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Agronegócio do futuro passa pela Blockchain

Tecnologia leva mais transparência à cadeia produtiva com ganho para consumidores e agricultores

Ambiente descentralizado da blockchain abre espaço para maior controle da produção e mais interação com consumidor final
Tempo de leitura: 3 minutos

Por Matheus Mans para Mercado Bitcoin

São Paulo - Finanças descentralizadas, operações de crédito mais seguras, rastreabilidade da origem de alimentos e redução do desperdício são algumas das vantagens observadas por empresas e especialistas com a integração da blockchain à cadeia do agronegócio.

“No mercado nacional já passamos pelo período de ‘evangelização’. Ou seja, de divulgação e apresentações dessa tecnologia. Agora, desde 2019, já colecionamos diversos casos de sucesso”, diz Eduardo Figueiredo, mestre em agricultura de precisão pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ-SP).

Hoje, há várias iniciativas no Brasil e em outros países que usam a blockchain no agronegócio. A gigante de tecnologia IBM desenvolveu o Food Trust, uma rede adaptada para a plataforma descentralizada com foco na indústria de alimentos que permite rastrear a cadeia produtiva do agronegócio, levando informação sobre o que chega à mesa do cliente final.

É simples: o Food Trust interage com o consumidor por meio de um QR Code, implantado nas embalagens de produtos in natura, como laranjas, tangerinas, entre outros, fornecendo dados sobre o manejo da cultura, a colheita, o processamento na packing house – a instalação onde é recebida a produção agrícola – além da logística de distribuição.

O grupo francês de hipermercados Carrefour vem usando a tecnologia desenvolvida pela IBM. Hoje, o Food Trust está disponível em várias lojas do varejista ao redor do mundo desde 2019, mas chegou ao Brasil em 2021, inicialmente em 72 lojas espalhadas pelo estado de São Paulo. A ideia é ampliar a proposta pelo país até o final de 2022.

Outra adesão ao Food Trust veio da multinacional de origem tunisiana CHO, do ramo de azeites, dona da Terra Delyssa, marca que figura entre os melhores azeites do mundo, vencedora, em 2020, do NYIOOC World Olive Oil Competition, mais prestigiado concurso global de azeite.

A CHO se apoiou na blockchain para resolver um problema antigo do setor, que diz respeito à comprovação da boa procedência do óleo. O código de barras foi também a solução usada para levar mais transparência ao comprador, além de maior confiabilidade na origem do produto.

Antes de o azeite chegar ao mercado, o agricultor registra várias referências em uma rede descentralizada que vão do plantio da oliveira, a colheita da azeitona, o processamento do fruto até a produção do azeite e seu envase. Isso pode atestar também a pureza do produto.

“Felizmente, hoje, já temos protótipos de aplicação da blockchain no mundo todo, seja na parte financeira, de pecuária, do meio ambiente, na indústria e na área de logística. No final da cadeia, essas informações chegam até os consumidores”, explica Geneci Ribeiro Rocha, doutoranda em agronegócio pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Além do QR Code

Engana-se, no entanto, quem pensa que os efeitos da descentralização no agronegócio servem apenas para colar um QR Code na casca de uma laranja. Com mais elementos registrados e rastreáveis, o agricultor também ganha. “Ele pode conseguir crédito sem que precise andar com vários documentos”, diz Geneci, já que, continua, todas as informações sobre sua produção e finanças ficam registradas na rede”.

Isso permite a um banco checar a escritura de uma terra ou atas notariais para comprovação de entrega de safras, chegando aos contratos inteligentes. A expansão dessa tecnologia no campo, no entanto, passa pelo aumento da internet.

As informações sobre uma colheita, por exemplo, não são inseridas manualmente em uma rede pelo agricultor. Circulam por sistemas mais robustos, com sensores, chips e até leituras de drones, que exigem acesso à rede de computadores.

“As dificuldades estão relacionadas a investimentos das empresas ligadas a novas tecnologias, à maturidade de processos de negócios e ao baixo uso desses avanços para expansão de mercado”, diz Figueiredo, da ESALQ-SP. Geneci complementa: “a baixa conectividade rural, em especial em áreas mais afastadas, ainda dificulta a expansão da blockchain. Esperamos que a chegada da internet 5G mude esse cenário”.

Vencida essa barreira as possibilidades são enormes. “Primeiramente, vamos resolver problemas de qualidade. Se a soja chega com umidade no final da cadeia, podemos descobrir em qual ponto isso aconteceu. A qualidade do produto aumenta”, explica a doutoranda da UFRGS.

“Podemos melhorar nas questões sanitárias e quanto à confiança do consumidor. O produto passa a ter um valor agregado que pode colocar o Brasil em mais mercados”.

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