Internacional

Êxodo de Hong Kong: Quase 50% das empresas planejam realocar funcionários

Número reflete as duras restrições contra a covid-19, sobretudo a viajantes; medidas incluem hospitalização obrigatória dos que testam positivo para o vírus

Hong Kong
Por Bloomberg News e Iain Marlow
24 de Março, 2022 | 09:35 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — Quase metade das empresas europeias em Hong Kong planeja realocar total ou parcialmente suas operações e funcionários para fora da região, de acordo com uma nova pesquisa, no mais recente sinal de que as restrições por conta da covid-19, que estão entre as mais rigorosas do mundo, estão corroendo o apelo por trabalho no coração financeiro da Ásia.

Cerca de 25% das empresas disseram que planejam se mudar totalmente de Hong Kong no próximo ano, de acordo com uma nova pesquisa da Câmara de Comércio Europeia em Hong Kong, enquanto outros 24% disseram que planejam se mudar parcialmente da região. Cerca de 34% das empresas disseram não ter certeza sobre seus planos, enquanto apenas 17% disseram que não desejam se mudar nos próximos 12 meses.

Os resultados negativos, que ocorrem em meio a um surto surpreendentemente caótico de coronavírus na região, refletem o declínio da confiança dos negócios em um lugar outrora livre do vírus - e que está cada vez mais isolado do mundo há mais de dois anos. As medidas de prevenção da covid-19 incluem quarentenas em hotéis de até 21 dias para os viajantes que chegam e hospitalização obrigatória daqueles que testarem positivo, independentemente dos sintomas, além do isolamento forçado de contatos próximos em unidades administradas pelo governo.

A abordagem estrita à covid, motivo de protestos democráticos por vezes violentos ainda em 2019, se desdobraram ao lado de uma lei de segurança nacional que injetou níveis sem precedentes de imprevisibilidade a região que já foi conhecida por estabilidade na reabertura.

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Embora um recente surto devastador da variante ômicron tenha forçado o governo a relaxar algumas restrições em meio a um êxodo de expatriados e residentes, Hong Kong não deu nenhum sinal de que planeja abandonar a estratégia de “covid zero” emprestada da China. A estratégia visa eliminar totalmente os casos locais, em vez de arriscar a abertura.

“Olhando para a participação comparativamente esmagadora entre nossa base de membros, o resultado deve servir como um forte aviso de que os últimos meses e anos afetaram a comunidade empresarial europeia e sua confiança”, disse Frederik Gollob, presidente da câmara europeia. “Anúncios recentes proporcionaram algum alívio, mas em grande parte foi percebido como um pouco tarde demais. Precisamos de um plano claro de volta ao normal para criar um impulso positivo. Restabelecer Hong Kong como ‘Região Mundial da Ásia’ deve ser o objetivo daqui para frente”.

A pesquisa foi realizada entre meados de janeiro e início de fevereiro de 2022, à medida que um novo surto de coronavírus ganhava ritmo e as restrições eram ainda mais rígidas. Foram 260 entrevistados representando empresas em mais de uma dúzia de hubs de negócios europeus. Cerca de 70% dos indivíduos trabalhavam em empresas com menos de 100 funcionários, enquanto cerca de 30% representavam empresas maiores.

Porta-vozes do governo de Hong Kong não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre a situação, enviado por e-mail. Em comentários recentes, a chefe-executiva de Hong Kong, Carrie Lam, reconheceu que as medidas rigorosas da região estavam afetando os moradores já cansados das restrições, bem como a reputação internacional do centro financeiro.

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“Tenho uma forte sensação de que a tolerância das pessoas está diminuindo”, disse ela a repórteres em uma entrevista em 17 de março. “Tenho uma grande sensação de que algumas de nossas instituições financeiras estão perdendo a paciência com esse status isolado de Hong Kong”, disse.

Os resultados sombrios ecoam outras pesquisas, incluindo uma recente da Câmara de Comércio Americana que descobriu que 44% dos entrevistados provavelmente deixariam a cidade, com cerca de 60% dizendo que as restrições de viagens internacionais da cidade eram o maior desafio para as empresas.

– Esta notícia foi traduzida por Melina Flynn, content producer da Bloomberg Línea.

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