS e bancos são alvo de queixas na Europa por desmatamento

Coalizão TLC pediu investigação de transferências de recursos da JBS por bancos como Barclays e Standard Chartered, sob o argumento de que gado criado em áreas desmatadas ilegalmente no Brasil pode ser tratado como ‘bem de origem criminosa’

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Bloomberg — Grupos ambientalistas e de direitos humanos estão se baseando na legislação europeia de combate a lavagem de dinheiro para buscar responsabilizar empresas pelo desmatamento associado a cadeia de pecuária no Brasil.

A Transnational Legal Coalition (TLC) disse em um comunicado que apresentou queixas legais contra a JBS, pedindo investigações sobre supostas transferências de recursos por meio de diversos bancos, entre eles Barclays e Standard Chartered.

As queixas foram apresentadas pela TLC junto a reguladores financeiros nos Países Baixos, Reino Unido, Alemanha e Irlanda. Trata-se de uma abordagem nova desses grupos que no passado se dedicaram a rastrear o gado em áreas de desmatamento.

A TLC alega que o gado criado em terras desmatadas ilegalmente pode ser tratado como um “bem de origem criminosa,” e que recursos transferidos pela JBS e instituições financeiras poderiam ser enquadrados dentro da legislação europeia de combate a lavagem de dinheiro.

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A JBS enfrenta há muito tempo questionamentos sobre compras de gado supostamente criado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. Desmatamento é um motor de emissões de carbono no país.

A JBS deu passos para endereçar preocupações, e seu diretor executivo global disse no ano passado que a companhia estava comprometida com planos do governo Brasileiro de rastrear 100% do gado.

Mas pode ser difícil rastrear a origem dos animais no Brasil, uma vez que o gado pode passar por diversas fazendas antes de chegar ao peso de abate. Produtores que atuam em etapas anteriores da cadeia pecuária — como operações de cria e recria — há muito são alvo de críticas por abrirem novas áreas para a criação de gado.

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As ações da TLC incluem uma notícia-crime contra a holding da JBS nos Países Baixos, apresentada ao Ministério Publico local. Uma empresa da JBS no Reino Unido também foi alvo de representação perante a National Crime Agency. Barclays, Standard Chartered, Banco do Brasil, Rabobank, ING, BlackRock, EY e KPMG estão entre as firmas citadas em pedidos feitos a diferentes reguladores financeiros europeus.

“A JBS lamenta que a campanha da ONG tenha omitido os supostos dados em que se baseiam as alegações contra a companhia, o que a impede de tomar providências a respeito”, afirmou a empresa em nota. A empresa de carne acrescentou que monitora fornecedores de gado na Amazônia desde 2010.

Um porta-voz do Barclays afirmou que o banco cooperará plenamente com os reguladores. KPMG e ING disseram que não podem comentar porque não tiveram acesso às queixas. Standard Chartered, Rabobank e EY disseram que não podem comentar informações relacionadas a clientes ou relações de negócios específicas.

A BlackRock não quis comentar. O Banco do Brasil afirmou que não teve acesso à denúncia, acrescentando que mantém políticas, procedimentos e controles destinados à prevenção à lavagem de dinheiro, em conformidade com as leis e regulamentações aplicáveis.

As autoridades ainda vão decidir se devem abrir qualquer investigação, e não há garantia de que as queixas resultem em qualquer questionamento formal a nenhuma das empresas.

O uso da legislação de combate a lavagem de dinheiro na Europa é uma abordagem nova para os grupos que no passado focaram sobretudo nos registros de desmatamento.

A estratégia legal foi em parte possibilitada por uma reorganização feita pela JBS 2025, quando a empresa estabeleceu uma holding sediada nos Países Baixos como parte de um processo de listagem de suas ações em Nova York.

“Dividendos das operações brasileiras fluem para os Países Baixos, e portanto estão em descumprimento da lei de combate a lavagem de dinheiro,” disse Jurjen de Waal, diretor nos Países Baixos da Mighty Earth, uma das entidades membro da coalizão.

Procuradores federais brasileiros usam desde 2009 acordos de adequação juridicamente vinculantes com frigoríficos da Amazônia para exigir a verificação das compras de gado.

A conformidade da JBS melhorou nas auditorias realizadas no âmbito desses acordos no Pará, um importante estado fornecedor de gado, embora a empresa ainda tenha registrado uma taxa de não conformidade de 2,3% na auditoria mais recente disponível, que abrangeu transações de gado realizadas em 2023 e 2024.

A JBS também foi multada em três fases de uma operação de fiscalização conhecida como Operação Carne Fria, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Na fase mais recente, em 2025, o Ibama também identificou gado que havia passado por propriedades embargadas antes de ser vendido à JBS por fornecedores diretos que aparentavam estar em situação regular, o que evidencia como infrações ocorridas em etapas anteriores da cadeia de fornecimento podem escapar de controles concentrados na fazenda que realiza a venda final.

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