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Mercados

As apostas destas 3 gestoras globais para investir com inflação e juros altos

Mais do que títulos atrelados à alta dos preços, é hora de buscar outras formas de proteção, apontam gestores de BlackRock, Janus Henderson e New Capital em evento

Com aperto monetário, investidores aumentam proteções na carteira
21 de Junho, 2022 | 07:40 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — O Federal Reserve promoveu na última semana o maior aumento na taxa de juros americana desde 1994 e sinalizou novas altas de 75 pontos base para tentar conter a inflação mais elevada em 40 anos. Investidores de todas as partes e de todos os tamanhos estão reposicionando os portfólios para a nova perspectiva, com juros mais altos e crescimento mais baixo: mais do que títulos públicos atrelados à inflação, é hora de apostar em outras formas de proteções. É o que defendem gestores da BlackRock, da Janus Henderson e da New Capital, três das maiores casas de investimentos do mundo.

Jasmine Fan, gestora de estratégia de investimento da BlackRock, casa que tem US$ 10 trilhões sob gestão, recomentou uma carteira composta por ativos reais, como do mercado imobiliário, papéis de infraestrutura e commodities, no painel “Inflação e Juros Globais” no evento Global Managers Conference, promovido pelo BTG Pactual (BPAC11) nesta terça-feira (21) de forma presencial e online.

Na Bolsa, Fan disse gostar de empresas menos impactadas pelo aumento dos custos e da inflação, como exportadoras e empresas de energia, que têm grande peso em países da América Latina, por exemplo. A busca na casa também tem sido por empresas consideradas de qualidade, ou seja, que tenham baixo endividamento e funcionam como hedges no cenário desafiador atual.

Na renda fixa, Camila Astaburuaga, gestora de portfólio da New Capital, e Phil Gronniger, gestor de portfólio de renda fixa da Janus Henderson, disseram ver papéis de crédito privado tipo “investment grade” (com maior qualidade de crédito) como a grande oportunidade no momento, em especial os com vencimentos longos. “Não significa que as taxas não possam abrir mais, mas hoje estão atrativas”, reforçou Gronniger.

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Valor x crescimento

Durante o painel, Fan, da BlackRock, também comentou sobre o movimento de rotação setorial na bolsa, com investidores migrando de empresas de crescimento para empresas de valor. Isso porque empresas de tecnologia, por exemplo, foram suportadas nos últimos anos por taxas de juros negativas, o que mudou com o movimento de aperto monetário em curso. “Temos visto uma saída de liquidez do mercado, sell-off de ativos de risco e alta dos juros – e isso deve continuar nos próximos meses”, afirmou.

A gestora da BlackRock disse que tem recomendado aos clientes uma redução da exposição a ativos mais arrojados, elevando a parcela em nomes defensivos, como empresas dos setores de utilities (de serviços públicos), consumo básico e ações que paguem bons dividendos. “Na próxima década, devemos ver juros estruturalmente mais elevados – não nos níveis de 1980 ou 1970, mas acima do visto no pré-pandemia. Por isso, uma exposição à renda [dos dividendos] pode dar proteção extra aos investidores”, disse.

Nem 5% nem perto de zero

Ainda que haja pressões sobre os preços no curto prazo, especialmente no caso dos setores de habitação e commodities, Astaburuaga, da New Capital, não acha que os juros nos Estados Unidos vão chegar a 5% nem algo próximo. As taxas estão atualmente no intervalo entre 1,50% e 1,75%. E as projeções das autoridades do Fed apontam para juros de 3,8% ao fim do 2023.

Segundo ela, o Fed está fazendo um bom trabalho para conter a inflação, mas isso não impede um possível erro da autoridade monetária, com mais dificuldade para ter um “pouso suave” hoje do que no passado. “Quanto mais [o Fed] sobe os juros, mais difícil vai ser depois para controlar o menor crescimento.”

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O termo “pouso suave” (ou soft landing, em inglês) se refere à difícil missão do Fed de conseguir controlar a inflação fazendo a economia desacelerar de forma gradual, sem entrar em recessão.

Para Astaburuaga, o Fed está sendo muito otimista com suas previsões e, segundo a New Capital, a inflação não deve recuar para a meta de 2% pelo menos até 2024. “Não acho que temos uma chance tão grande de recessão em 2023. Mas, quanto mais agressivo for o Fed, maior é a probabilidade de uma recessão no futuro.”

Gronniger, da Janus Henderson, também disse que o banco central americano está muito otimista em suas estimativas de crescimento e afirmou que é provável que o Fed seja mais agressivo do que projeta, com possibilidade de desaceleração da economia em 2023. “Ainda temos alguns fatores pressionando os juros, o que depois deve se equilibrar. Mas não devemos voltar a ter uma taxa perto de zero.”

Para Jasmine Fan, da BlackRock, o mercado hoje está em um novo regime de preços mais altos, diferente do visto há cerca de 20 anos nos EUA, em que não se via inflação.

Ela cita como razões a desglobalização, com indústrias à procura de novos lugares para instalar suas cadeias de suprimento, o que deve elevar os preços nos próximos anos. “Por causa disso, os juros vão continuar em um nível mais elevado do que nos últimos dez anos, mas não devem voltar a zero”, disse, destacando expectativas de que a inflação nos EUA fique acima de 2% nos próximos dois anos.

Na BlackRock, o cenário básico para a economia americana é a de que não deve haver uma recessão nos próximos seis a 12 meses. Depois disso, no entanto, isso irá depender dos dados de inflação divulgados. “Tem muita liquidez saindo dos mercados e isso vai destruir a economia – que é o que o Fed quer para conter a inflação. A economia dos EUA é robusta, mas, se a inflação não cair até o fim do ano, o Fed pode ser mais agressivo e aí aumentam as chances de uma recessão em 2023″, disse.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.