Bloomberg — Uma das principais famílias de fundos da Itaú Asset adicionou nas carteiras opções que ganham com o aumento da volatilidade da bolsa. A aposta é que grandes movimentos devem atingir os ativos brasileiros nos próximos meses, diante do período eleitoral e da migração de recursos para a IA nos EUA, com saída de estrangeiros.
A proteção foi adicionada aos fundos há cerca de um mês, conta Rodrigo Koch, gestor da família de fundos Optimus, que integra o modelo multimesas da gestora. A família Optimus gere R$ 20 bilhões em ativos e é a segunda maior mesa da Itaú Asset.
“Vai haver movimentos grandes nas próximas semanas, maiores do que o que está implícito no mercado”, disse Koch em entrevista à Bloomberg News. “Eleição é evento de volatilidade, isso é um trigger para redução de posições em geral.”
Nesta semana, os investidores já se depararam com um episódio do tipo: na terça-feira, o JPMorgan rebaixou as ações locais em razão do risco eleitoral, o que levou o Ibovespa a uma queda de 2,5% no dia, contaminando o dólar e os juros.
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A retirada de recursos estrangeiros da B3, que já vinha subindo, atingiu R$ 4,72 bilhões nessa data. No dia seguinte, saiu mais R$ 1,63 bilhão, o que deixou o acumulado do mês negativo em R$ 13,6 bilhões até o dia 12 — embora o saldo do ano ainda siga positivo em mais de R$ 20 bilhões.
Além da proximidade das eleições, as saídas foram provocadas por uma temporada de balanços local frustrante, que coincidiu com resultados animadores das empresas de inteligência artificial nos EUA, afirmou Koch. Isso gerou uma realocação de portfólio dos estrangeiros.
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Além de se proteger via opções, Koch está posicionado em setores mais defensivos, destacadamente posições em ‘utilities’ — com concentração maior do que a média do mercado - e diz estar “fugindo” de ações mais cíclicas, ligadas ao desempenho da economia.
“A temporada de resultados reforçou que está ocorrendo uma desaceleração na economia, os lucros das empresas não estão crescendo bem”, diz. “Estou mais cauteloso olhando à frente.”
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