Internacional

Empresas se preparam para inflação mais longa após covid nos EUA

Companhias já apostam que esses aumentos de custos durarão mais do que muitos economistas estão prevendo

Trabalhadores em greve na John Deere
Por Shawn Donnan e Emma Kinery
22 de Fevereiro, 2022 | 09:19 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — À medida que as empresas e os consumidores dos EUA enfrentam a inflação mais alta em quatro décadas, algumas companhias já apostam que esses aumentos de custos durarão mais do que muitos economistas estão prevendo.

Na fabricante de peças de equipamentos agrícolas HCC, o presidente Brian Nelson está contando com dois a três anos de custos mais altos. A empresa, com sede em Mendota, Illinois, e que é fornecedora para indústrias como a Deere, está antecipando este ano um aumento percentual de dois dígitos em sua massa salarial.

Ainda é um território novo para empresas, incluindo a HCC, que por décadas operaram em uma economia dos EUA onde as taxas de inflação raramente ultrapassavam a meta de 2% do Federal Reserve. Mas com os preços subindo mais do que o dobro dessa marca, e sem nenhum sinal de terem atingido o pico, a dinâmica está começando a mudar o comportamento.

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Ciclo inflacionário

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“A inflação é inercial”, diz Diane Swonk, economista-chefe da consultoria Grant Thornton. “Tivemos períodos longos de inflação baixa porque ela gera inflação baixa. E inflação mais alta gera inflação mais alta.”

Parte dessa dinâmica pode ser vista na inflação de preços de bens se espalhando para certos serviços.

Anna Wong, economista-chefe da Bloomberg Economics nos EUA, aponta que o aumento nos preços dos carros, que tem sido um grande impulsionador da inflação no ano passado, alimentou, por sua vez, uma elevação no custo do seguro de veículos. A mesma dinâmica vale para o seguro residencial e de saúde.

“É assim que um choque transitório pode levar a choques mais persistentes”, diz ela.

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Os salários são uma categoria-chave em que os aumentos estão produzindo efeitos indiretos.

A escassez de mão de obra estimulou a Batesville Tool & Die, com sede em Indiana, a aumentar os salários de iniciantes no ano passado de US$ 10 por hora para US$ 15, uma medida que desencadeou reajustes mais amplos na força de trabalho, elevando a conta geral de 20% a 25%, segundo Jody Fledderman, diretor executivo da empresa.

E o valor ainda está subindo. O pagamento por hora está agora mais próximo de US$ 17,50, e Fledderman se preocupa que o aumento de 3% na folha de pagamento previsto para 2022 já possa parecer muito baixo.

Existe uma possibilidade real de que, a menos que os EUA entrem em recessão, minando a inflação, os ganhos nos preços ao consumidor possam ficar bem acima da zona de conforto de 2% do Fed até 2024, de acordo com Jason Furman, que liderou o Conselho de Assessores Econômicos do governo Obama e agora leciona na Universidade de Harvard.

“É definitivamente possível que, pela primeira vez em décadas, a inflação seja um problema em uma campanha presidencial em 2024”, diz Furman. Ele prevê alta nos preços ao consumidor de 4% a 4,5% no final deste ano, ante 7,5% em janeiro.

Uma pesquisa do Fed em Atlanta divulgada este mês constatou que as expectativas das empresas para a inflação aumentaram substancialmente em fevereiro, atingindo 3,6%. Aproximadamente 40% das empresas pesquisadas esperavam uma pressão significativa de alta nos preços de mão de obra e outros custos.

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Para algumas empresas, a inflação persistentemente alta tem seus benefícios.

Axel Hefer, CEO da Trivago NV, o site global de viagens, diz que preços mais altos significam mais negócios para um site de comparação como o dele. “Prevemos que os viajantes se tornem mais conscientes dos custos e, por isso, a relevância da comparação de preços também aumentará.”

John Furner, CEO da varejista Walmart, diz que crises de preços mais altos atraem consumidores para as lojas da empresa. “Famílias de renda média, famílias de renda média-baixa e até famílias mais ricas se tornam mais sensíveis aos preços, e isso é uma vantagem para nós.”

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