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O que faz do Brasil um celeiro de unicórnios?

Até julho deste ano, país contava com 20 das empresas que valem mais de US$ 1 bilhão

Primeira companhia do país a atingir o patamar de unicórnio foi a scale-up de transporte 99, em 2018
26 de Novembro, 2021 | 08:05 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg Línea — Em julho deste ano, o Brasil alcançou a marca de 20 empresas unicórnios, as startups que valem mais de US$ 1 bilhão, tornando o país um grande celeiro de negócios do gênero.

A primeira companhia do país a atingir o patamar de unicórnio foi a scale-up de transporte 99, em 2018. Desde então, o Brasil vem se consolidando como um dos principais ecossistemas empreendedores do mundo. Mas, afinal, o que vem fazendo do país uma terra tão fértil para essas companhias?

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Só no primeiro semestre de 2021, as startups brasileiras receberam um recorde de US$ 5,2 bilhões de fundos de venture capital, segundo dados da plataforma de inovação aberta Distrito.

De acordo com Maria Fernanda Musa, diretora de aceleração de negócios da rede global de apoio a empreendedores Endeavor, que conta com 10 dos 20 unicórnios brasileiros em seu portfólio, a tendência se deve ao “amadurecimento do ecossistema e dos próprios empreendedores e empreendedoras”, tendo em vista o aumento do número de players nesse mercado (aceleradoras, incubadoras, fundos de investimento).

Entre os 10 unicórnios apoiados pela Endeavor estão as empresas Brex, Creditas, Ebanx, Grupo Movile (Ifood), Hotmart, Loft, MadeiraMadeira, Méliuz, Unico e VTEX.

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Pontos a favor

“A América Latina, em especial o Brasil, possui a combinação perfeita para a disrupção: mercado grande e uma enorme população desatendida, além de problemas estruturais como saúde, educação e infraestrutura”, diz Musa. “Esses gargalos, aliados à alta digitalização da população brasileira e a disposição dos consumidores em adotar novos produtos e serviços inovadores possibilitam um solo fértil para os unicórnios”, completa.

Outro elemento citado pela diretora refere-se ao sistema regulatório do país, que vem passando por mudanças recentes em diversas frentes, desde a liberação do open banking até reformas promovidas pelos governos recentes.

“Como resultado desse solo fértil, estamos observando o boom de unicórnios no ecossistema brasileiro, batendo o número de 23 empresas desse porte”, comenta.

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De acordo com a prestadora de serviços KPMG, entre os setores de maior destaque estão fintech, insurtech, healtech, software, retailtech, adtech e marketing. Além desses, o setor de varejo também se destaca com as profundas transformações impostas pela pandemia e que vem trazendo mudanças significativas no comportamento dos consumidores.

Ao mesmo tempo que foi um desafio, a pandemia é apontada como um acelerador de tendências, desde hábitos de consumo, como também para a digitalização e e-commerce, possibilitando a penetração da tecnologia em vários segmentos. Como uma tendência de mercado, as empresas de tecnologia favoreceram-se muito neste contexto.

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Perfil

Adaptabilidade e interesse por inovação são uma das características dos empreendedores de empresas unicórnio. “São pessoas que viram um problema e estão buscando resolvê-lo há um tempo, geralmente que já tiveram experiências no setor em que atuam”, diz Musa, que complementa que normalmente muitos deles não estão empreendendo por necessidade.

Quanto às empresas em si, uma semelhança entre elas, como já esperado, é o uso intenso da tecnologia para entregar sua solução/produto. Não à toa, boa parte delas cresceram por oferecerem soluções consideradas inovadoras dentro de um mercado específico que já era muito grande.

O que mais falta?

“A complexidade e incerteza em torno da tributação no Brasil segue sendo um desafio para o crescimento das empresas”, diz Maria Fernanda Musa. Outras falhas cruciais apontadas são a falta de investimento em inovação e a escassez de mão de obra qualificada, especialmente de tecnologia, resultado do baixo investimento em educação observado no país nos últimos anos.

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Atualmente, o Brasil é considerado o ecossistema de inovação mais importante da América Latina. Segundo a Association for Private Capital Investment in Latin America, os unicórnios brasileiros equivalem a 66% de todos os unicórnios da região, enquanto o México, em segundo lugar, representa 19% do total.

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Apesar de alto, o número fica aquém de ecossistemas como o dos Estados Unidos, onde atualmente encontram-se 242 unicórnios, segundo dados do fim de 2020 compilados pelo Crunchbase.

O amanhã

Contudo, as limitações e a conjuntura macroeconômica desafiadora não desanimam os entusiastas da inovação. O mercado aquecido com um maior volume de capital disponível, somada a maior presença de players e fundadores experientes, tornam o cenário favorável ao crescimento do ecossistema empreendedor no país.

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“As empresas que mais crescem são aquelas que estão inseridas em grandes mercados, em um timing favorável para disrupção, e oferecem formas diferentes de resolver problemas”, comenta a diretora.

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Igor Sodré

Igor Sodré

Jornalista com formação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, com experiência na cobertura de cultura e economia, tendo como foco mercado financeiro e companhias. Passou pela Bloomberg News e TradersClub.

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