Mercados

Ibovespa descola dos EUA e firma recuperação, deixando inflação de lado

Por aqui, o IPCA chegou a desacelerar em abril em relação a março, mas marcou o maior resultado para o mês desde 1996

Inflação americana sugere que as pressões sobre os preços permanecerão elevadas por algum tempo
11 de Maio, 2022 | 02:23 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg Línea — Enquanto os principais índices acionários americanos vivem uma sessão de volatilidade, o Ibovespa (IBOV) toma direção oposta e firma recuperação nesta quarta-feira (11), com investidores digerindo os dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos.

Puxado pelo bom desempenho de empresas ligadas a commodities e com grande peso no índice, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), o índice opera em alta, destoando do sentimento negativo após dados de inflação acima do esperado nos Estados Unidos.

Por aqui, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a desacelerar em abril em relação a março, mas marcou o maior resultado para o mês desde 1996.

O IPCA teve alta de 1,06% em abril, puxado principalmente pela alta dos alimentos e bebidas, bem como por transportes, com destaque para a gasolina. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 12,13%, acima dos 11,3% registrados no mês passado.

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Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor americano teve alta de 8,3% em abril na base anual, acima dos 8,1% esperados e próximo do maior patamar para o indicador em mais de 40 anos. Os dados indicam uma inflação persistente, que pode levar a apertos monetários mais agressivos por parte do Federal Reserve, o banco central dos EUA.

“A curva de juros está subindo com o mercado percebendo que Banco Central deve continuar com um ciclo de alta talvez com mais uma alta [da Selic] em julho, além de junho. A curva deve começar a mostrar a taxa básica de juros terminando o ano em 13,50% ou até 14% por causa dessa inflação persistente”, avalia Marcelo Oliveira, fundador da Quantzed e analista com certificação CFA.

Confira o desempenho dos mercados na manhã desta quarta-feira (11):

  • Por volta das 14h10 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 1,59%, a 104.746 pontos
  • O dólar à vista, que oscilou pela manhã, caía 0,13%, a R$ 5,13;
  • Nos EUA, o Dow Jones caía 0,32%, o S&P 500, 0,64%, e o Nasdaq, 1,85%

Contexto externo

As empresas de tecnologia pressionavam as ações americanas depois que os dados mostraram que a inflação nos EUA pode ter atingido o pico, mas também sugerindo que as pressões sobre os preços permanecerão elevadas por algum tempo.

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Os traders também avaliaram as observações do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, que disse que, se a inflação permanecer em níveis muito altos, “então apoiarei mais movimentos”.

Embora as medidas anuais de preços ao consumidor tenham esfriado ligeiramente em relação a março - sinalizando um pico que os economistas esperavam - os detalhes da divulgação desta quarta-feira pintaram um quadro mais preocupante, já que os números mensais avançaram mais do que o previsto. Os custos dos serviços aceleraram enquanto a inflação da maioria dos bens permaneceu teimosamente alta, ressaltando a persistência e amplitude das pressões sobre os preços.

-- Com informações de Bloomberg News

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Kariny Leal

Kariny Leal

Jornalista carioca, formada pela UFRJ, especializada em cobertura econômica e em tempo real, com passagens pela Bloomberg News e Forbes Brasil. Kariny cobre o mercado financeiro e a economia brasileira para a Bloomberg Línea.

Mariana d'Ávila

Mariana d'Ávila

Redatora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero, especializada em investimentos e finanças pessoais e com passagem pela redação do InfoMoney.

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