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Finanças pessoais

O que é fato e o que é pânico no massacre da bolsa nesta segunda

O temor de uma desaceleração na China cresceu com a situação da Evergrande, mas especialistas recomendam olhar para o fundamento antes de abrir o broker

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São Paulo — O Ibovespa fechou nesta segunda no menor patamar de 2021 com forte influência de um dia de quedas no exterior. Antes de apertar o sell no broker das corretoras, especialistas recomendam paciência com a tempestade desses dias e olhar para os fundamentos das empresas que o investidor carrega em carteira. A safra de resultados do terceiro trimestre começará a sair em meados de outubro. Aí a contabilidade separa o joio do trigo.

“O maior vilão é o tempo, pois as empresas (principalmente as domésticas), ao contrário do que se pensa, vêm entregando bons resultados e até nos surpreendendo. Vemos que no curto prazo ainda será difícil, mas os valores de vários ativos de qualidade estão muito baratos e nos preocupa os investidores pessoa física de, mais uma vez, fazerem o que tem fama de fazer: vender na baixa e comprar na alta”, disse Pedro Serra, gerente de pesquisa da Ativa Investimentos.

O chefe de pesquisa da Esh Capital, Sérgio Goldman, disse à Bloomberg que o fenômeno mundial das bolsas de valores no mundo inteiro caindo não se deve só ao evento da Evergrande, maior incorporadora da China sob risco de ficar insolvente, mas também à potencial desaceleração de toda a economia da China.

Veja mais: Caso Evergrande derruba ações com pouquíssima ligação com a China

Por aqui ainda não há solução desenhada para o problema dos precatórios no próximo Orçamento – segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a PEC que prevê o teto para estas despesas deve andar nesta semana. Copom com viés de alta.

“A entrega dos resultados do terceiro trimestre de 2021 das empresas está logo ali, começando na segunda quinzena de outubro. Portanto, achamos prudente, se o investidor estiver carregando boas empresas, aguardar este período”, disse Serra, da Ativa.

Veja mais: Por que a expectativa do mercado sobre o Brasil caiu tão rápido?

Para separar o que é oportunidade do que é mico, a Bloomberg Línea explica os fundamentos dos negócios de algumas das ações que mais caíram nesta segunda, segundo analistas de diferentes bancos e casas de análise.

Braskem (BRKM5): R$ 58,39 (-11,54%)

O drive da queda: O jornal Valor Econômico reportou, com base em fontes, que a Novonor, ex-Odebrecht, planeja vender toda a participação na petroquímica em um follow-on.

Os últimos números (2Q21, anualizados)

Receitas: R$ 83,844 bi

Lucro: R$ 25,556 bi

Ebtida ajustado: R$ 20,433 bi

Lucro por ação: R$ 11,84

Vale (VALE3): R$ 83,31 (-3,30%)

O drive da queda: Os preços do minério de ferro no mercado internacional estão em queda. A cotação é a mais baixa desde fevereiro deste ano.

Os últimos números (consolidados 2Q21)

Receitas: R$ 293,992 bi

Lucro: R$ 181,334 bi

Ebtida ajustado: R$ 187,408 bi

Lucro por ação: R$ 23,08

Bradesco (BBDC4): R$ 19,27 (-3,75%)

O drive da queda: embora tenha frustrado expectativas de analistas no 2º tri por uma queda de receita na sua área de seguros, o segundo maior banco privado do país foi castigado nesta segunda pelas quedas das bolsas no resto do mundo com aversão maior ao risco.

Os últimos números (2Q21)

Receitas: R$ 117,836 bi

Resultado operacional: R$ 34,359 bilhões

Resultado líquido: R$ 29 bilhões

Lucro por ação: R$ 2,90

Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,19 (-2,26%)

O drive da queda: Queda de hoje, segundo analistas, não reflete fundamentos do banco, mas contaminação pelo mau humor global.

Os últimos números (2Q21, anualizados)

Receitas: R$ 121,800 bi

Resultado operacional: R$ 40,026 bilhões

Resultado líquido: R$ 28 bilhões

Lucro por ação: R$ 2,86

Petrobras (PETR4): R$ 24,65 (-1,12%)

O drive da queda: O avanço dos preços dos preços do petróleo e a política da paridade com o mercado internacional transformaram a estatal em uma potência de pagamento a dividendos aos acionistas com cerca de 9% de DY. Por outro lado, ela enfrenta crescentes críticas do mundo político por causa das altas do combustível na bomba e no gás de cozinha.

Os últimos números (2Q21, anualizados)

Receitas: R$ 342,586 bi

Lucro: R$ 175,167

Ebtida ajustado: R$ 194,168 bi

Lucro por ação: R$ 6,30

Magalu (MGLU3): R$ 16,05 (-3,14%)

O drive da queda: O aumento estrutural da taxa de juros é uma conjuntura que deve afetar o varejo como um todo, mas a queda forte de hoje reflete mais o mal-estar geral dos mercados. Dos 17 bancos e casas que cobrem a Magalu, 11 recomendam compra e 6 a manutenção das ações.

Os últimos números (2Q21, anualizados)

Receitas: R$ 35,640 bilhões

Lucro: R$ 9,042 bilhões

Ebtida ajustado: R$ 2,167 bilhões

Lucro por ação: R$ 0,10

Bradespar (BRAP4): R$ 56,64 (-4,39%)

O drive da queda: A Bradespar é uma holding que investe no setor químico, mineração, cimento, geração elétrica. Na semana passada, a companhia informou que vai submeter à assembleia geral em 15 de outubro o desinvestimento na Vale, distribuindo aos seus acionistas mais de 123 milhões da Vale – algo como R$ 10,2 bilhões pela cotação de hoje. As ações tinham disparado, mas sofreram correção devido à própria queda do minério de ferro que afetou a Vale. Além disso, nesta segunda foi a data de corte para uma bonificação de 0,1295 ações a cada 10 ações. A partir de amanhã, começa a ser negociada como ex.

Os últimos números (2Q21, anualizados):

Resultado líquido: R$ 5,065 bilhões

Lucro por ação: R$ 14,55

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Graciliano Rocha

Graciliano Rocha

Editor da Bloomberg Línea no Brasil. Jornalista formado pela UFMS. Foi correspondente internacional (2012-2015), cobriu Operação Lava Jato e foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras de Jornalismo em 2018. É autor do livro "Irmã Dulce, a Santa dos Pobres" (Planeta), que figurou nas principais listas de best-sellers em 2019.