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Líderes do G-20 reduzem as ambições de ‘relegar o carvão ao passado’

Crise energética tem mudado a dinâmica das negociações diplomáticas, e com isso vários países emergentes continuam a resistir até mesmo a metas menores

Negociações preparatórias para o G-20 terminaram em um impasse, sem consenso sobre a busca por zerar as emissões líquidas ou limitar o aquecimento global a 1,5°C
Por Javier Blas, Chiara Albanese, Ilya Arkhipov e Alberto Nardelli
21 de Outubro, 2021 | 04:46 pm
Tempo de leitura: 2 minutos

Bloomberg — Um grupo de 20 diplomatas deixou de lado seu nobre objetivo de relegar o carvão ao passado e, em vez disso, está elaborando um plano mais modesto para impedir que os governos financiem usinas termelétricas de carvão estrangeiras, segundo fontes familiarizadas com a situação.

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A crise energética tem mudado a dinâmica das negociações diplomáticas, e com isso vários países emergentes continuam a resistir até mesmo a essa meta menor - à qual o G7 aderiu em junho e com a qual a China já se comprometeu. O Reino Unido e a Itália, que vêm promovendo a agenda climática nas negociações internacionais este ano, esperavam garantir a eliminação do carvão em seus países e no exterior, como parte da preparação para as negociações climáticas da COP neste mês.

O G-20, que inclui os maiores emissores do mundo, definirá o cenário para as negociações da COP, em Glasgow, na Escócia. Essa cúpula é vista como decisiva para conter o aquecimento global. Na semana passada, as negociações preparatórias do G-20 terminaram em um impasse, sem consenso sobre a busca por zerar as emissões líquidas ou limitar o aquecimento global a 1,5°C. Houve até alguns retrocessos desde o meio do ano, segundo fontes a par do assunto.

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Enquanto os líderes do G-20 se preparam para se reunir em 30 e 31 de outubro em Roma, a crise de energia que assola a Europa e a Ásia destacou a importância da segurança energética e os riscos de abandonar os combustíveis fósseis antes que outras alternativas estejam de fato prontas para assumirem esse lugar. A China ordenou aos mineiros que extraiam o máximo de carvão possível; A Índia está demandando um aumento da produção de petróleo e até mesmo o Reino Unido está usando mais energia a carvão. Nos Estados Unidos, os planos climáticos do presidente Joe Biden estão em perigo no Congresso, minando sua capacidade de persuadir outros a fazerem promessas ecológicas ambiciosas.

O anfitrião da COP, o Reino Unido, estabeleceu como objetivo “relegar o carvão ao passado”, e o presidente da COP26, Alok Sharma, afirma que essa é sua “prioridade pessoal”. Mas mesmo no G7 em junho na Inglaterra, onde os líderes fizeram promessas de reduzir as emissões, eles não foram capazes de chegar a um acordo quanto à eliminação do combustível fóssil mais sujo no ambiente doméstico.

As negociações continuam e ainda há espaço para se fazer concessões. Segundo um representante do governo, diplomatas também estão considerando incluir compromissos no G-20 sobre o metano - um potente gás de efeito estufa que está cada vez mais em foco depois que os EUA e a UE firmaram uma aliança para reduzir as emissões.

-- Com a colaboração de Jennifer A. Dlouhy, Isis Almeida, Alex Morales, Jessica Shankleman e John Follain.

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