A ressaca de Jackson Hole

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Bloomberg Línea — Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

🇺🇸 Para quem esperava uma sinalização de alívio monetário a partir de 2023 diante dos recentes dados de arrefecimento das pressões inflacionárias, o tão aguardado discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em Jackson Hole, mostrou que os novos tempos de juros mais altos vieram para ficar. E, mais preocupante, não há prazo para que isso mude.

Powell alertou que a história enseja cautela quanto ao afrouxamento monetário precipitado e disse que haverá sofrimento para famílias e empresas no curto prazo, mas que os juros mais altos e o controle da inflação de forma consistente e permanente são o caminho para a prosperidade de longo prazo.

📈 Para um crítico contumaz do Fed nos últimos tempos, o ex-secretário do Tesouro Larry Summers, Powell “fez o que tinha que fazer”, em um raro elogio ao banco central americano. “O Fed fica agora posicionado da melhor maneira possível para gerenciar a situação de agora em diante”, disse Summers.

No day after do discurso de Powell, no sábado, um paper divulgado no simpósio de Jackson Hole deu a dimensão do desafio e das responsabilidades do Fed, ao apontar que, sozinho, o BC não conseguirá domar uma inflação que tem raízes fiscais também - leia-se injeção de dinheiro sem precedentes pelo governo.

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Na trilha dos Mercados

Os mercados iniciavam a semana reagindo ao discurso de Powell em Jackson Hole, com as ações asiáticas e as europeias em queda, assim como os futuros americanos. O receio é que a alta de juros mais prolongada comprometa os resultados de determinados setores, como o de tecnologia. As principais moedas globais caíam em relação ao dólar, enquanto as commodities, como trigo e soja, assim como o cobre, despencavam em meio à maior aversão ao risco.

⬇️ Cripto em queda. As criptomoedas voltaram a sofrer perdas neste fim de semana depois que Powell alertou contra o afrouxamento prematuro da política monetária. O bitcoin caiu abaixo do limite inferior da faixa estreita em que foi negociado nas últimas duas semanas, ou seja, perdeu os US$ 20 mil.

🚨 Ásia em queda. O índice MSCI Asia Pacific, que mede o desempenho das principais ações da região do sul da Ásia, se aproximava da maior queda em quase dois anos, recuando 2,3% com as ações de tecnologia na ponta de queda em meio ao maior escrutínio americano com empresas chinesas. O índice Nikkei 225, negociado em Tóquio, liderou as perdas locais.

🪙 Moedas globais. Euro, iene e libra caíam em relação ao dólar americano, com a moeda japonesa atingindo a maior baixa das últimas cinco semanas, à medida que os investidores continuam a tendência da última sexta.

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🟢 As bolsas na sexta-feira: Dow Jones Industrials (-3,03%), S&P 500 (-3,37%), Nasdaq Composite (-3,94%), Stoxx 600 (-1,68%), Ibovespa (-1,09%)

Em Wall Street, as bolsas fecharam em forte queda, interrompendo o rali da sessão anterior. A expectativa é a de que investidores continuem a recalibrar as posições nesta segunda diante da nova sinalização do Fed de juros altos por mais tempo.

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No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

Brasil: Relatório Focus da última semana

Europa: Discurso de Philip Lane, do Banco Central Europeu

EUA: Discurso de Lael Brainard, vice do Federal Reserve, Índice de Atividade das Empresas Fed Dallas (agosto), empréstimos bancários (agosto)

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Edição: Ana Carolina Siedschlag, editora-sênior para o Brasil