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Bloomberg Opinion — O PayPal está explorando uma aquisição do Pinterest por US$ 45 bilhões, e os investidores estão tão intrigados com a parceria quanto com o valuation astronômico. Depois que a Bloomberg News divulgou a história do possível negócio na quarta-feira (20), os investidores perguntaram: por que um aplicativo de mídia social vale tanto para o PayPal? E o que é o Pinterest, afinal?

Para tentar entender, os investidores precisam de um jargão totalmente novo para navegar no fantástico mundo de colagens e inspirações que é a plataforma Pinterest. Então, deixe-me traduzir: o Pinterest é uma rede social com muitos usuários, ou Pinners, que são em sua maioria mulheres, as donas dos gastos familiares que anunciantes e marcas tanto gostam (curiosamente, o canal HGTV, da Discovery, há muito tempo usa uma premissa semelhante).

Esses Pinners estão constantemente marcando ou salvando Pins, que servem como tokens de inspiração para suas próximas compras, seja uma repaginação da sala de estar, um vestido de madrinha de casamento ou uma receita para o jantar. Pense na plataforma como uma grande influenciadora – uma reencarnação virtual da Ana Maria Braga (que, aliás, tem uma conta na plataforma) que serve como uma porta de entrada para compras. Os usuários encontram essas coisas ao pesquisar ativamente ou descobrir itens passivamente por meio das contas que seguem.

Veja mais: Aquisição do Pinterest deve levar M&A de tecnologia a US$ 1 tri

“Pinners são consumidores” é o que o Pinterest diz a seus parceiros de varejo. Os gastos orientados por influenciadores significam o número de jovens consumidores que tomam decisões sobre compras segundo as orientações porque a prática simplifica o hábito de comprar. Nos 12 meses até junho, a empresa gerou US$ 2,25 bilhões de receita com a venda de anúncios, que são apresentados em vários formatos nos feeds dos usuários e simplificam a compra dos itens que eles veem.

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A comunidade também é maior do que você imagina. Ela possui cerca de 450 milhões de usuários ativos mensais (só para comparar, o Facebook tem 2,9 bilhões de usuários ativos mensais, dos quais 259 milhões estão nos Estados Unidos e no Canadá). Mas só agora o Pinterest começou a ter lucro. Seus negócios foram impulsionados durante a pandemia de Covid-19 e o frenesi de compras e reformas de imóveis, bem como todos aqueles casamentos caseiros no quintal.

A atração do PayPal é que possuir o Pinterest não é apenas uma oportunidade de controlar dados valiosos dos usuários que fornecem uma janela detalhada sobre os gostos dos consumidores, mas também pode ser uma chance de tornar o PayPal o principal método de transação para Pinners. O PayPal busca estabelecer um relacionamento mais direto com os consumidores, em vez de ser apenas um prompt de pagamento quando estes fazem transações em sites de terceiros. A empresa lançou recentemente um novo “super aplicativo” para gerenciar uma variedade de recursos de finanças pessoais, embora ainda precise de alguns ajustes. Um dos recursos planejados é um componente de compras personalizado que permite aos usuários criar listas de desejos – parece familiar?

Veja mais: PayPal avalia compra do Pinterest

As empresas teriam discutido um possível preço de aquisição de cerca de US$ 70 por ação. Isso é um ágio de 33% em relação ao preço médio de fechamento do Pinterest nos últimos 20 dias; a empresa abriu o capital por apenas US$ 19 por ação em abril de 2019. O Pinterest já está avaliado em 39 vezes o Ebitda, o que o torna mais caro nessa base do que o Twitter ou mesmo a Netflix. Isso significa que, embora a combinação incomum possa ter lógica, o PayPal corre o risco de pagar mais. Suas próprias ações caíam 5% após as notícias da quarta-feira (20).

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O PayPal parece estar em busca de inspiração e encontrou um Pin de que gostou. Mas ele precisa decidir se a compra vale o preço ou se deve apenas continuar navegando.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.

Tara Lachapelle é colunista da Bloomberg Opinion e escreve sobre negócios na área de entretenimento e telecomunicações, bem como transações mais abrangentes. Ela já escreveu uma coluna sobre fusões e aquisições para a Bloomberg News.

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