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Mercados

Nasdaq vira e sobe 0,3%; Bitcoin e commodities disparam

Mais de 80% das ações de empresas do S&P 500 caíram, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro de dois anos recuou para 1,43%, com as apostas de aperto pelo Federal Reserve recuando

A monitor displays stock information on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, U.S., on Friday, Dec. 31, 2021. U.S. stocks swung between gains and losses, with moves exacerbated by thin trading on the last session of the year. Photographer: Michael Nagle/Bloomberg
Por Rita Nazareth
28 de Fevereiro, 2022 | 06:33 pm
Tempo de leitura: 5 minutos

Bloomberg — Os mercados de ações dos EUA quase zeraram as fortes perdas registradas nesta segunda-feira, enquanto títulos soberanos e commodities em geral subiram em meio ao aumento da incerteza após uma nova onda de sanções contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.

O S&P 500 (SPX) reduziu a maior parte de sua queda, enquanto ainda registrava seu segundo mês de quedas - a mais longa sequência de perdas desde outubro de 2020. O Nasdaq 100 (NDX), referência em tecnologia, terminou em alta.

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Cerca de 80% das ações de empresas do S&P 500 (SPX) caíram, com o indicador no seu segundo mês de declínio – a mais longa sequência de perdas desde outubro de 2020. O Índice de Volatilidade Cboe (VIX), conhecido como o “termômetro do medo” do mercado, teve forte alta. Os títulos do Tesouro saltaram, levando os rendimentos dos papéis de dois anos para perto de onde estavam antes de uma inflação mais acentuada relatada no início deste mês.

O franco suíço teve sua maior cotação em relação ao euro desde 2018. O ouro se manteve perto do pico de mais de 13 meses atingido na semana passada. O petróleo reduziu sua alta enquanto os EUA e seus aliados estudam liberar cerca de 60 milhões de barris de petróleo bruto dos estoques de emergência para conter os temores de fornecimento. O Bitcoin (BTC) teve forte alta junto com outras criptomoedas, retomando o nível de US$ 40 mil.

Investimentos defensivos

As altas do dólar, do ouro e dos títulos do governo dos EUA sublinharam a demanda por ativos considerados defensivos. O euro caiu devido a preocupações com os riscos para a economia da Europa, que depende da energia russa. O rublo perdeu um terço de seu valor nos mercados offshore nesta segunda-feira e o custo do seguro da dívida do governo sinalizou uma probabilidade de inadimplência de 56%.

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A Ucrânia iniciou conversas com Moscou em uma tentativa de acabar com a invasão do presidente Vladimir Putin, já que a oferta do exército russo de um corredor humanitário saindo de Kiev levantou temores de que o país planejava um ataque em grande escala à capital.

As negociações ocorrem no momento em que novas sanções isolam ainda mais a Rússia, uma país rico em commodities, das finanças globais, buscando impedir que seu banco central de usar as reservas cambiais em moeda estrangeira para atenuar sanções. Eles também excluem alguns credores russos do sistema de mensagens Swift, que possibilita transferências internacionais de trilhões de dólares.

O governo do presidente Joe Biden proibiu na segunda-feira pessoas e empresas de fazer negócios com o Banco da Rússia, o fundo soberano russo e o Ministério das Finanças do país.

Rússia sobe juros e fecha a bolsa

O Banco da Rússia agiu rapidamente para proteger sua economia. O BC local mais do que dobrou sua taxa básica de juros para 20%, a mais alta em quase duas décadas, e impôs alguns controles sobre o fluxo de capital. Enfrentando o risco de uma corrida bancária, uma rápida liquidação de ativos e a maior desvalorização do rublo desde 1998, os formuladores de política monetária também proibiram as corretoras de vender títulos detidos por estrangeiros a partir de segunda-feira na Bolsa de Moscou.

Os exportadores russos foram obrigados a vender moeda forte e a negociação de ações foi temporariamente suspensa em Moscou. Em outra decisão sobre o mercado de câmbio, que flutua desde 2014, a moeda russa não poderá ultrapassar um determinado intervalo, a menos que o banco central mude a banda cambial de negociação, de acordo com um comunicado.

A escalada do conflito e as sanções mais severas estão agitando os mercados. As hostilidades ameaçam atiçar a inflação ao colocar em risco os fluxos de recursos essenciais, como grãos, energia e metais, exacerbando as pressões de preços da era da pandemia que já pesavam sobre o crescimento mundial.

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Uma questão-chave é como tudo isso pode afetar o plano do Federal Reserve para uma série de aumentos nas taxas de juros a partir de março. Os mercados agora veem chances menores de uma decolagem agressiva do Fed e antecipam pouco menos de seis altas em 2022. Enquanto isso, o Goldman Sachs Group Inc. (GS) ajustou seus modelos e agora vê as taxas do Fed subindo mais que o esperado em 2023.

“Estamos apenas a alguns dias de uma espécie de reorientação única na ordem global”, disse Homin Lee, macroestrategista da Ásia como Lombard Odier, à Bloomberg Television. “Esta transição não será suave” e as incertezas permanecerão muito altas nas próximas semanas, disse ele.

ETF russo cai 30%

O maior fundo negociado em bolsa que acompanha as ações russas, o VanEck Russia ETF, caiu até 30% nesta segunda. Ações de tecnologia também têm perdas, enquanto nomes de defesa, como a Lockheed Martin Corp., devem subir à medida que as ações de defesa europeias dispararam depois que a Alemanha disse que aumentará os gastos.

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As ações de bancos europeus ligados à Rússia sofreram as quedas mais acentuadas nas bolsas da região na segunda-feira, com o austríaco Raiffeisen Bank International AG caindo até 18,5%, junto com o francês Société Générale SA e o italiano UniCredit SpA. e a Polymetal International Plc tendo o pior desempenho no Índice Stoxx 600 da Europa.

As ações da BP Plc (BP) caíram cerca de 5% após a decisão da empresa de encerrar a controversa aliança com a Rosneft PJSC. A companhia com sede em Londres alertou que poderia sofrer um impacto financeiro de até US$ 25 bilhões com a saída da Rússia. A Noruega planeja desinvestir ativos russos de seu fundo soberano de US$ 1,3 trilhão.

O conflito “provavelmente aumentará significativamente os preços da energia, resultando em efeitos inflacionários imediatos e um grande obstáculo ao crescimento global”, escreveu Silvia Dall’Angelo, economista sênior da Federated Hermes, em nota. “É justo dizer que a crise aumenta o espaço para erros de política dos bancos centrais.”

O que acompanhar nesta semana:

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  • Discurso do presidente Joe Biden sobre o Estado da União, na terça-feira;
  • Decisão de política monetária do Reserve Bank of Australia, terça-feira;
  • Presidente do Fed, Jerome Powell, fala no Congresso sobre política monetária, quarta e quinta-feira;
  • Reunião da OPEP+, quarta-feira;
  • IPC da zona euro, quarta-feira;
  • Decisão da taxa do Banco do Canadá, quarta-feira;
  • BCE publica a ata da sua reunião de fevereiro, quinta-feira;
  • EUA: Payroll, folhas de pagamento não agrícola, sexta-feira;

Alguns dos principais movimentos nos mercados:

Ações

  • O S&P 500 (SPX) terminou com baixa de 0,2%;
  • O Nasdaq 100 (NDX) subiu 0,3%;
  • O Dow Jones Industrial (INDU) recuou 0,5%;
  • O MSCI World Index (MXWO) ficou estável;

Moedas

  • O Bloomberg Dollar Spot Index (DXY) operava estável;
  • O euro (EUR) recuava 0,5% para US$ 1,1212;
  • O iene japonês (JPY) subia 0,5% para 114,94 por dólar;
  • A libra esterlina (GBP) operava estável a US$ 1,3420 por dólar;

Renda fixa

  • O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos recuaram 13 pontos base para 1,83%;
  • O rendimento de 10 anos da Alemanha recuou 10 pontos base para 0,13%;
  • O rendimento de 10 anos do Reino Unido caiu cinco pontos base para 1,41%;

Commodities

  • O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) subia 4,6% para US$ 95,78 o barril;
  • O ouro subiu 1,3% a US$ 1.911,70 a onça.

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