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Mercados

China vê saída de capital ‘sem precedentes’ com a guerra, diz IIF

Investidores estrangeiros reduziram suas participações em títulos do governo chinês pela maior quantidade já registrada em fevereiro

O mercado de ações chinês também caiu no início deste mês
Por Ye Xie e Maria Elena Vizcaino
24 de Março, 2022 | 04:24 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — A China tem testemunhado uma retirada de dinheiro do país em uma escala “sem precedentes, por parte de investidores, desde que a Rússia invadiu a Ucrânia no final de fevereiro, marcando uma mudança “muito incomum” nos fluxos globais de capital em mercados emergentes, de acordo com o Institute of International Finance.

Dados de alta frequência detectaram grandes saídas de portfólio de ações e títulos chineses, mesmo com a manutenção dos fluxos para outros mercados emergentes, escreveu o IIF em um relatório na quinta-feira (24).

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“As saídas da China na escala e intensidade que estamos vendo são sem precedentes, especialmente porque não estamos vendo saídas semelhantes no resto dos mercados emergentes”, escreveram o economista-chefe do IIF, Robin Brooks, e seus colegas. “O momento das saídas – que ocorreram após a invasão da Ucrânia pela Rússia – sugere que os investidores estrangeiros podem estar olhando para a China sob uma nova ótica, embora seja prematuro tirar conclusões definitivas a esse respeito.”

Dados oficiais mostraram que os investidores estrangeiros reduziram suas participações em títulos do governo chinês pela maior quantidade já registrada em fevereiro, em parte porque a guerra Rússia-Ucrânia estimulou resgates entre investidores globais de renda fixa. As sanções congelaram as reservas estrangeiras do banco central russo mantidas em euros e dólares, levando a especulações de que Moscou pode vender sua participação em ativos chineses para arrecadar fundos.

O mercado de ações chinês também caiu no início deste mês, com a retirada de investidores estrangeiros, em parte devido à preocupação de que as sanções dos EUA e da União Europeia à Rússia possam de alguma forma se espalhar para a China. O mercado de ações se recuperou desde a semana passada, quando os formuladores de políticas se comprometeram a apoiar os mercados de capitais.

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Padhraic Garvey, chefe de dívida global e estratégia de taxas do ING Financial Markets, disse que é muito cedo para dizer se é uma tendência. Ele disse que as saídas podem indicar que alguns investidores decidiram não reinvestir os recursos dos títulos até que “surja maior clareza sobre a crise na Rússia”.

“Muitas vezes, esses fluxos podem ser impulsionados por resgates que não são correspondidos por dinheiro novo, pois é necessário um fluxo constante de dinheiro novo apenas para permanecer investido, principalmente em títulos”, disse ele. “Pode ser que os fluxos líquidos sejam retomados nas próximas semanas e meses.”

– Esta notícia foi traduzida por Marcelle Castro, Localization Specialist da Bloomberg Línea.

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