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Internacional

Nova variante da Covid: o que sabemos e o que não sabemos até agora

Os 7 fatos principais para entender a Ômicron. Não há dados que indiquem que as atuais vacinas sejam menos potentes

Vacinação
27 de Novembro, 2021 | 12:10 pm
Tempo de leitura: 4 minutos

Desde que foi detectada uma nova variante do coronavírus na África do Sul nesta semana, autoridades do mundo inteiro estão em alerta para a confirmação de que a cepa chegue a seus países através de viajantes que retornaram do sul do continente africano, antes do início das proibições de viagens. O Brasil fechou seus aeroportos a voos vindos de seis países do sul da África.

Aqui estão os principais fatos que sabemos sobre a Omícron e o que não sabemos ainda.

#1 – Qual a diferença entre a Ômicron e outras variantes? Por que a OMS disse que ela preocupa?

A maior preocupação é que a Ômicron pode ter a capacidade de se espalhar mais facilmente do que a Delta, a variante predominante no mundo hoje. Se isso se confirmar, a nova variante poderia causar surtos maiores, mais rápido, e em tese mais difíceis de deter. Hoje, 90% das infecções por Covid-19 registradas no mundo são da variante Delta.

#2 – Não há dados que indiquem que as atuais vacinas sejam ineficazes contra a Ômicron

Na África do Sul, somente 14 milhões de pessoas (24% da população do país) foram completamente vacinadas até agora. Dados coletados na África do Sul, onde a variante foi detectada pela primeira vez, foram coletados em população majoritariamente não vacinada. Portanto, ainda não se sabe se a nova variante pode mesmo superar as vacinas e, caso infecte alguém vacinado, se a doença se manifesta com sintomas severos.

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Na sexta (26), a Pfizer e a BioNTech, fabricantes da vacina, disseram que seriam capazes de reprojetar sua vacina de mRNA com dados genéticos da Ômicron em seis semanas e enviar os primeiros lotes em 100 dias.

Veja mais: Covid continuará gerando variantes até que o mundo todo esteja imune

#3 – Quando a nova variante foi descoberta?

Os primeiros sinais da existência da nova variante surgiram no início desta semana, na África do Sul, quando o número de casos registrados saltou de 300 para 1200 na província que tem Joanesburgo como capital. A primeira desconfiança não foi de uma nova variante, mas de um surto por causa de uma grande festa de estudantes, mas esta hipótese foi descartada porque outros novos casos apareceram na sequência, de maneira mais dispersa. Foi o que levou os cientistas sul-africanos investigar a sequência genômica de amostras virais e, por fim, confirmaram a nova variante, que recebeu o nome da 15ª letra grega ômicron.

Uma análise posterior indicou que casos da nova variante já estavam em outras províncias do país. Há suspeita de ao menos 50 mutações do vírus, um número alto e que indica que a Ômicron está suplantando a Delta.

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Una enfermera prepara una dosis de la vacuna contra el Covid-19 de Pfizer y BioNTech.dfd

#4 – A Ômicron já foi encontrada em outros países?

Vários países estão investigando casos suspeitos da nova variante. A Bélgica confirmou uma, uma autoridade regional na Alemanha disse que é “altamente provável” que a cepa tenha chegado lá, a Holanda está pesquisando 61 novas infecções e a República Tcheca está examinando um caso suspeito. Em Hong Kong, um viajante foi hospitalizado (procedimento padrão) com suspeita da nova variante. O homem havia recebido duas doses da Pfizer e não apresentou sintomas. Ainda não há registro da nova variante no Brasil.

#5 – O Brasil proibiu voos vindos do sul da África. Isso adianta?

A pandemia tem ensinado que quanto mais tarde se demora a agir, pior tende a ficar a situação. Estados Unidos e Europa foram os primeiros a proibir voos.

Veja mais: EUA impõem restrições de viagens do sul da África por nova variante

#6 – A Ômicron já teve 50 mutações. O que isso significa?

Quantidade de mutações não se traduz necessariamente em mais contágio ou letalidade. Várias combinações encontradas na Ômicron já foram encontrados em outras variantes. Algumas mutações fazem o vírus escapar da resposta imune do corpo humano. Outras dizem respeito a como o vírus se liga a células do corpo.

#7 – Ainda há muito a descobrir sobre a Ômicron, mas a ciência está mais bem preparada

O sucesso de uma variante em se espalhar ou não para além do lugar onde surgiu depende de uma série de fatores como demografia e como as infecções já existentes em determinados países interagem com a variante nova. No Brasil, por exemplo, a variante Gama (P.1, amazônica) foi suplantada pela Delta, mas a Delta não teve tanto impacto quanto o esperado no Brasil.

Há um número altíssimo de variantes do SARS-CoV-2, mas a variante delta é predominante, representando 90% das amostras sequenciadas em todo o mundo, de acordo com a plataforma GISAID, ligada à Organização Mundial da Saúde. Apesar de ser mais transmissível que a cepa original causadora da Covid-19 e ter suplantado outras variantes, como a gama (P.1, amazônica), no Brasil a delta não causou tanto impacto quanto o esperado.

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Veja mais: Temor por nova variante pesa e Ibovespa cai mais de 3%

“Existem duas teorias do porquê de a Delta não ter dado tanto problema por aqui, baseadas no fato que a infecção chega de maneira natural ou artificial. Uma delas é a vacinação com a CoronaVac, assim como no Chile, onde a delta não causou tanto dano. Nos outros países que não tinham a CoronaVac, a delta teve mais impacto”, disse a pesquisado a diretora do Laboratório Especial de Ciclo Celular e pesquisadora científica do Butantan Maria Carolina Sabbaga, em uma análise em outubro.

Mesmo que a Ômicron venha a dominar a África do Sul, não está claro se ela suplantará a Delta em outras partes do mundo. O mundo está em condições mais favoráveis para combater a nova variante do que quando a Delta surgiu. Quando a Delta foi considerada uma variante de preocupação pela OMS, ela já havia se espalhado por vários países do mundo.

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.