Agro

Quem são os principais clientes do agro do Brasil?

Somente os 10 principais parceiros colocaram no país quase US$ 50 bilhões

China e Europa são os principais destinos dos produtos do agronegócio do Brasil
09 de Janeiro, 2022 | 08:02 am
Tempo de leitura: 7 minutos

Bloomberg Línea — Os dez principais destinos das exportações agropecuárias brasileiras países importadores colocaram nos cofres nacionais US$ 48 bilhões, valor que representa um crescimento de 25% em comparação aos US$ 38,2 bilhões, levando-se em consideração apenas os 10 itens mais vendidos pelo Brasil.

A China foi o país que mais comprou produtos do Brasil no ano passado. Foram US$ 34,3 bilhões gastos com soja, carne bovina, óleo de soja, suco de laranja, entre outros. Os chineses gastaram 24,4% mais com os produtos do agronegócio do Brasil, mantendo-se como principal destino do setor. Nem mesmo os mais de 100 dias de embargo nas exportações de carne bovina e alguns deslizes do Executivo nas relações diplomáticas impediram que o país asiático se afastasse do Brasil do ponto de vista comercial.

Em segundo lugar aparece a Espanha. O país ibérico se manteve na mesma posição que havia alcançado em 2020, porém, ampliou de forma significativa suas compras dos principais produtos do agronegócio nacional. Entre farelo, soja, café, milho e outros, o Brasil exportou para a Espanha em 2021 quase US$ 2,3 bilhões. O resultado representou um crescimento de 47,6% em comparação aos US$ 1,54 bilhão obtidos em 2020.

Soja

A soja foi o principal produto de exportação agronegócio do Brasil no ano passado. O país embarcou o volume recorde de 86,1 milhões de toneladas, 3,8% maior do que o registrado no ano anterior. Apesar dos problemas climáticos e logísticos, o país se manteve entre os líderes do comércio internacional, tendo a China como o maior destino. Os embarques para o mercado chinês chegaram a 60,4 milhões de toneladas, uma pequena variação em relação às 60,5 milhões vendidas em 2020.

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Com o aumento do volume exportado e a estabilização das vendas para a China, a participação do país asiático foi de 70% nos embarques totais. Apesar de ainda ser uma fatia extremamente elevada, é a menor participação que a China obteve nos últimos dez anos.

Óleo de soja

Com a redução da demanda interna por biodiesel, as esmagadoras de soja encontraram no mercado internacional um canal para o escoamento da produção. As exportações de óleo de soja cresceram 48% no ano passado e chegaram a 1,65 milhão de toneladas. A Ásia foi o principal destino das vendas externas do país. A Índia quase dobrou o volume de óleo do Brasil, elevando de 381 mil toneladas em 2020 para as 642 mil toneladas no ano passado. A China foi o segundo principal destino. O Brasil embarcou para o país 427 mil toneladas, volume 96,7% superior ao registrado no ano anterior.

Farelo de soja

O farelo de soja também teve um ano de crescimento. As exportações brasileiras passaram de 3,14 milhões de toneladas em 2020 para 3,37 milhões de toneladas em 2021, desemprenho que representou um crescimento de 7,4%. A Polônia, principal destino do produto brasileiro se manteve na liderança, porém, reduzindo suas compras em relação a 2020. O país europeu importou 410 mil toneladas, quase 9% a menos que o ano anterior. No sentido oposto, Tailândia e Coreia do Sul ampliaram as compras do Brasil em 48,2% e 75%, respectivamente os volumes importados no ano passado.

Carne bovina

A China importou no ano passado 41% de toda a carne bovina que o Brasil exportou. Apesar de ainda ter sido o principal cliente dos frigoríficos nacionais, o país reduziu em quase 17% suas compras por conta do embargo às exportações iniciado em setembro e finalizado depois de quase quatro meses.

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Veja mais: Lembre como foi o embargo da China à carne do Brasil em 2021

Sem poder contar com seu principal cliente durante mais de 100 dias, o Brasil viu suas exportações de carne bovina caírem quase 8% para 1,75 milhão de toneladas. Essa foi a primeira queda nos embarques do Brasil desde 2016 e o menor volume exportado desde 2018.

Com a China fora das compras entre setembro e dezembro, o Brasil viu as vendas para outros destinos crescerem de forma significativa no ano passado. Os embarques para o Chile cresceram 21,6% para 86,5 mil toneladas, enquanto as vendas para os Estados Unidos quadruplicaram e chegaram a 85,2 mil toneladas.

Veja mais: Consumo de carne bovina no Brasil é o menor em 28 anos

Carne de frango

As vendas de carne de frango para o mercado internacional totalizaram 4,6 milhões de toneladas em 2021, maior volume já registrado pelo setor em um único ano. O número superou em 9% o total exportado pelo Brasil em 2020, quando foram embarcadas 4,23 milhões de toneladas.

Os mercados da Ásia, da África e da Europa mantiveram a alta das exportações brasileiras no ano passado. Principal destino das exportações de carne de frango do Brasil, a Ásia importou 1,64 milhão de toneladas em 2021, resultado 0,5% superior ao registrado no mesmo período de 2020. A China continua como principal importador e compras de 640 mil toneladas (-4,86%). Outros destaques da região foram Japão e Filipinas, que importaram, respectivamente, 448,9 mil toneladas (+9,35%) e 168 mil toneladas (+180%).

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Carne suína

As exportações brasileiras de carne suína encerraram 2021 com total de 1,13 milhão de toneladas. É o maior resultado já alcançado pelos exportadores brasileiros em um único ano, e supera em 11% o volume exportado em 2020, com 1,02 milhão de toneladas, até então, o maior volume já exportado. Principal destino das exportações em 2021, as vendas de carne suína para a China totalizaram 533,7 mil toneladas nos doze meses do ano, volume 3,9% maior que o realizado em 2020. Outros destaques foram Chile, com 61 mil toneladas (+39,2%). Vietnã, com 44,9 mil toneladas (+11,4%), Argentina, com 37,8 mil toneladas (+97,5%) e Filipinas com 33,4 mil toneladas (+321,5%).

Milho

As exportações de milho caíram no ano passado ao menor patamar em uma década. A seca que reduziu drasticamente a segunda safra do cereal no Brasil, seguida por ocorrências de geadas na região Sul, impactaram diretamente na disponibilidade do produto à exportação. O Brasil embarcou em 2021 quase 20,5 milhões de toneladas, volume que representa uma queda de 40% nas vendas externas.

Com uma menor disponibilidade, praticamente todos os clientes do milho brasileiro reduziram suas compras no ano passado. Contudo, o Egito foi um dos poucos a conseguir elevar suas importações do cereal brasileiro. O país ampliou em 3% suas compras, superou o Irã e passou a ser o principal destino das exportações de milho do Brasil, com uma fatia de 16%.

Café

O caos logístico que se instalou nos principais portos do Brasil em 2021 com o cancelamento de embarques e falta de containers impediu que as exportações de café crescessem no ano passado. Com preços em altas, muitas empresas acabaram perdendo a oportunidade de aproveitar o bom momento do mercado para realizar suas vezes, mesmo tendo o câmbio e o preço favorável. O resultado foi um volume exportado 4% menor em 2021, com o embarque de 39,6 milhões de sacas.

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Clientes tradicionais como Alemanha, Bélgica, Itália e Japão tiveram que reduzir a compra de café brasileiro por conta das condições logísticas. Contudo, o Brasil manteve aquecido o abastecimento de seu principal cliente, os Estados Unidos, para onde as exportações cresceram 4% no ano passado e chegaram a 7,42 milhões de sacas.

Açúcar

A cana-de-açúcar foi outra lavouras bastante prejudicada pela estiagem do ano passado. Com uma menor disponibilidade, a oferta do adoçante para a exportação foi menor e as vendas externas caíram 10% para 23,9 milhões de toneladas em 2021. China e Argélia, os dois principais destino do produto brasileiro reduziram suas compras em 9% e 3%, respectivamente. No entanto, os embarques para a Nigéria, terceiro maior mercado do Brasil cresceram 15% no ano passado e chegaram a 1,85 milhão de toneladas.

Suco de laranja

Depois de um 2020 com vendas externas em queda diante de uma demanda enfraquecida pela pandemia, as exportações de suco de laranja do Brasil voltaram a crescer no ano passado. Os embarques avançaram 10% e alcançaram 2,28 milhões de toneladas, retomando os patamares pré-pandemia. Estados Unidos e Bélgica permaneceram como os principais destinos do suco brasileiro, elevando em 32% e 18%, respectivamente, suas compras de suco de laranja.

A China se consolidou como quarto maior mercado do suco brasileiro, atrás da Holanda. Apesar de a diferença ainda ser significativa para o terceiro colocado, as exportações para o mercado chinês cresceram no ano passado 81%, passando de 43,8 mil toneladas em 2020 para 79,4 mil toneladas no ano passado.

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Alexandre Inacio

Alexandre Inacio

Jornalista brasileiro, com mais de 20 anos de carreira, editor da Bloomberg Línea. Com passagens pela Gazeta Mercantil, Broadcast (Agência Estado) e Valor Econômico, também atuou como chefe de comunicação de multinacionais, órgãos públicos e como consultor de inteligência de mercado de commodities.