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Dólar ameaça sair dos R$ 5 com inflação acima do esperado

Avanço do IPCA-15 em fevereiro indica que Banco Central tenha que elevar a taxa básica de juros, o que fortalece o real

Perto das 10h50, o dólar recuava 1,03%, a R$ 5,0042
23 de Fevereiro, 2022 | 10:56 am
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Bloomberg Línea — A alta de 0,99% do IPCA-15, a medida prévia da inflação, desta quarta-feira (23) está levando os investidores a apostarem numa alta mais robusta da taxa básica de juros pelo Banco Central, apoiando a queda do dólar ante o real para quase abaixo dos R$ 5 - patamar não visto desde junho de 2021.

Enquanto isso, o Ibovespa (IBOV) acompanhava a recuperação das bolsas no exterior e avançava com impulso das Lojas Americanas (AMER3) e de outras varejistas, na esteira da retomada dos serviços do site do grupo após um problema técnico deixar impossibilitar as compras online na véspera.

  • Perto das 10h50, o dólar recuava 1,03%, a R$ 5,0042
  • Já o principal índice da bolsa brasileira avançava 0,67%, a 113,714 pontos
  • Os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) e da Via (VIIA3) subiam acompanhando, assim como os da Locaweb (LWSA3) e os da Méliuz (CASH3)

Os investidores parecem ter deixado as preocupações geopolíticas momentaneamente de lado após o presidente americano Joe Biden anunciar algumas sanções contra Rússia pelo que ele chamou de um “princípio de invasão da Ucrânia”.

  • Lá fora, os futuros de índices como o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq avançavam, assim como os da Europa
  • Dentre as commodities, os contratos futuros de minério de ferro voltaram a subir na China, diante da melhora da perspectiva da demanda graças às medidas de apoio ao conturbado mercado imobiliário do país.
    • A Vale (VALE3) operava próxima a estabilidade, com leve queda de 0,19%
    • A Rio Tinto, concorrente da mineradora brasileira, anunciou que pagará dividendos de US$ 7,7 bilhões com recorde de lucros

Inflação acima do esperado

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, teve alta de 0,99% em fevereiro, acelerando em relação aos 0,58% registrados no mês anterior com o impacto habitual do setor de Educação no início do ano, além da alta dos preços dos alimentos.

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Conforme divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (23), nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 10,76% e de 1,58% no ano.

Com isso, traders aumentam as apostas de que o BC possa aumentar o ritmo das altas de juros nos próximos meses, a começar com a reunião marcada para março.

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Ana Siedschlag

Ana Carolina Siedschlag

Editora na Bloomberg Línea. Jornalista brasileira formada pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em finanças e investimentos. Passou pelas redações da Forbes Brasil, Bloomberg Brasil e Investing.com.

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