PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Brasil

Dívida brasileira está ficando mais cara e isso pode afetar percepção de risco

“O aumento da Selic tem impacto imediato sobre 44% da dívida pública do país”, afirmou o diretor da IFI, Felipe Salto

Dívida pública vai ficar mais cara
20 de Outubro, 2021 | 06:38 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

São Paulo — Antes mesmo do ministro João Roma (Cidadania) prometer um benefício de R$ 400 sem indicar de onde sairiam os recursos, dados compilados e analisados pela IFI (Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado Federal) indicam que a trajetória a dívida pública em relação ao PIB – principal métrica para calcular o risco de um país – tende a crescer no futuro, a persistir o quadro de alta nos juros e baixo crescimento do PIB.

PUBLICIDADE

De acordo com o relatório da IFI divulgado nesta quarta-feira (20), a taxa implícita da dívida bruta poderá ficar entre 7% e 7,5% até dezembro, se a Selic atingir 8,25% até o final do ano. Este indicador é calculado pelo Banco Central a partir da razão entre o pagamento de juros e o estoque da dívida.

Veja mais: Guedes: Governo estuda pedir ‘waiver’ de R$ 30 bi para bancar benefício

PUBLICIDADE

“O aumento da Selic tem impacto imediato sobre 44% da dívida pública do país”, afirmou o diretor da IFI, Felipe Salto, em entrevista coletiva nesta tarde para explicar o relatório da instituição.


POR QUE ISSO É IMPORTANTE: A evolução da dívida-PIB depende de crescimento econômico, da inflação, dos juros e do resultado primário. A avaliação da dívida é sempre feita em relação à capacidade de geração de renda e riqueza do Estado (PIB).

“A alta esperada da Selic deverá aumentar a taxa implícita da dívida, interrompendo a trajetória de queda da dívida/PIB”, afirmou Salto, ao detalhar dados do relatório.

O temor do mercado que a relação dívida-PIB do Brasil superaria os 100% com os gastos extraordinários com a pandemia não se concretizou.

PUBLICIDADE

Veja mais: Governo ‘trabalha’ para pagar R$ 400 de Auxílio Brasil, mas não explica fonte de recurso

A IFI projeta três cenários diferentes para a trajetória da dívida nos próximos dez anos. No cenário-base, a dívida poderia chegar à casa dos 87,3% do PIB em 2030; no mais pessimista, a 122%; e no mais otimista, 65,2%, no mesmo período. Os modelos levam em conta variáveis como disciplina fiscal e distintos cenários de crescimento econômico no período.

Segundo Salto, para manter a dívida sob controle o país precisará voltar a produzir resultados primários positivos – isto é, gastar menos do que arrecada.

CONTEXTO: Em janeiro deste ano, quando a Selic estava em 2%, esta taxa de dívida bruta calculada pelo Banco Central estava no piso de 5,7%. Em agosto, com a Selic a 5,25% ao ano, a taxa chegou a 6,6%. A Selic foi a 6,25% em setembro e tem perspectiva de alta por causa da disparada da inflação.

O risco de um país é precificado pelos agentes econômicos e se reflete nos juros exigidos nos leilões de títulos públicos. Quanto mais alta é a relação dívida-PIB, mais alto é o prêmio que os agentes exigem para comprar esses títulos. Na prática, esse dinheiro sairá dos Orçamentos futuros, comprimindo o espaço para despesas de custeio e investimentos.

O economista é um crítico de saídas heterodoxas, como o fim do teto fiscal e saídas como a da PEC dos Precatórios, que propõe a limitação do pagamento dos precatórios, gerando passivos com estas despesas judiciais para os anos seguintes.

PUBLICIDADE

Neste vídeo, a Bloomberg Línea explica o que são precatórios:

Leia também

Fundação Gates quer acelerar acesso à pílula contra Covid da Merck

Na Colômbia, café tem gosto brasileiro

Regras da UE para internet devem ser adiadas mais uma vez, para 2022

Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.