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O Groupon para condomínios: Trela capta US$ 25 milhões com o SoftBank

SoftBank, Kaszek, General Catalyst, Y Combinator e o CEO da Ualá, Piepaolo Barbieri, participaram da rodada Série A no “Pinduoduo da América Latina”

Cofundadores da Trela: João Jonk, Guilherme Nazareth e Guilherme Alvarenga
08 de Março, 2022 | 09:12 am
Tempo de leitura: 3 minutos

A Trela, startup que conecta produtores de alimentos a compradores por meio de compras em grupo, anunciou nesta terça-feira (8) que recebeu US$ 25 milhões em uma rodada liderada pelo SoftBank Latin America Fund. A Série A também contou com investidores como Kaszek, General Catalyst, Y Combinator e o fundador e CEO da fintech argentina Ualá, Pierpaolo Barbieri.

O CEO e cofundador da startup é Guilherme Nazareth. Ele morava em São Francisco, onde era diretor de ciência de dados da Handle.com. Quando o dólar subiu e o real desvalorizou no começo da pandemia, ele resolveu voltar para o Brasil para ter seu primeiro empreendimento.

Em Porto Alegre, sua cidade natal, Nazareth conversou com produtores locais para descobrir como otimizar o negócio do pequeno varejo com tecnologia. A Trela nasceu em 2020 quando ele conheceu seu sócio e CTO, Guilherme Alvarenga. “Ele tinha um grupo de WhatsApp no condomínio dele em Nova Lima, Minas Gerais, em que as pessoas vizinhas se juntavam para comprar alimentos mais baratos com os produtores”.

Essa foi a ideia da Trela, cortar intermediários, como supermercados, e entregar diretamente para o consumidor com um preço mais baixo. “A parte mais interessante era que esse grupo de WhatsApp estava lotado, tinha uma fila de espera de 100 pessoas para entrar. Isso me fisgou. Era uma experiência que o consumidor estava valorizando e batendo na porta, pedindo pra entrar”.

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Com a ideia de criar um aplicativo que funcionasse como esse agregador para vizinhos de um prédio ou condomínio, a empresa foi acelerada entre janeiro e março de 2021 pelo Y Combinator e logo depois recebeu uma rodada Seed de R$ 16 milhões da Kaszek e General Catalyst. Nazareth diz que a startup cresce em média 45% ao mês, mas não divulga número de clientes.

A startup nasceu com o nome de Zapt, em Nova Lima, antes de passar por um rebranding. “Juntamos as pessoas através dos grupos de compra para que elas tenham o poder de barganha e uma otimização logística para cortar intermediários com os produtores, ter preço de atacado e frete grátis”, explica o CEO. A Trela cobra uma taxa do fornecedor.

Depois de Nova Lima, a startup passou a atuar na capital mineira, Belo Horizonte, que ainda é o maior mercado da Trela, mesmo com operações em São Paulo e na região metropolitana. Quem faz as entregas é o fornecedor, embora a Trela esteja testando um modelo em que um parceiro de logística da startup possa fazer a entrega, com uma taxa maior ao fornecedor.

O público-alvo da startup são os condomínios e vizinhos de prédios de classe alta. A empresa tem 33 funcionários e quer chegar a 100 até o fim do ano, crescendo 80 vezes a receita em 2022.

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A nova rodada será investida também na melhoria do produto, com um aplicativo para o fornecedor, e melhor ferramentas de entrega. A expansão geográfica é outro alvo. A Trela pretende adicionar mais três cidades brasileiras neste ano e investir em logística.

A empresa quer ser como o Pinduoduo, da China, onde os clientes tenham acesso a pescados, comidas congeladas, hortifruti, frutas secas e produtos selecionados diretamente com o produtor, mas com o diferencial da entrega em condomínios. A proposta de valor da empresa está relacionada com a seleção dos produtos e o menor preço.

“Os e-commerces de comida estão focando todo o capital em conveniência. Ou seja, entregar algo em dez minutos. O tempo de acesso a um produto é um problema válido para se resolver, mas eu acho que esse mercado está muito saturado. Não temos a ambição de ter a entrega mais rápida. A gente vai entregar para as pessoas com credibilidade no dia seguinte porque a gente está conectando as pontas, o cliente tem maior qualidade por menos preço”, disse o CEO.

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Isabela  Fleischmann

Isabela Fleischmann BR

Jornalista brasileira especializada na cobertura de tecnologia, inovação e startups

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