Mercados recuam com dados fracos da China e sinal do Fed de mais aperto neste ano

Operadores se ajustam à sinalização de que a pausa no ciclo de alta dos juros precede novos aumentos ao longo do ano, em direção contrária ao do banco central chinês

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Barcelona, Espanha — Os investidores colocam em perspectiva outras investidas de política monetária ao redor do mundo após a pausa nos Estados Unidos e, sobretudo, o aviso de Jerome Powell de que quase todos os membros concordam que seria apropriado elevar os juros “um pouco mais” até o fim do ano. Pesquisa da Bloomberg mostra agora que 54% dos 223 investidores entrevistados descartam um corte de juros antes de março.

Os futuros de índices dos Estados Unidos operavam em queda, assim como as bolsas europeias. No mercado asiático, o fechamento foi desigual, com avanço das bolsas chinesas após corte de juros para empréstimos de médio prazo pelo Banco Popular da China.

As ações de mineração e energia lideraram as quedas na Europa, após dados fracos da economia chinesa em maio e diante da expectativa pela decisão sobre juros do Banco Central Europeu (BCE). No âmbito corporativos, as ações da H&M subiam após a receita do segundo trimestre superar previsões. A ação da SoftwareOne Holding AG subiu 21% em meio à oferta da Bain Capital de cerca de US$3,2 bilhões para fechar o capital da provedora suíça de serviços de TI.

No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos subia para 3,813% às 6h19 (horário de Brasília). O dólar se apreciava pouco e o euro também, enquanto a libra se mantinha praticamente estável ante outras divisas.

Os contratos de petróleo WTI subiam, em direção contrária do ouro e do bitcoin, que perdiam valor.

→ O que move os mercados hoje

🏦 Outras decisões. Depois do Fed, o banco central de Hong Kong também manteve inalterada a taxa de juros do país (5,5%), enquanto o Banco Popular da China fez mais um movimento para estimular a economia. Reduziu os juros dos empréstimos de um ano e irrigou o mercado com mais empréstimos de médio prazo. Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) toma sua decisão e espera-se uma alta da taxa de 0,25 ponto percentual, bem como algum sinal sobre o caminho que ainda resta a percorrer contra a inflação persistente na região.

🇨🇳 Ritmo fraco. Ainda na China, o mercado espera que outras medidas sejam anunciadas após novos dados confirmarem a desaceleração econômica. As vendas no varejo se desaceleraram (+12,7%) mais do que o esperado em maio e a produção industrial também foi menor (+3,5%) no período. O país reportou ainda um enfraquecimento do investimento imobiliário no ano até maio (-7,2%) e uma taxa de desemprego recorde entre os jovens (20,8%).

🐦 Direitos autorais. A NMPA, associação dos EUA que protege compositores, processou o Twitter e busca uma indenização de US$250 milhões por suposta violação de direitos autorais devido ao uso de cerca de 1.700 músicas em sua plataforma sem permissão. YouTube, Facebook, Snap e TikTok têm acordos e, coletivamente, pagam bilhões de dólares por ano à indústria da música.

🦾 Investimento tecnológico. A Siemens investirá US$2,2 bilhões para expandir a produção de alta tecnologia neste ano, incluindo uma nova fábrica de dispositivos de automação industrial em Cingapura e uma expansão na área de pesquisa e desenvolvimento em sua fábrica digital chinesa em Chengdu. Planos para a Europa e EUA também serão anunciados em breve.

🆙 Foco no sudeste asiático. O CEO da rede social TikTok (ByteDance), Shou Zi Chew, disse que serão investidos bilhões de dólares no Sudeste Asiático nos próximos três a cinco anos, para fortalecer a presença do aplicativo na região. A investida do TikTok tem foco no comércio eletrônico, que está criando um desafio crescente para as concorrentes Amazon e Shopee.

🟢 As bolsas ontem (14/06): Dow Jones Industrials (-0,68%), S&P 500 (+0,08%), Nasdaq Composite (+0,39%), Stoxx 600 (+0,36%), Ibovespa (+1,99%)

A volatilidade marcou as negociações nas bolsas dos EUA, onde o destaque foi a decisão do Fed de pausar o ciclo de aperto monetário. Por aqui, ganhos das principais ações alavancaram a alta, especialmente no fim do dia, após a S&P alterar para positiva a perspectiva para a nota de crédito do Brasil.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego, Vendas no Varejo/Mai, Produção Industrial/Mai, Uso da Capacidade Instalada/Mai, Estoques das Empresas/Abr, Índice Empire State de Atividade Industrial/Jun, Índice de Condições Empresariais-Fed Filadélfia/Jun, Fluxo Líquido de Capital/Abr

Europa: Zona do Euro (Balança Comercial/Abr, Total de Ativos de Reserva/Mai, Encontro do Eurogrupo); França (IPC/Mai)

Ásia: Hong Kong (Produção Industrial/1T23)

América Latina: Brasil (Crescimento do Setor de Serviços/Abr)

Bancos centrais: Decisão sobre Taxa de Juros (BCE), Discursos de Christine Lagarde (BCE), Jon Cunliffe (BoE) e Joachim Nagel (Bundesbank)

🗓️ Os eventos de destaque na semana →

(Com informações da Bloomberg News)

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