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Finanças pessoais

Por que a Taesa vai usar influencers para se aproximar das pessoas físicas da bolsa

EXCLUSIVO: Presidente da Taesa, André Moreira, fala sobre os 500 mil CPFs da base de acionistas, dividendos e leilões

Setor de transmissão é considerado como um dos com maior previsibilidade dentro do ecossistema elétrico
02 de Dezembro, 2021 | 06:47 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

São Paulo — Não convém usar a palavra “sardinha” – termo pejorativamente usado para designar o investidor individual – na presença de alguém da direção da Taesa, uma gigante do setor de transmissão de energia elétrica do país. A empresa está mudando o seu processo de comunicação com o mercado para se aproximar das quase 500 mil pessoas físicas que passaram a fazer parte de sua base acionária nos últimos anos.

Este tipo de investidor, que tem transformado o perfil do mercado acionário brasileiro nos últimos anos, é responsável hoje por 90% da base de acionistas da Taesa e 40% do capital da empresa negociado na bolsa.

“Hoje 13% das pessoas que investem na bolsa têm ações da Taesa e é por isso que pensamos um modelo inédito no mercado de capitais para nos comunicarmos melhor com esse público, que se tornou muito relevante para nós”, disse o presidente da Taesa, André Moreira, em entrevista à Bloomberg Línea nesta quinta-feira.

“A gente acredita bastante na democratização do mercado de ações e apoiamos este movimento”. Grandes investidores institucionais têm posições de centenas de milhões de reais na empresa, como a Blackrock (10, 3 milhões de ações), Vanguard (8 milhões), Banco do Brasil (6,4 milhões).

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O Investor Day da Taesa, que será realizado nesta sexta-feira, foi redesenhado para, além de dialogar com analistas do mercado financeiro e com os grandes institucionais, ter uma programação que inclua também um momento em que a direção da empresa responda a perguntas e tire dúvidas de sete influencers de finanças, que reúnem em torno de 4 milhões de seguidores em redes sociais.

São eles: Luiz Barsi Filho (autor de “Ações que garantem o futuro”), Guilherme Tiglia (Nord Research), Ramiro Gomes Ferreira (Clube do Valor), Ricardo Natali (Lucro FC), Charles Mendlowicz (Economista Sincero), Felipe Tadewald e Tiago Reis (Suno).

“Eles vão ter um papel importante, até de protagonismo, no nosso evento”, contou o CEO.

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André Moreira, presidente da Taesa: aposta na força das pessoas físicasdfd

De certa maneira, a mudança do Investor Day da Taesa é um reconhecimento da legitimidade de youtubers e da FinTwit (comunidade de analistas financeiros que usam o Twitter como plataforma). Trata-se de uma novidade no mercado de capitais brasileiro, mas é um fenômeno mais comum em mercados maduros, como os Estados Unidos.

Ou em outros setores da vida econômica, como na indústria da moda, que viu instagramers e blogueiras tornarem-se mais influentes do que as grandes revistas impressas que dominaram a crítica no passado.

DIVIDENDOS

No balanço do terceiro trimestre, a empresa registrou receitas de R$ 942 milhões (59% maior do que a estimativa dos analistas calculada pela Bloomberg), Ebitida de R$ 713 milhões e lucro de R$ 536 milhões.

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Grande parte da atração que a Taesa exerce sobre investidores individuais se deve à forte política de dividendos que a companhia tem. Este ano, a empresa deve distribuir R$ 1,6 bilhão em dividendos para seus acionistas – R$ 523 milhões, anunciados na noite de quarta-feira (o equivalente a R$ 1,51 por ação).

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No final do evento de amanhã, Monteiro vai falar sobre o planejamento estratégico da empresa – uma parte importante disso ocorre no próximo leilão de cinco novos lotes de transmissão no país, agora em 17 de dezembro, a um valor estimado em R$ 2,9 bilhões.

“Nossa ambição é ganhar vários destes lotes, mas obviamente é uma competição e a gente continua com a nossa disciplina financeira, não vamos fazer nenhuma loucura. Nós queremos obter rentabilidade, não comprar concessão, queremos rentabilidade para o acionista”, disse André Moreira.

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.