Startup que une asfalto e favela

Também no Breakfast: Mercados hesitam enquanto avaliam sinais de bancos centrais; Goldman Sachs mantém ceticismo com ‘bull market’ da bolsa brasileira e Por que a conectividade entre metaversos será o próximo passo da Web 3.0

Tempo de leitura: 6 minutos

Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças.

Estima-se que 60 milhões de brasileiros vivam em áreas com algum tipo de restrição de entregas, dos quais cerca de 29% moram em favelas. Mesmo com números superlativos, o acesso e o mapeamento destas regiões se apresentam como um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas, além de um problema para os moradores.

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Na tentativa de ajudar consumidores que, assim como ele, não conseguiam receber suas compras em casa, Sanderson Pajeú, ex-morador de um bairro periférico da Zona Leste de São Paulo, buscou respostas para a seguinte pergunta: Como a tecnologia poderia ajudar a diminuir os contrastes sociais e estruturais desta população, pelo menos no que diz respeito a serviços de entrega?A tentativa de colaborar o conduziu a uma oportunidade de negócio. Ele criou a naPorta, uma startup que trabalha no setor de última milha, termo usado para o processo de entrega final de mercadorias ou serviços

📦 Nicho de mercado

Cerca de 17,1 milhões moram em favelas, o equivalente a 8% de toda a população brasileira, segundo dados de 2021 do Instituto Locomotiva, em parceria com o Data Favela e a Centra Única das Favelas (Cufa).

“A maior dificuldade é o acesso a serviços básicos que o asfalto possui, como entregas de e-commerce, remédios, alimentação e até mesmo serviços essenciais como água e saneamento, simplesmente pelo CEP de suas casas”, disse Pajeú.

🏍️ O serviço foi lançado em 2021, com operações na Cidade de Deus e adjacências. Mas foi através de uma parceria com a OneDoor, plataforma de orquestração logística para digitalizar e otimizar as soluções oferecidas pela naPorta, que foi possível pensar em expandir a operação para outras comunidades brasileiras.

Pobreza. Cada país utiliza una metodología distinta para medirla. Foto: Rodrigo Capote/Bloombergdfd

Na trilha dos Mercados

Sessão de ajuste aos sinais do Federal Reserve (Fed), aos quais se somam hoje os acenos do Banco Central Europeu (BCE). Com o giro mais agressivo do banco central dos EUA no que diz respeito ao aperto monetário e a expectativa em torno das atas do BCE, o mercado está hesitante.

Esta manhã, tanto os futuros de índices norte-americanos como as bolsas europeias flutuavam, indecisos, entre os campos negativo e positivo. O petróleo subia ligeiramente, após o recuo motivado ontem pela notícia de que a Agência Internacional de Energia (AIE) ofertaria 60 milhões de barris adicionais, reforçando a liberação de 180 milhões de barris já anunciada pelo governo dos EUA.O mercado de títulos públicos se recuperava de um rali que levou os prêmios dos bônus de 10 anos a superar os 2,6%, devolvendo-os à faixa de 2018. A queda no valor nominal dos títulos do Tesouro reflete as apostas de que o Fed realize o aperto monetário mais forte em quase três décadas.

Depois de colecionar pistas da ata do Fed, que veio com um “hawkish” e avançou detalhes sobre seu plano de retirada de liquidez do mercado, os operadores terão pela frente sessões de ajustes ao novo cenário, com a torneira de benesses dos bancos centrais se fechando e o ambiente ainda desfavorável para a inflação, já que a guerra e a covid afetam a provisão de commodities e as cadeias de produção.

👁️ Atentos ao plano de ação

Além de digerir a ata de ontem do Fed, o mercado ficará atento à minuta, hoje, do banco central europeu e às declarações de figuras importantes de bancos centrais, entre eles James Bullard, do Fed, defensor contumaz de subidas mais pronunciadas dos juros para controlar a inflação.

Mercados hesitantes por mensagens de bancos centraisdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (-0,42%), S&P 500 (-0,97%), Nasdaq (-2,22%), Stoxx 600 (-1,53%), Ibovespa (-0,55%)

O Fed mais uma vez influenciou no clima dos mercados, que amargaram o segundo dia de perdas. Em sua ata de política monetária, o banco central norte-americano reafirmou que se inclina a um aumento dos juros e à redução de seu balanço patrimonial. Os preços do petróleo caíram pela segunda jornada consecutiva depois que a AIE anunciou uma liberação coordenada de suas reservas estratégicas para controlar o aumento do custo dos barris.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados

No radar

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Pedidos Iniciais por Seguro Desemprego; Estoque de Gás Natural; Crédito ao Consumidor/Fev

• Europa: Zona do Euro (Vendas no Varejo/Fev); Alemanha (Produção Industrial/Fev; PCSI da Thomson Reuters/IPSOS/Abr); Reino Unido (Índice de Preços de Imóveis Halifax/Mar; Empréstimos Garantidos por Hipotecas; PCSI da Thomson Reuters/IPSOS/Abr)

• Ásia: Japão (Índice de Indicadores Antecedentes; Transações Correntes); Hong Kong (Reservas Internacionais/Mar)

• América Latina: Argentina (Produção Industrial/Fev)

• Bancos centrais: BCE publica atas de reunião de Política Monetária. Discursos de James Bullard, Charles Evans, Raphael Bostic e John Williams (Fed), além de Burkhard Balz (Bundesbank)

📌 E para amanhã:

• EUA: Estoques e Vendas no Atacado/Fev; Relatório WASDE (com previsões sobre o fornecimento de mercadorias); Contagem de Sondas dos EUA - Baker Hughes

• Europa: Espanha (Produção Industrial/Fev); Itália (Vendas no Varejo/Fev); Portugal (Balança Comercial/Fev)

• Ásia: Japão (Índice Economy Watchers/Mar; Índice da Confiança entre as Famílias/Mar)

• América Latina: Brasil (IPCA/Mar; Produção e Vendas de Veículos/Mar; Transações Correntes/Fev); Investimento Estrangeiro Direto/Fev)

• Bancos centrais: Pronunciamento de Fabio Panetta, do BCE

Destaques da Bloomberg Línea

Por que a conectividade entre metaversos será o próximo passo da Web 3.0

Goldman Sachs mantém ceticismo com ‘bull market’ da bolsa brasileira

Guerra na Ucrânia: novas sanções são impostas à Rússia

Rússia: Armazenamento de petróleo cresce com recuo na demanda externa

Bolsonaro é o maior beneficiado no impasse da terceira via, diz pesquisa

Também é importante

Wesley e Joesley Batistadfd

Irmãos Batista, da JBS, compram ativos da Vale por US$ 1,2 bilhão. A J&F Investimentos, de propriedade da família Batista, surgiu como a compradora surpresa de algumas das operações da Vale (VALE3) de acordo com um documento regulatório emitido na quarta-feira. Os ativos incluem minas de manganês e minério de ferro, bem como operações de logística, no valor total de US$ 1,2 bilhão, incluindo dívidas

Inter prevê para maio 1ª deflação do Brasil pós-pandemia. O Brasil deve ter leve queda do IPCA em maio, na primeira deflação desde o início da pandemia, em maio de 2020, segundo Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter. Ela estima que a inflação irá recuar 0,2% no próximo mês diante do alívio no custo da energia com a recuperação dos reservatórios de água, e a consequente implementação da bandeira verde a partir do próximo mês.

Covid: Casos diários superam 20 mil na China. A China registrou 20.472 novos casos de covid-19 na última terça impulsionados pelo aumento de infecções em Xangai, onde autoridades locais estão construindo a maior instalação de isolamento improvisada do mundo para tentar conter o surto.

Gympass compra startup de saúde mental no Brasil. A Gympass anunciou hoje a compra da Vitalk, um aplicativo de saúde mental fundado pelo russo Michael Kapps e pelos brasileiros Thomas Prufer e Juliano Froehner, que oferece programas de prevenção, cuidado e treinamento relacionados à saúde mental. O valor do negócio não foi revelado.

Opinião Bloomberg

EUA precisam de uma reserva estratégica para energia verde

A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos foi criada para proteger o país de interrupções no fornecimento de uma commodity essencial para sua economia. À medida que o mundo se move em direção a fontes de energia mais verdes, não faria sentido ter um plano semelhante para commodities vitais para uma transição suave?

Pra não ficar de fora

Andre Gelfi, sócio-diretor da Betsson no Brasil, e Andrea Rossi, diretor comercial do Sul da Europa e Latamdfd

Já ouviu falar do Íbis Sport Club? Considerado um grande meme pela sequência histórica de derrotas nos anos 1980, a equipe do interior de Pernambuco criou uma legião de fãs nos últimos anos, que torcem mais para ver o time perder que ganhar, abraçando o estereótipo até no mascote rebatizado de Derrotinha.

👀 A atenção foi tanta que, no último ano, a equipe ganhou um fluxo inesperado de dinheiro após a história chegar aos ouvidos da Betsson - uma das maiores casas de apostas da Europa e que, presente desde 2008 na América Latina, tem agora mais planos na região, além de patrocinar o “pior time do mundo”.

🏆 “Essa foi uma estratégia de marketing muito bem colocada”, disse Andrea Rossi, diretor comercial do Sul da Europa e Latam da Betsson, em entrevista à Bloomberg Línea. “Estamos procurando um posicionamento da marca no Brasil, incluindo a aquisição da Suaposta e de outros canais de mercado. Realmente empurrando nossa marca para dentro do país”.

Sediada em Estocolmo e com ações negociadas no mercado de capitais de lá, a empresa adquiriu, em dezembro de 2019, 75% da brasileira Suaposta, mirando na então recém-aprovada legislação que passou a permitir que as apostas online funcionassem no Brasil, desde que administradas por uma companhia do exterior.

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Edição: Michelly Teixeira | News Editor, Europe

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