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Mercados

13 ações para se proteger contra a inflação, segundo analistas

Com inflação nas alturas, investidores devem optar por papéis que consigam repassar o aumento dos preços, dizem estrategistas

Para especialistas, investidor deve buscar papéis com demanda inelástica, isto é, essenciais, como o de energia elétrica.
11 de Maio, 2022 | 11:46 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Bloomberg Línea — A inflação segue surpreendendo negativamente os mercados e, pressionada pela alta das commodities em meio à guerra na Ucrânia, bem como pelos lockdowns na China, a expectativa é de que os preços sigam altos no mundo todo por mais tempo.

Nesta quarta-feira (11), o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 1,06%, no maior resultado para o mês desde 1996. Puxado principalmente pela alta dos alimentos e bebidas, bem como por transporte, o índice acumula alta de 12,13% em 12 meses.

Segundo analistas de renda variável e especialistas que conversaram com a Bloomberg Línea, neste cenário, que é marcado ainda por grande incerteza e que se soma às eleições presidenciais no Brasil no fim do ano, os investidores de renda variável que quiserem ao menos manter o poder de compra devem optar por papéis de empresas que consigam repassar o aumento dos preços aos consumidores.

Confira o que os especialistas recomendam entre setores e ações para surfar o ambiente de inflação persistentemente alta:

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Energia elétrica

Diante do cenário de forte pressão inflacionária com incerteza, Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos, ressalta a importância de buscar sempre papéis com demanda inelástica - isto é, essenciais, como o caso da energia elétrica. Segundo ele, um dos nomes mais defensivos no setor são os papéis de Taesa (TAEE11), cuja maior parte dos contratos são reajustados pela inflação.

O setor também é visto como um dos vencedores no contexto atual por Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante Ideias de Investimentos. “É um setor que consegue repassar o aumento dos preços de forma mais fácil, tem menos volatilidade e no qual as pessoas não deixam de pagar, porque precisam”, diz.

Dentre nomes de destaque no setor, Cozzolino cita CPFL Energia (CPFE3), Taesa (TAEE11) e Eletrobras (ELET3; ELET6), que no ano sobem entre 19% e 26% na B3 até terça-feira (10), contra perdas de 1,63% do Ibovespa no período.

Commodities

Já para Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management, ações de empresas ligadas à exportação e a commodities são uma boa alternativa na Bolsa no momento atual. Isso porque são empresas que têm parte da receita atrelada ao dólar, se beneficiando em um cenário de moeda mais valorizada.

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“Se a pressão inflacionária é grande, também há pressão sobre as commodities. Então o investidor consegue surfar um cenário de ações atreladas ao dólar, ganhando ainda com uma commodity mais cara lá fora”, afirma. Gonçalvez cita como exemplo as ações de Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).

Vella, da Ativa, também diz gostar do setor, mas com ressalvas, dada a forte volatilidade. “As ações têm performado bem por conta da pressão compradora de commodities, mas os papéis são mais voláteis e suas performances dependem muito da cotação no dia”, diz.

Ele cita como exemplo a queda dos papéis da Vale (VALE3) na terça-feira (10) em meio à queda do minério de ferro, enquanto nesta quarta (11) as ações sobem mais de 4% devido à alta da commodity. No ano até ontem (10), as ações da mineradora caem 3,1% na B3.

Alimentos e bebidas

Outro setor que é conhecido por repassar a inflação para o consumidor final é o de alimentos. Gonçalvez, da Box Asset Management, cita, como exemplo, os papéis de Carrefour (CRFB3) e BRF (BRFS3).

João Gabriel Abdouni, analista de ações da casa de análise Inv (ex-Inversa), diz gostar das ações da Ambev (ABEV3), que tendem a defender bem o portfólio em cenários como o atual, dado o seu “pricing power”, conseguindo repassar o preço para o consumidor.

“A Ambev tem uma dívida líquida negativa, ou seja, mais caixa que dívida, então como tem cerca de R$ 11 bilhões a mais no caixa, a operação consegue repassar o preço e ainda tem ganho com a receita financeira”, afirma.

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Outro nome que se beneficia de um índice de preços mais elevado é o atacarejo Assaí (ASAI3), segundo Abdouni, cujo modelo de negócios oferece menos itens a preços mais baixos. “Com a inflação alta e a classe média pressionada, ela deixa de ir no Pão de Açúcar e migra para o Assaí, para gastar menos”, diz.

Outros papéis defensivos

Apesar das varejistas serem impactadas negativamente pelo aumento dos preços e da inflação, o varejo de alta renda, com nomes como Vivara (VIVA3), Arezzo (ARZZ3) e a construtora JHSF (JHSF3), consegue se defender, segundo Abdouni, sofrendo menos com a inflação que pares como C&A (CEAB3) e Tenda (TEND3), por exemplo, diz.

Empresas como a Vivo (VIVT3), que trabalha com pacotes de dados, também se beneficiam, diz o analista da Inv, por ser hoje considerada uma demanda inelástica.

Setores que mais sofrem diante deste cenário na Bolsa

Enquanto setores considerados essenciais tendem a ser mais defensivos no contexto atual, setores com demanda elástica, isto é, varejo, construção civil e tecnologia, por exemplo, tendem a ser negativamente impactados.

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“São também empresas que precisam de um financiamento alto para crescer e que, em um cenário de juros mais elevados, saem prejudicadas”, afirma Cozzolino, da Levante.

O analista chama atenção ainda para a performance abaixo do Ibovespa no ano de índices setoriais como o de metais básicos, industrial, consumo e do setor imobiliário, cujos desempenhos têm sido acompanhados de alta volatilidade.

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Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.