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Green

Como a diplomacia ambiental trabalha para ‘deixar o carvão no passado’?

Alok Sharma, presidente da COP, concentra argumentos para promover avanço na conferência do clima daqui 60 dias

Presidente da Conferência das Partes (COP)
Por Jess Shankleman
31 de Agosto, 2021 | 04:59 pm
Tempo de leitura: 3 minutos

Bloomberg — O verão do hemisfério norte chega ao fim, e o clima de volta às aulas paira no ar. A pressão sobre os governos para garantir um grande avanço global sobre a mudança climática antes da COP26 está aumentando; as negociações cruciais das Nações Unidas começam em Glasgow, na Escócia, em pouco mais de 60 dias.

Alok Sharma, presidente da COP, viajou pelo mundo no último ano para garantir que possa negociar um acordo na conferência. Agora ele está se concentrando em alguns países. Sharma diz que a COP26 deve “deixar o carvão no passado” e que espera que o importante relatório de cientistas publicado no início do mês destaque a necessidade de agir agora.

O estudo – realizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – constatou que a humanidade elevou a temperatura média do planeta em 1,1°C desde o final do século XIX e já emitiu gases de efeito estufa na atmosfera suficientes para aquecer o planeta em 1,5°C.

Seu sucesso ou fracasso em Glasgow dependem dos dois maiores emissores do mundo: a China e os EUA. A China precisa anunciar cortes mais ambiciosos na poluição, incluindo o compromisso de parar de construir mais usinas termelétricas. Por sua vez, os EUA precisam finalmente cumprir sua promessa de ajudar os países pobres a fazerem a transição para a energia limpa e se adaptarem às mudanças climáticas.

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As próximas semanas serão cruciais. John Kerry, o enviado do governo norte-americano para o clima, visitará a China e o Japão em uma última pressão diplomática, e Sharma fará a mesma viagem, segundo a Politico. O gabinete de Sharma não confirmou sua viagem à China.

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Na suposta visita à China, Sharma deve pressionar o fim do uso do carvão. O uso do carvão no país continua aumentando, e os governos provinciais aprovaram 24 novos projetos de termelétricas no primeiro semestre, segundo uma pesquisa do Greenpeace na semana passada. Todos estarão assistindo à Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual o presidente Xi Jinping surpreendeu o mundo ao anunciar uma nova meta de zero líquido para 2060 no ano passado. Alguns acreditam que ele deve anunciar a redução do uso de carvão na edição deste ano.

Os EUA estão atrasados em relação a outros países no que diz respeito a finanças climáticas. Há uma década, os países ricos prometeram mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar os países pobres a lidar com os piores impactos da mudança climática e fazer a transição para combustíveis mais limpos. Contudo, a meta não foi atingida, e os países desenvolvidos alegam não poder reduzir as emissões mais rápido sem ela.

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O presidente Joe Biden prometeu mais, mas depende de um projeto de lei de infraestrutura que avança lentamente no Congresso. Os EUA precisam entregar uma proposta confiável para novas finanças à Assembleia Geral da ONU no final de setembro se quiserem avançar nas negociações climáticas a tempo, disse Nick Mabey, presidente-executivo do think tank ambiental E3G.

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A reunião de Kerry em Tianjin também será decisiva. O sucesso do Acordo de Paris de 2015 se deu pelo acordo firmado entre o então presidente Barack Obama e Xi um ano antes. Uma vez que os dois maiores emissores do mundo chegaram a um acordo, foi mais fácil para outros países se alinharem.

No entanto, com as tensões entre as duas superpotências, será mais difícil chegar a um acordo como esse desta vez.

“A contagem regressiva diplomática para Glasgow começou bem, e as apostas são grandes”, disse Mabey.

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