Mercados

Em dia de Fed, ações sobem por conversas diplomáticas e apoio chinês ao mercado

Bolsas na Europa e futuros de índices nos EUA operam com altas significativas, enquanto ouro e petróleo encadeiam quedas

As variáveis que orientarão os mercados
16 de Março, 2022 | 08:54 am
Tempo de leitura: 4 minutos

Barcelona, Espanha — O Federal Reserve (Fed) será o grande protagonista do dia, mas os sinais de que se produza algum entendimento entre Rússia e Ucrânia dão o impulso de alta aos mercados. Os futuros dos EUA e as ações europeias ampliaram os ganhos depois que o Kremlin insinuou um progresso nas conversações de paz com a Ucrânia, somando-se ao sentimento positivo alimentado pelo juramento da China de estabilizar seus mercados.

Os contratos indexados ao Nasdaq 100 encostaram nos 2%, enquanto os contratos no S&P 500 subiram mais de 1%. As ações chinesas listadas nos EUA dispararam, com a Alibaba Group Holding Ltd. e a Baidu Inc. ambas subindo pelo menos 20% na pré-abertura. Didi Global Inc. saltou mais de 40%. O índice Stoxx Europe 600, por sua vez, superou os 2,5% de valorização, com as ações de tecnologia liderando o avanço.

Os títulos do Tesouro norte-americanos a 10 anos mostravam prêmios ligeiramente maiores, enquanto o dólar recuava antes da decisão sobre as taxas pelo Fed. Ouro e petróleo encadeavam baixas.

⚠️ Sobre a guerra

Oficiais da Ucrânia e da Rússia estão prontos para nova rodada de conversas nesta quarta-feira, após um conselheiro importante do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy chamar as negociações de “difíceis”, mas afirmar que há espaço para concessões. A proposta ucraniana de se tornar um país neutro, mas manter suas próprias forças armadas “poderia ser vista como um certo tipo de compromisso”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na quarta-feira, alimentando a esperança de que possam chegar a um acordo para pôs fim à guerra.

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O presidente Joe Biden viajará no próximo dia 24 para a Europa para participar de reuniões de cúpula da OTAN e da União Europeia para discutir os últimos acontecimentos sobre a guerra da Ucrânia com os principais aliados.

💫 Recuperação estelar

Os mercados asiáticos também dão sua contribuição ao movimento de alta nas bolsas. As ações em Hong Kong e na China tiveram uma impressionante recuperação depois que autoridades chinesas prometeram manter sua bolsa de valores estável em meio a um movimento histórico que apagou US$ 1,5 trilhão em valor durante as duas últimas sessões. Além de um novo lockdown na China, o mercado reagiu a especulações de que os laços de Pequim com a Rússia prejudicariam sua relação com os EUA. Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, o vice-primeiro-ministro chinês Liu He disse que os esforços para “retificar” as empresas de internet devem terminar em breve, o que aliviaria as tensões sobre o cerco do país ao setor.

🏦 Dia de Fed

Investidores do mundo todo querem constatar se uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros norte-americanos se confirma. É praticamente certo que o banco central dos Estados Unidos opte por elevar sua taxa de referência nesta proporção, criando um divisor de águas na luta contra a inflação, já que desde 2018 o Fed não eleva o custo do dinheiro.

O mercado projeta entre seis e sete aumentos de juros pelo Fed este ano, o que seria uma resposta mais enérgica para deter uma inflação que se tornou a maior em 40 anos.

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Porém, como a situação global se agravou com a guerra deflagrada pela Rússia, a busca por pistas que permitam aos investidores entender os impactos sobre a economia é grande. A invasão à Rússia criou um contexto de risco de desabastecimento e forte pressão sobre os preços das commodities, o que trará consequências visíveis ao bolso dos consumidores.

🇧🇷 Dia decisivo também no Brasil

A política monetária também é assunto de destaque no Brasil. O Comitê de Política Monetária (Copom) arbitra sobre a taxa de juros do país. Espera-se que siga com a mão pesada no aumento da Selic, uma reação à alta dos combustíveis e à aceleração maior que o previsto do IPCA de fevereiro.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: Aversão ao risco em nível máximo

Alta com notícias da China e Rússia-Ucrânia em dia de reunião do Feddfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (+1,82%), S&P 500 (+2,14%), Nasdaq (+2,92%), Stoxx 600 (-0,28%), Ibovespa (-0,88%)

As bolsas norte-americanas se recuperaram de um mau começo de semana, depois que os preços do petróleo recuaram e ajudaram a impulsionar as ações ligadas ao setor de aviação, fortemente atingido pelo aumento dos preços dos combustíveis. A atenção dos mercados se dividiu entre o sucesso das negociações Rússia-Ucrânia e a reunião do Fed.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• EUA: Decisão sobre juros pelo Fed, Relatório mensal da IEA, Pedidos de Hipotecas MBA/Semanal, Índice do Mercado Hipotecário, Vendas no Varejo/Fev, Estoques das Empresas/Jan, Estoques de Petróleo Bruto, Atividade das refinarias de Petróleo pela EIA/Semanal, Produção de Gasolina

• Europa: Itália (IPC/Fev)

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• Ásia: Japão (Utilização da Capacidade Instalada/Jan, Produção Industrial/Jan, Núcleo de Encomendas de Maquinaria/Jan)

América Latina: Brasil (Decisão sobre juros pelo BCB, IGP-10/Mar, Crescimento do Setor de Serviços/Jan, Fluxo Cambial Estrangeiro)

• Bancos centrais: Pronunciamentos de Fabio Panetta e Frank Elderson (BCE)

📌 E para amanhã:

• EUA: Licenças de Construção/Fev; Construção de Novas Casas/Fev, Pedidos iniciais de Seguro-Desemprego; Produção Industrial/Fev; Utilização da Capacidade Instalada/Fev; Índice de Atividade Industrial Fed Filadélfia/Mar); Estoques de Gás Natural; Vendas da Indústria/Fev

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• Europa: Zona do Euro (IPC/Fev); Alemanha (Licenciamento de Veículos/Fev); Espanha (Balança Comercial)

• Ásia: Japão (IPC/Fev)

• Bancos centrais: Decisão sobre taxas de juros do Bank of England (BoE, às 9h de Brasília) e do Bank of Japan (BoJ, às 23h30). Pronunciamentos de membros do BCE: Christine Lagarde (presidente), Elizabeth McCaul, Philip Lane (BCE), Isabel Schnabel, Ignazio Visco

• América Latina: Brasil (IBC-Br/Jan)

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-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.

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