Bloomberg Opinion — Se a má notícia é que as pessoas da Geração Z não têm condições de comprar uma casa até chegarem à meia-idade — o que, para ser sincero, não é realmente uma má notícia — então a boa notícia é que, pelo menos, eles estão investindo seu dinheiro em ativos de alto rendimento. Ou pelo menos era o que pensávamos.
Agora estamos descobrindo que eles talvez não sejam investidores muito bons, ou talvez nem sejam investidores de verdade: de acordo com uma nova pesquisa, mais da metade redirecionou seus recursos para apostas esportivas, o que um quarto considera parte de uma estratégia de investimento de longo prazo.
Tudo isso levanta a questão: como eles erraram tanto?
A pesquisa, realizada pela empresa de finanças pessoais Betterment, entrevistou 1.000 investidores atuais, divididos igualmente entre as geração baby boomer, millennial, Geração X e Geração Z. A empresa constatou que a Geração Z tem duas vezes mais chances do que o investidor médio tanto de usar o dinheiro destinado a investimentos para fazer apostas quanto de ver as apostas como parte de uma estratégia financeira geral.
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Essa atitude provavelmente se deve a uma combinação de fatores, incluindo falta de educação financeira e a ignorância típica da juventude. Mas parte disso pode ser explicada pelas condições únicas da economia atual. Um mercado em alta frenética pode distorcer as percepções sobre o que é arriscado e dar a impressão de que o sucesso é aleatório. E parte disso pode ser simplesmente porque a Geração Z não é boa em assumir riscos.
Desde que a Suprema Corte americana basicamente legalizou as apostas esportivas em nível estadual em 2018, o setor decolou — com a ajuda da tecnologia que permite fazer apostas por meio de celulares, mesmo durante uma partida. Também houve o surgimento de ativos de risco nos mercados, com os celulares facilitando a especulação. Esses desenvolvimentos tornaram mais tênue a distinção entre jogo e investimento.

A diferença se resume a duas características. Primeiro, o investimento pode ser de soma positiva. Se você investir em um fundo de índice, passa a possuir uma parte da economia; à medida que os preços dos ativos aumentam, sua riqueza também cresce. As informações públicas são incorporadas aos preços rapidamente, portanto não há vantagem informacional.
O jogo, por outro lado, é de soma zero — se você ganha, outra pessoa perde. Os vencedores também tendem a ter mais recursos financeiros e, talvez, uma vantagem informacional. Você pode ganhar às vezes, mas é quase impossível ganhar dinheiro de forma consistente.
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Segundo, o investimento traz benefícios para a economia como um todo. Seu investimento financia empregos, pesquisa e desenvolvimento — fatores que fazem a economia crescer e tornam todos mais ricos.
Mesmo que você venda uma ação a descoberto, você contribui para a descoberta de preços, o que ajuda os mercados a crescerem e disponibiliza mais capital. O jogo traz externalidades negativas.
Ainda assim, mesmo admitindo que vivemos tempos confusos, a pergunta persiste: como tantas pessoas podem se enganar tanto?
Parte da resposta é que sempre foi assim. Toda geração se envolve em algo que, no fim das contas, acaba dando errado. Os jovens, em particular, têm uma tendência natural a correr grandes riscos. Sim, em alguns aspectos, desta vez é diferente, principalmente porque as apostas esportivas se tornaram algo comum.
Outra razão pode ser uma mudança na relação com o risco e uma frustração com a economia em geral. Um número maior de jovens cresceu mais protegido de uma assunção de riscos saudável e normal durante a infância e a adolescência.
Esses são anos críticos em que o cérebro jovem aprende a distinguir bons riscos de maus riscos. Aqueles que perdem essa fase de desenvolvimento podem acabar se tornando mais avessos ao risco e, ao mesmo tempo, mais vulneráveis a ele: quando assumem riscos, escolhem aqueles com maior probabilidade de dar errado.
Isso pode estar contribuindo para um sentimento de niilismo financeiro comum entre a Geração Z.
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Até agora, as apostas são mais populares entre os jovens do sexo masculino. Eles assumiram menos riscos em algumas áreas — convidar uma mulher para sair, por exemplo, ou se mudar para o outro lado do país para começar um novo emprego — mas mais em outras. Eles podem estar saciando sua necessidade de assumir riscos por meio de apostas esportivas ou “meme stocks”.
Essa atitude pode ser alimentada por um ambiente econômico em que o sucesso parece ser aleatório. As pessoas parecem enriquecer mais por sorte do que por talento ou trabalho árduo — uma impressão reforçada por toda aquela riqueza do Vale do Silício e por todos aqueles influenciadores do Instagram que dizem voar em jatos particulares.
Essas impressões não são realmente precisas; há muito trabalho por trás dessas startups e desses vídeos. Mas essas fortunas parecem maiores e ainda mais aleatórias durante um período de expansão, com muito capital circulando. Se o sucesso econômico parece mais aleatório, um fundo de índice parece um jogo para otários, especialmente quando é possível apostar na Copa do Mundo.
Então, como isso vai acabar? Muitos desses apostadores vão perder dinheiro. Se não perderem muito, talvez não seja um desastre. Eles podem até aprender mais sobre investimentos e a natureza do risco. Mas, para os apostadores mais ousados, o preço pode ser catastrófico. Quanto mais tempo as condições financeiras permanecerem flexíveis, piores podem ser os danos.
É provável que alguns desses padrões mudem à medida que os apostadores mais jovens amadureçam e passem por um evento adverso no mercado. Um mercado de ações em baixa pode não estar correlacionado a um jogo de futebol, mas traz condições financeiras mais restritivas e perda de empregos, o que torna o jogo mais caro.
Os mercados em baixa tendem a atingir muito mais duramente os investidores com posições de risco do que os investidores passivos. Os mercados em baixa também são quando a maioria de nós aprendeu a verdade brutal sobre risco e recompensa. Os apostadores da Geração Z podem aprender essa lição de forma mais dura do que as gerações anteriores.
Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
Allison Schrager é colunista da Bloomberg Opinion. É pesquisadora sênior do Manhattan Institute e autora de “An Economist Walks Into a Brothel: And Other Unexpected Places to Understand Risk”.
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